• A corrida para adquirir armas ocorre em meio à escalada irrefutável de crimes perpetrados por imigrantes, incluindo estupros de mulheres e meninas alemãs em uma escala aterrorizante, bem como ataques físicos, esfaqueamentos, invasão a residências, saques, arrombamentos em cidades do país inteiro.

  • As autoridades alemãs, no entanto, não estão medindo esforços para preconizar que o repentino interesse dos cidadãos alemães na temática da defesa pessoal não tem absolutamente nada a ver com a migração em massa para o país, apesar da ampla evidência mostrando o contrário.

  • A disparada de crimes violentos cometidos por migrantes foi corroborada por um relatório confidencial da polícia, vazado, que revela que um número recorde de 38.000 candidatos a asilo foi acusado de cometer crimes no país em 2014. Analistas acreditam que esse número, que se traduz em mais de 100 crimes por dia, seja apenas uma fração do número verdadeiro: muitos crimes não são denunciados.

  • "Qualquer um que faz perguntas sobre os motivos da corrida para a aquisição de armas se depara com o silêncio". — Süddeutsche Zeitung

A entrada de mais de um milhão de candidatos a asilo oriundos da África, Ásia e Oriente Médio, fez com que os alemães corressem para se armar.

Por toda a Alemanha, país que conta com uma das leis de controle de armas mais rigorosas da Europa, a demanda por armas não-letais de defesa pessoal disparou, incluindo spray de pimenta, pistola de gás, pistola sinalizadora, arma de choque elétrico e repelente de animais. Os alemães também estão ingressando, em números recorde, com pedidos de porte de armas.

A corrida para adquirir armas ocorre em meio à escalada de crimes violentos, perpetrados por imigrantes, incluindo estupros, saques e assaltos a mão armada, em cidades do país inteiro.

As autoridades alemãs, no entanto, não estão medindo esforços para preconizar que o repentino interesse dos cidadãos alemães na temática da defesa pessoal não tem absolutamente nada a ver com a migração em massa para o país, apesar da ampla evidência mostrando o contrário.

Nas últimas semanas os jornais alemães vêm publicando dezenas de casos com manchetes como as seguintes: "A Alemanha está com Medo e se Agarra às Armas", "Os Alemães estão se Armando: a Demanda por Armas Explode", "Mais e Mais Pessoas estão Comprando Armas", "Segurança: mãos para Cima!" "Aumenta a Necessidade por Segurança", "Boom de Vendas nas Lojas de Armas" e "Os Bávaros estão se Armando, Medo dos Refugiados"?

Recentemente o diário alemão Die Welt produziu um vídeo sobre o aumento nas vendas de armas de defesa pessoal na Alemanha, intitulado: "O Comércio de Armas está Lucrando com a Crise dos Refugiados". (imagem: captura de tela de vídeo do diário Die Welt)

Desde o início da explosão da crise migratória na Alemanha em agosto de 2015, as vendas de spray de pimenta saltaram 600% em todo o país, de acordo com a revista alemã Focus. O fornecimento do produto está em falta em muitas regiões do país e as reposições estarão disponíveis somente em 2016. "Fabricantes e distribuidores dizem que a entrada em massa de estrangeiros nas últimas semanas, ao que parece, amedrontou muita gente", de acordo com a revista Focus.

Segundo a KH Security, fabricante alemã de artigos de defesa pessoal, a demanda saltou cinco vezes e as vendas em setembro de 2015, mês em que os alemães começaram a se dar conta das implicações da política de portas abertas da Chanceler Alemã Angela Merkel, foram as mais altas desde a inauguração da empresa há 25 anos. A empresa salienta que há um aumento na demanda não só de armas de defesa pessoal como também de sistemas de alarmes para residências.

Outro fabricante de artigos de defesa pessoal, a empresa DEF-TEC Defense Technology sediada em Frankfurt, reportou um crescimento de 600% nas vendas de outono deste ano. De acordo com o CEO Kai Prase:

"As vendas decolaram a partir setembro. Desde então, nossos revendedores não estão dando conta dos pedidos. Nós nunca passamos por algo assim nos 21 anos da nossa história corporativa. Medo: isso não é racional. O termo certo é: crise de refugiados".

A mesma história se repete por toda a Alemanha. Segundo a emissora pública de rádio e TV Mitteldeutscher Rundfunk, cidadãos na Saxônia podem normalmente serem vistos se enfileirando, aguardando, em grande número, a abertura das lojas de armas.

O proprietário de uma loja na cidade saxônia de Pirna disse que agora ele vende até 200 aerossóis de spray de pimenta por dia, comparado com cinco aerossóis de uma semana antes do início da crise migratória. Ele disse que está observando que há muitos compradores novos, não aquela clientela de sempre, incluindo mulheres de todas as idades e homens adquirindo armas para as esposas.

