• Hans-Georg Maassen, chefe da agência de inteligência interna da Alemanha (BfV), alertou que o Estado Islâmico estava deliberadamente infiltrando jihadistas na onda de refugiados que se dirigiam para a Europa ressaltando que o número de salafistas na Alemanha atingiu 7.900. Um salto dos 7.000 em 2014 e 5.500 em 2013.

  • "Os salafistas querem estabelecer um estado islâmico na Alemanha". — Hans-Georg Maassen, diretor da inteligência alemã BfV.

  • Mais de 800 residentes alemães, 60% dos quais têm passaportes alemães, engrossaram as fileiras do Estado Islâmico do Iraque e da Síria. Destes, cerca de ⅓ retornou para a Alemanha. — Departamento Federal de Polícia Criminal.

  • Pode chegar a 5.000 o número de jihadistas europeus que retornaram ao continente após obterem experiência de combate nos campos de batalha do Oriente Médio. — Rob Wainwright, chefe da Europol.

Uma menina alemã de 15 anos, de descendência marroquina, esfaqueou, ferindo gravemente um policial em Hanover. Ao que tudo indica, o esfaqueamento foi o primeiro ataque terrorista de um lobo solitário na Alemanha inspirado pelo Estado Islâmico.

O incidente ocorreu na principal estação de trens de Hanover na tarde de 26 de fevereiro, quando dois policiais perceberam que a menina, identificada somente como Safia S., os estava observando e seguindo.

Os policiais se aproximaram da menina, que estava usando um véu islâmico e pediram a ela que apresentasse seus documentos. Após apresentar a carteira de identidade, ela esfaqueou um dos policiais no pescoço com uma faca de cozinha de 16 cm.

De acordo com a polícia, o ataque foi tão rápido que o policial de 34 anos, que foi levado às pressas ao hospital, não teve nenhuma chance de se defender. Após ser presa, a polícia descobriu que ela tinha outra faca, ainda maior.

"A criminosa não demonstrou nenhuma emoção", segundo um porta-voz da polícia. "Sua única preocupação era com seu véu. Ela estava preocupada em arrumar o véu corretamente após ser detida. Ela não queria nem saber se o policial tinha sobrevivido".

Em 3 de março o Promotor Público de Hanover Thomas Klinge revelou que Safia tinha viajado para a fronteira turco/síria em novembro de 2015 para se juntar ao Estado Islâmico, mas que sua mãe a tinha persuadido a voltar para a Alemanha em 28 de janeiro.

No mês passado, Safia S., uma menina alemã de 15 anos, de descendência marroquina, esfaqueou, ferindo gravemente um policial em Hanover, ao que tudo indica, o esfaqueamento foi o primeiro ataque terrorista de um lobo solitário na Alemanha inspirado pelo Estado Islâmico.

Segundo a polícia, o esfaqueamento foi premeditado: impossibilitada de se juntar ao Estado Islâmico na Síria, Safia decidiu desfechar o ataque contra o policial na Alemanha.

Safia é acusada de tentativa de assassinato. Ela também é acusada de crime de terrorismo. Segundo os promotores, ao viajar para a Turquia para se juntar ao Estado Islâmico, a menina infringiu o Artigo 89a do Código Penal Alemão: "Preparação para cometer um crime violento colocando em perigo o estado".

O diário Die Welt, reportou que Safia era membro do movimento salafista local desde 2008, ela tinha apenas sete anos naquela época. Ela aparecia em vídeos de propaganda islamista ao lado de Pierre Vogel, um convertido ao Islã e um dos mais conhecidos pregadores salafistas da Alemanha. Nos vídeos, Vogel elogiava Safia por ela usar um véu na escola e por saber recitar versos do Alcorão.

Segundo consta Saleh, irmão de Safia, está preso em uma cadeia na Turquia, onde foi detido por tentar se juntar ao Estado Islâmico.

Até agora o único ataque islamista bem sucedido na Alemanha ocorreu no Aeroporto de Frankfurt em março de 2011, quando Arid Uka, um albanês de Kosovo, alvejou, assassinando dois pilotos dos Estados Unidos e feriu gravemente outros dois. Uka foi condenado à prisão perpétua.

Em 4 de fevereiro de 2016, a polícia alemã prendeu quatro membros de uma célula do ISIS que, segundo consta, estava planejando ataques jihadistas em Berlim. Em blitzes policiais coordenadas, mais de 450 policiais efetuaram ações de busca em residências e empresas ligadas à célula de Berlim, Baixa Saxônia e Reno, Norte da Westphalia.

O chefe da célula, um argelino de 35 anos que residia em um abrigo para refugiados juntamente com sua esposa e dois filhos em Attendorn, ingressou na Alemanha no outono de 2015. Passando-se por candidato a asilo da Síria, o argelino identificado apenas como Farid A., segundo consta, recebeu treinamento militar do Estado Islâmico na Síria.

Encontram-se entre os detidos: um argelino de 49 anos residindo em Berlim com falsa identidade francesa, outro argelino de 30 anos também residindo em Berlim com visto de residência válido e mais outro argelino de 26 anos, este, segundo consta, ligado a islamistas da Bélgica, residindo em um abrigo para refugiados em Hanover.

Segundo consta, os homens estavam planejando atacar o Checkpoint Charlie, o famoso posto de fronteira da Guerra Fria entre Berlim Oriental e Ocidental. Ao que tudo indica, eles também estavam planejando atacar o Alexanderplatz, uma enorme praça pública e terminal de transportes no centro de Berlim.

