• "Crianças muçulmanas também têm que assimilar a história alemã". — Günther Felbinger, parlamentar do Partido Eleitores Independentes.

  • "Em uma época de antissemitismo desenfreado e até terrorismo antissemita por toda a Europa, o plano bávaro de Steiner juntamente com seu generoso programa de educação Islâmico Federal parece ser uma receita para o jihadismo, recrutamento para o EIIS e incitamento de ódio aos judeus, a ser inevitavelmente seguido por ataques contra outras vítimas tradicionais do nazismo: ciganos, gays, mulheres e deficientes". — Shimon Samuels, Centro Simon Wiesenthal.

  • "Jamais devemos considerar normal que para uma criança judia crescer na Alemanha, o jardim de infância, a escola e a sinagoga devam estar protegidos pela polícia. Essa situação deveria nos dar o incentivo para combatermos o antissemitismo com todos os meios disponíveis dentro da lei". — Ministro do Interior da Alemanha Thomas de Maizière.

Surgiu um debate na Alemanha sobre a possibilidade de isentar os estudantes muçulmanos da obrigatoriedade de visitarem os ex-campos de concentração como parte dos programas de educação sobre o Holocausto.

A discussão gira em torno de uma proposta que obrigará os estudantes de todas as escolas secundárias da Bavária de visitarem memoriais do Holocausto como parte do currículo escolar.

Essas visitas já são obrigatórias para estudantes do Gymnasium (uma espécie de escola de ensino médio com forte ênfase no estudo acadêmico), a proposta será estendida aos alunos do oitavo e nono graus para todos os tipos de escolas de ensino médio, inclusive escolas para alunos com necessidades especiais.

A proposta defendida por um partido político chamado Eleitores Independentes (Freie Wähler), pleiteia que o currículo educacional oficial seja emendado para que se torne obrigatório aos estudantes visitarem os memoriais dos campos de concentração bávaros em Dachau und Flossenbürg e o Deutsch-Deutsches Museum em Mödlareuth.

O objetivo declarado é para que todos os estudantes na Bavária visitem pessoalmente um memorial do Holocausto pelo menos uma vez em sua vida escolar, na esperança deles obterem uma compreensão mais profunda do período nazista.

A proposta conta com a oposição do partido governante União Social Cristã, parceiro bávaro da União Democrata Cristã da Chanceler Angela Merkel. Em um recente debate no parlamento sobre a questão, o parlamentar do CSU Klaus Steiner deu a seguinte explicação:

"principalmente nas escolas de ensino médio há imigrantes e filhos de requerentes de asilo. Entre essas crianças há muitas de famílias muçulmanas que não têm nenhuma ligação com o nosso passado e que necessitarão de muito mais tempo até que possam se identificar com a nossa história. É necessário sermos cuidadosos na forma de abordarmos essa questão com essas crianças".

Steiner acrescentou que visitas obrigatórias para estudantes com necessidades especiais são inadequadas, pelo fato de que muitas delas não possuem a capacidade "cognitiva e emocional" para entenderem o Holocausto.

Os comentários de Steiner foram recebidos como afronta em muitos setores. Gisela Sengl, legisladora do Partido Verde, na oposição, disse que a alegação de Steiner de que os estudantes são tão lerdos a ponto de não conseguirem entender o Holocausto é ridícula. "Vou ser bem franca", disse Sengl. "Não é necessário possuir um determinado quociente de inteligência para entender as coisas terríveis que aconteceram durante o período nazista".

Günther Felbinger, parlamentar do partido dos Eleitores Independentes disse que a posição do CSU era difícil de reconciliar com a promessa do partido de tentar integrar novos imigrantes. "crianças muçulmanas também têm que assimilar a história alemã, segundo ele.

O Centro Simon Wiesenthal de Los Angeles, grupo judaico de direitos humanos, foi ainda mais direto. Em uma carta à Ministra da Educação (Federal) Alemã Johanna Wanka, diretora do Centro para relações internacionais, Shimon Samuels, esclareceu:

"ouvir um palavreado desses de um importante político alemão cheira mal, na melhor das hipóteses, como negação do Holocausto e, muito pior do que isso, um endosso alemão das intenções iranianas e islamistas tão radicais que podem ser resumidas como o Holocausto é uma mentira, vamos torná-lo uma realidade".

Samuels comparou a posição do CSU na Bavária com o plano de investimento de cinco anos do governo federal de €20 milhões (US$22,5 milhões), para criar Centros de Teologia Islâmica em quatro importantes universidades alemãs: Münster/Osnabrück, Tübingen, Frankfurt/Giessen e Nürnberg-Erlangen na Bavaria.