Günter Fritz proprietário de uma loja de armas em Ebersbach, outra cidade da Saxônia, contou a seguinte história à RTL News: "desde setembro, isso em toda a Alemanha, e também na minha loja, as vendas de artigos de defesa pessoal explodiram". Ele acrescentou que seus clientes vêm de todas as camadas sociais, do professor à senhora aposentada. Todos estão temerosos".

Andreas Reinhardt, proprietário de uma loja de armas no norte da cidade alemã de Eutin disse que agora ele vende de quatro a cinco armas de defesa pessoal por dia, comparado com cerca de duas ao mês antes da recente entrada de candidatos a asilo. "A esta altura a revolta social está visivelmente instigando a atual corrida para a defesa pessoal", segundo ele. "Eu jamais poderia imaginar que o medo poderia se alastrar com tanta rapidez," segundo Reinhardt.

Eric Thiel, proprietário de uma loja de armas em Flensburg, uma cidade na costa do Mar Báltico, disse que não há mais spray de pimenta à venda: "está tudo esgotado. Novas remessas só estarão à venda até no mês de março. Tudo que está relacionado com defesa pessoal está experimentando um boom gigantesco nas vendas".

Wolfgang Mayer, proprietário de uma loja de armas em Nördlingen, uma cidade no Estado da Baviera, disse que ele tem a explicação para a avalanche nos pedidos de porte de armas: "Eu acredito que com a entrada de refugiados, o crescimento no número de arrombamentos e de trapaças, as pessoas estão demandando maior proteção".

Mayer acrescentou que há uma sensação, cada vez maior, dentro da sociedade alemã de que o estado não tem condições de proteger de forma adequada seus cidadãos, consequentemente eles mesmos têm que cuidar mais da sua proteção. "Segundo Mayer desde o verão as vendas de spray de pimenta aumentaram 50%", acrescentando que as compras são efetuadas na maioria das vezes por mulheres, de todas as idades, da estudante na cidade à avó viúva.

É legal na Alemanha o uso de spray de pimenta e outros tipos de armas não-letais de defesa pessoal, porém é necessário ter uma licença para portar e usar determinadas categorias de armas. Autoridades em todos os 16 estados da federação alemã estão reportando uma escalada nos pedidos dessas licenças, conhecidas como licença para armas de pequeno porte (kleinen Waffenschein).

No estado de Schleswig-Holstein localizado ao norte da Alemanha, cerca de 10.000 pessoas já têm licença para armas de pequeno porte, um "recorde sem precedentes", de acordo com o ministério interior regional. Varejistas do estado também estão reportando uma "onda sem precedentes" nas vendas de armas de defesa pessoal e que a reposição dos aerossóis de spray de pimenta está vendida até a primavera de 2016.

Na Saxônia, os varejistas estão reportando um boom sem precedentes nas vendas de spray de pimenta, gás lacrimogêneo, pistolas de gás e até de bestas. Algumas dessas lojas estão vendendo mais armas de defesa pessoal em um dia do que em um mês inteiro antes do início da crise migratória.

Autoridades da Saxônia também estão reportando um salto no número de pessoas requisitando licenças para todos os tipos de armas de fogo (großen Waffenschein). A corrida para a aquisição de armas pode ser atribuída a um "declínio subjetivo na sensação de segurança da população", segundo o Ministro do Interior da Saxônia Markus Ulbig.

Em Berlim, o número de pessoas que já possuem uma licença para armas de pequeno porte aumentou 30% nos primeiros dez meses de 2015 comparado com o mesmo período de 2014, já o número de pessoas com licença para todos os tipos de armas de fogo saltou cerca de 50% de acordo com a polícia local.

Na Baviera, mais de 45.000 pessoas possuem uma licença para armas de pequeno porte, 3.000 a mais do que em 2014. Isso representa um "aumento significativo," de acordo com o ministério interior regional. Assim como em outras regiões da Alemanha, os varejistas bávaros também estão reportando um boom nas vendas de armas de defesa pessoal, incluindo pistolas de gás, pistolas sinalizadoras e sprays de pimenta.

Em Stuttgart, capital de Baden-Württemberg, as lojas de armas locais estão reportando a quadruplicação nas vendas de armas de defesa pessoal desde agosto. A proprietária de uma loja disse que agora ela vende mais armas em uma semana do que normalmente venderia em um mês. Ela acrescentou nunca ter visto uma demanda tão alta.

Em Heilbronn, outra cidade do estado de Baden-Württemberg, autoridades locais reportaram que as vendas de spray de pimenta dobraram em 2015. De acordo com um lojista, a aceleração na demanda de spray de pimenta começou em agosto, quando muitas mães começaram a adquirir o produto para suas filhas em idade escolar. "Nossos clientes estão extremamente receosos", disse o lojista. "Estamos vendo a mesma coisa por todos os lados".