Em 8 de fevereiro a polícia alemã deteve um suposto comandante do ISIS que residia em um abrigo para refugiados na cidadezinha de Sankt Johann. O jihadista de 32 anos, conhecido apenas como Bassam, que se passava como candidato a asilo da Síria, ingressou na Alemanha no outono de 2015. Agentes da inteligência alemã desconheciam a verdadeira identidade dele até que a revista semanal alemã Der Spiegel, entrevistou-o após receber uma pista de seu paradeiro através de outros sírios daquele abrigo. Bassam disse que as acusações contra ele eram falsas: "eu quero estudar alemão e trabalhar como cozinheiro," afirmou Bassam.

Em uma entrevista concedida em 5 de fevereiro à rede de TV ZDF, Hans-Georg Maassen, chefe da agência de inteligência interna da Alemanha (Bundesamt für Verfassungsschutz, BfV), alertou que o Estado Islâmico estava deliberadamente infiltrando jihadistas na onda de refugiados que se dirigiam para a Europa. "O risco de ataques terroristas é altíssimo", segundo ele.

Em 4 de fevereiro, o jornal Berliner Zeitung publicou que Maassen afirmou que a BfV recebeu mais de 100 alertas de que havia combatentes do Estado Islâmico entre os refugiados que residem atualmente na Alemanha. Sabe-se que alguns desses jihadistas entraram na Alemanha com passaportes falsos ou roubados.

Maassen também revelou que a BfV tem conhecimento de 230 tentativas de salafistas de sondar os abrigos para refugiados na Alemanha para arregimentar novos recrutas. Em uma recente entrevista concedida ao jornal berlinense Der Tagesspiegel, Maassen ressaltou que o número de salafistas na Alemanha atingiu 7.900. Um salto dos 7.000 em 2014; 5.500 em 2013; 4.500 em 2012 e 3.800 em 2011.

Muito embora os salafistas constituam apenas uma pequena fração dos estimados seis milhões de muçulmanos que residem na Alemanha, funcionários da inteligência advertem que a maioria daqueles que são atraídos pela ideologia salafista são jovens muçulmanos, facilmente impressionáveis, dispostos a desfechar atos terroristas em um espaço mínimo de tempo em nome do Islã.

Em um relatório anual a BfV descreveu o salafismo como o "movimento islamista mais dinâmico da Alemanha". O relatório acrescenta:

"A natureza absolutista do salafismo contradiz partes consideráveis da ordem constitucional alemã. Especificamente, o salafismo rejeita os princípios democráticos de separação do estado da religião, soberania popular, liberdade religiosa e sexual, igualdade de gênero e o direito fundamental da integridade física".

Em uma entrevista concedida ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, Maassen alertou: "os salafistas querem estabelecer um estado islâmico na Alemanha".

Em 16 de fevereiro mais de 200 policiais alemães realizaram batidas nas residências de 44 salafistas em Bremen, cidade-estado ao norte do país. O Ministro do Interior de Bremen Ulrich Mäurer, ressaltou que ele tinha ordenado o fechamento da Associação Islâmica de Bremen (Islamischen Fördervereins Bremen) com base em alegações de que o grupo estava recrutando jihadistas para o Estado Islâmico:

"É bem apocalíptico termos pessoas residindo em nosso meio que estejam dispostas, da noite para o dia, de tomarem parte, pesadamente, em atos terroristas do Estado Islâmico".Em dezembro de 2014, autoridades de Bremen fecharam outro grupo salafista, a Associação Cultura e Família (Kultur- und Familieverein, KUF), depois que alguns de seus membros se uniram ao Estado Islâmico.

Mais de 800 residentes alemães, 60% dos quais têm passaportes alemães, engrossaram as fileiras do Estado Islâmico do Iraque e da Síria, de acordo com o diário Die Welt, baseado nos dados mais recentes compilados pelo Departamento Federal de Polícia Criminal (Bundeskriminalamt, BKA). Destes, cerca de ⅓ retornou para a Alemanha. Cerca de outros 130 foram mortos nos campos de batalha, incluindo pelo menos doze homens bomba.

Em uma entrevista concedida ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung, em 19 de fevereiro, o chefe da Europol, Rob Wainwright, salientou que pode chegar a 5.000 o número de jihadistas europeus que retornaram ao continente após obterem experiência de combate nos campos de batalha do Oriente Médio. Ele acrescentou que são esperados mais ataques jihadistas na Europa:

"A Europa está diante da maior ameaça terrorista em mais de dez anos. Estamos presumindo que o ISIS ou outros grupos terroristas irão desfechar um ataque em algum lugar na Europa com o objetivo de causar o máximo de perdas em vidas humanas na população civil. Isso sem falar da ameaça representada pelos ataques dos lobos solitários. O número crescente de combatentes estrangeiros coloca os estados membros da União Européia diante de desafios totalmente novos".

Uma pesquisa de opinião conduzida pelo YouGov para a agência de notícias Deutsche Presse Agentur (DPA), constatou que 66% dos alemães dão como certo que o Estado Islâmico desfechará outro ataque jihadista em solo alemão em 2016. Somente 17% dos entrevistados acreditam que não haverá ataques e 17% dizem não ter opinião sobre esse assunto.

Discursando perante uma conferência da polícia internacional em Berlim em 25 de fevereiro, Hans-Georg Maassen, chefe dos espiões, alertou que a Alemanha não é uma ilha: "nós temos que partir do princípio que seremos alvo de ataques jihadistas e devemos estar preparados".

Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque. Ele também é colaborador sênior do European Politics do Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group sediado em Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter. Seu primeiro livro, Global Fire, estará nas livrarias em 2016.

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