De acordo com a Ministra da Educação faz "parte de uma moderna política de integração". O website da ministra diz o seguinte:

"a educação religiosa nas escolas proporciona uma importante orientação cultural e teológica. Ela ensina moral e ética e proporciona suporte para que as crianças e os jovens desenvolvam sua própria identidade. A educação religiosa estimula as crianças e jovens a refletirem e articularem sobre suas próprias convicções. E as desafia a lidarem com valores, tanto deles próprios quanto os valores dos outros. Em uma sociedade pluralista, esse tipo de reflexão é crucial para que se possa manter o diálogo entre as culturas e ajudar no aprendizado sobre as diferenças e semelhanças entre elas".

Em sua carta, Samuels protestou veementemente contra essa hipocrisia. Ele esclareceu:

"em uma época de antissemitismo desenfreado e até terrorismo antissemita por toda a Europa, o plano bávaro de Steiner juntamente com seu generoso programa de educação Islâmico Federal parece ser uma receita para o jihadismo, recrutamento para o EIIS e incitamento de ódio aos judeus, a ser inevitavelmente seguido por ataques contra outras vítimas tradicionais do nazismo: ciganos, gays, mulheres e deficientes.

"Ao cancelar a visita de jovens muçulmanos a campos de concentração, a Alemanha poderá despertar em alguns, memórias iconizadas da aliança Fuhrer-Mufti dos anos 1930 como paradigma do islamismo contemporâneo".

Samuels estava se referindo ao Grande Mufti Palestino de Jerusalém Haj Amin al-Husseini, que se encontrou com Adolf Hitler e outros líderes nazistas na Alemanha em 1941. Ele estava solicitando o apoio das potências do Eixo para eliminar todos os judeus do Oriente Médio.

Georg Rosenthal, parlamentar do Partido Social Democrata e ex-prefeito de Würzburg, acredita que as comemorações da libertação dos campos de concentração ou do fim da Segunda Guerra Mundial se tornaram "rituais sem sentido" que não dizem nada para muitos jovens alemães. "Nós precisamos de uma cultura de recordação para a terceira geração", declarou Rosenthal referindo-se aos jovens que não têm memória viva do Holocausto. "Visitação às cenas do crime é essencial para todos os estudantes. É por demais importante para que os novos imigrantes entendam a razão pela qual eles precisam assumir a responsabilidade da história alemã".

Reagindo às crescentes críticas, o Ministro da Educação da Bavária Ludwig Spaenle emitiu em 3 de junho o que parece ser um acordo. Em uma declaração ele prometeu lançar um "programa piloto" que procurará fornecer aos alunos do oitavo grau uma "preparação teórica" para as futuras visitas em potencial aos ex-campos de concentração e outras instalações nazistas.

De acordo com Spaenle, memoriais dos campos de concentração apresentam "os locais mais autênticos onde os estudantes podem, da melhor maneira possível, desenvolver os insights no regime injusto do estado nazista e chegar à clara posição em favor do Nunca Mias". Ele não deu a entender se os alunos muçulmanos serão dispensados do programa.

Uma classe do ensino médio visita o memorial do campo de concentração de Dachau na Bavária. (imagem: Gymnasium Gerabronn)

O debate em relação à educação sobre o Holocausto acontece em um período de crescente antissemitismo islâmico na Alemanha. Em 20 de maio o Ministro do Interior da Alemanha Thomas de Maizière discursou em uma conferência em Berlim chamada "Vida Judaica na Alemanha: Ela está em Perigo"?, dizendo que os crimes de ódio antissemita saltaram 25% em 2014 e muito desse aumento se deve aos ataques perpetrados por imigrantes muçulmanos.

De Maizière disse que o antissemitismo islâmico é um problema crescente em toda a Europa, ele se referia aos ataques contra judeus em Bruxelas, Copenhagen e Toulouse. Ele disse que alguns desses ataques violentos eram conduzidos por agentes do Hisbolá e do Hamas, porém ele estava especialmente preocupado com o potencial para ataques antissemitas por adeptos do salafismo, o movimento islâmico que mais cresce na Europa.

De acordo com Maizière, somente a Alemanha já acolhe mais de 7.000 salafistas e que 1.000 desses indivíduos são por demais perigosos e que podem atacar a qualquer momento. Ele conclui da seguinte maneira:

"jamais devemos considerar normal que para uma criança judia crescer na Alemanha, o jardim de infância, a escola e a sinagoga devam estar protegidos pela polícia. Essa situação deveria nos dar o incentivo para combatermos o antissemitismo com todos os meios disponíveis dentro da lei".

Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque. Ele também é colaborador sênior do European Politics do Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group sediado em Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter.

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