Em Gera, uma cidade em Thuringia, a mídia local reportou que em uma loja todo o estoque de 120 aerossóis de spray de pimenta foi vendido em três horas. A loja, que subsequentemente vendeu outro lote inteiro de 144 aerossóis de spray de pimenta, está na lista de espera para obter mais unidades, por causa da falta do produto no fornecedor.

Uma mulher em Gera que trouxe spray de pimenta para a sua filha de 16 anos de idade disse o seguinte:

"Acredito que é totalmente certo que eu proteja a minha filha. Ela está na idade de sair sozinha à noite. Se ela diz ser necessário para a sua proteção, eu acredito que não é nada injustificado. Obviamente que é devido à situação que estamos passando agora na Alemanha. Nós simplesmente não sabemos quem anda por aí. Há muitas pessoas não registradas".

A mesma propensão em relação à defesa pessoal está acontecendo nos estados alemães de Brandemburgo, Mecklenburg-Vorpommern, Saxony-Anhalt e Reno, Norte da Westphalia, onde a escalada vertiginosa de crimes violentos cometidos por migrantes estão transformando alguns bairros em zonas proibidas.

Defensores da migração em massa acusam os cidadãos alemães de estarem reagindo de forma exagerada. Alguns desses defensores apontam para estudos recentes, encomendados por grupos pró-migração, que alegam sem nenhuma lógica, que o número de crimes cometidos por migrantes está diminuindo e não aumentando.

Outros negam que a corrida para a auto proteção tenha algo a ver com os migrantes. Eles culpam uma série de fatores, incluindo a escuridão antecipada devido ao fim do horário de verão, ataques dos jihadistas em Paris (que ocorreram em novembro, ou seja, três meses depois que as vendas de armas de defesa pessoal começaram a disparar) e também a necessidade de proteção contra lobos selvagens em determinadas regiões ao norte da Alemanha.

O jornal Süddeutsche Zeitung descreveu a manobra da seguinte maneira:

"Qualquer um que faça perguntas sobre os motivos da corrida para a aquisição de armas se depara com o silêncio. Oficialmente as agências reguladoras sustentam que qualquer um que entre com um pedido de licença para armas de pequeno porte não precisa apresentar nenhuma justificativa e, portanto os órgãos governamentais não têm como explicar o que está acontecendo. É verdade que vez ou outra fica evidente que eles estão com medo por causa dos refugiados, segundo afirma um funcionário sob condição de que nem seu nome nem seu departamento sejam mencionados pelo jornal. Algumas pessoas já me disseram: eu quero proteger a minha família. Nós reportamos isso ao ministério...

"Os varejistas também não dizem nada oficialmente sobre os motivos do aumento nas vendas. Telefone para uma pequena loja de armas. Inúmeros refugiados chegaram no final de agosto e a partir de setembro as vendas começaram a aumentar, será possível que uma coisa nada tenha a ver com a outra? Se você não divulgar meu nome: Claro que não, pode falar. Diz o homem no outro lado da linha. As pessoas que entram na loja estão com medo. Elas acreditam que entre os refugiados há ovelhas negras. Alguns clientes admitem isso abertamente".

Evidência empírica mostra uma escalada irrefutável de crimes perpetrados por imigrantes no país inteiro, incluindo estupros de mulheres e meninas alemãs em uma escala aterrorizante, bem como ataques sexuais e físicos, esfaqueamentos, invasão a residências, saques, arrombamentos e tráfico de drogas.

A disparada de crimes violentos cometidos por migrantes foi corroborada por um relatório confidencial da polícia, vazado para uma revista alemã. O documento revela que um número recorde de 38.000 candidatos a asilo foi acusado de cometer crimes no país em 2014. Analistas acreditam que esse número, que se traduz em mais de 100 crimes por dia, seja apenas uma fração do número verdadeiro: muitos crimes não são denunciados.

Não é de se admirar que uma nova pesquisa de opinião mostre que 55% dos alemães estão pessimistas em relação ao futuro, um salto dos 31% no ano de 2014 e 28% acima de 2013. A pesquisa de opinião mostra que 42% dos entrevistados entre as idades de 14 e 34 anos acreditam que seu futuro será desolador, esse número representa mais do que o dobro (19%) daqueles que se sentiam assim em 2013. Ao mesmo tempo, 64% dos entrevistados com idade de 55 anos ou mais estão receosos em relação ao futuro.

A pesquisa também mostra que quatro quintos (79%) da população alemã acredita que a economia irá se deteriorar em 2016 devido ao fardo financeiro criado pela crise migratória, e 70% acreditam que os estados membros da União Européia irão se afastar ainda mais no ano que vem. A constatação mais previsível de todas: 87% dos alemães acreditam que seus políticos irão experimentar uma diminuição no apoio público em 2016.

Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque. Ele também é colaborador sênior do European Politics do Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group sediado em Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter. Seu primeiro livro, Global Fire, estará nas livrarias no início de 2016.

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