• De acordo com um documento confidencial da inteligência francesa vazada para o Le Figaro, uma forma de "guetoização" muçulmana está ganhando terreno dentro do sistema escolar francês. O relatório diz que estudantes muçulmanos estão efetivamente estabelecendo uma sociedade islâmica paralela, totalmente isolada dos estudantes não-muçulmanos.

  • Mais de 1000 supermercados franceses, incluindo as grandes redes como o Carrefour, estão vendendo livros que pregam abertamente a jihad e o assassinato de não-muçulmanos.

  • Um relatório estima que 60% da população carcerária na França, ou seja, 40.000 detentos, são "cultural ou originalmente" muçulmanos.

  • A Penitenciária de Fresnes, perto de Paris, desenvolveu uma experiência que consiste em isolar detentos muçulmanos radicais em uma unidade separada para evitar a radicalização dos demais detentos. Presos muçulmanos entraram em confronto com guardas prisionais para protestar contra a nova medida.

  • Uma pesquisa da Ipsos constatou que 66% dos franceses acreditam que há estrangeiros demais na França e 59% acreditam que os "imigrantes não fazem o suficiente para se integrarem. Segundo a pesquisa, 63% dos franceses acreditam que o islamismo "não é compatível com os valores franceses".

A população muçulmana da França atingiu um número estimado de 6.5 milhões de pessoas em 2014. Embora a lei francesa proíba a coleta de estatísticas oficiais sobre raça ou religião de seus cidadãos, a estimativa baseia-se em diversos estudos que tentam calcular o número de pessoas na França cujas origens sejam provenientes de países de maioria muçulmana.

Isso implica que a população muçulmana da França gira em torno de 10% da população total do país de 66 milhões de habitantes. Em termos reais, a França conta com a maior população muçulmana da União Européia.

Consequentemente, o islamismo foi um tópico constante nas manchetes dos jornais em 2014. A seguir decorre uma análise cronológica dos artigos mais importantes a respeito do crescimento do islamismo na França em 2014:

Em 1 de janeiro, o Ministro do Interior Manuel Valls anunciou a estatística mais aguardada do ano: um total de 1.067 automóveis e caminhões foram incendiados na França na véspera do ano novo, uma "redução significativa" em relação aos 1.193 veículos queimados durante o ritual anual no mesmo feriado em 2013.

Incêndio de automóveis, comuns em toda a França, são frequentemente atribuídos a gangues rivais muçulmanas, que competem entre si para constatar qual delas atrairá os holofotes da mídia por ter causado a maior destruição. Segundo estimativas, 40.000 automóveis são queimados todos os anos na França.

Em 6 de janeiro, dois meninos com idade de 15 anos, da cidade de Toulouse, no sul da França, cidade de Mohammed Merah, o islamista que assassinou sete pessoas nos arredores e no interior da cidade, fugiram de casa em março de 2012, para se tornarem os jihadistas europeus mais jovens a se juntarem aos combatentes na Síria desde o início da guerra em 2011.

Na entrevista coletiva de 14 de janeiro, o presidente francês François Hollande revelou que mais de 700 cidadãos e residentes franceses, mais do que o dobro da estimativa anterior, viajaram para a Síria. Em 19 de janeiro o ministro do interior francês Manuel Valls afirmou que mais de doze cidadãos franceses com menos de 18 anos são jihadistas na Síria.

Enquanto isso, em 8 de janeiro um tribunal em Versailles condenou Cassandra Belin, de 20 anos, convertida ao islamismo, por usar, em público, um véu islâmico que cobria todo o rosto e, além disso jogou fora seu pedido para que se declarasse inconstitucional a proibição do uso da burca no país. Ela também foi condenada por ameaçar três policiais no momento da detenção,o que desencadeou três dias de violentas manifestações, em julho de 2013, no subúrbio parisiense de Trappes. Ela foi condenada, pela confrontação com a polícia, a um mês de prisão com a sentença suspensa, e a uma multa da €150 (US$200) pelo uso do véu.

E por último, uma pesquisa da Ipsos publicada em 21 de janeiro constatou que 66% dos franceses acreditam que há estrangeiros demais na França e 59% acreditam que os "imigrantes não fazem o suficiente para se integrarem. Segundo a pesquisa, 63% dos franceses acreditam que o islamismo "não é compatível com os valores franceses".

Em fevereiro, islamistas franceses processaram a revista satírica Charlie Hebdo por blasfêmia pela capa da revista que os muçulmanos diziam que era ofensiva. A Liga da Defesa Judicial dos Muçulmanos (LDJM) levou o caso perante o tribunal penal em Alsace-Moselle, região duas vezes anexada pela Alemanha, que ainda preserva partes do código alemão, que inclui o crime de "blasfêmia". Blasfêmia não é crime no restante da França.

Mas a lei da blasfêmia de Alsace cobre apenas o catolicismo, protestantismo e o judaísmo. Não há reparação no caso do islamismo. A editora do Charlie Hebdo, Stéphane Charbonnier (Charb) disse o seguinte: "Sabemos de antemão que o processo não vai dar em nada porque o islamismo não consta no código".

O escritório da revista em Paris foi atacado com bombas incendiárias em novembro de 2011, após a publicação de uma edição especial chamada "Charia Hebdo" (Sharia Hebdo) listando o Profeta Maomé como redator-chefe.

Em 17 de fevereiro a polícia contraterrorista francesa frustrou o que ela diz que seria um ataque iminente de um jihadista que acabara de voltar da Síria. A polícia disse que o homem, identificado como Ibrahim B de 23 anos, estava se preparando para atacar a Côte d'Azur, região no sul da França. A polícia encontrou aproximadamente 900 quilos de explosivos no apartamento, alugado por temporada, pelo suspeito em Cannes.

Em 25 de fevereiro, uma menina de 14 anos da cidade de Grenoble no sudeste da França foi interceptada no aeroporto de Lyon. Ela estava com uma passagem somente de ida para Istambul e já estava prestes a subir a bordo da aeronave. A polícia foi alertada, depois que a menina enviou a seu pai uma mensagem de texto dizendo que estava fugindo de casa porque ela foi selecionada para se "juntar à jihad" na Síria.

Em março, um Website de militantes islamistas publicou uma série de pôsteres conclamando a realização de ataques na França e o assassinato do Presidente François Hollande, em represália à política do país em Mali e na República Centro-Africana.

A rede de Mídia al-Minbar Jihadi, conhecido Website islamista, criou seis pôsteres como parte de uma campanha chamada "Não permaneceremos calados, Ó França". Um dos pôsteres tinha os seguintes dizeres:

"Aos nossos lobos solitários na França, assassinem o presidente da falta de fé e da criminalidade, aterrorize seu amaldiçoado governo, ataque-o com bombas e amedronte-o como sinal de apoio à vulnerável República Centro Africana".

Em 4 de março, um francês de 27 anos, convertido ao islamismo, chamado Romain Letellier (cognome Abou Siyad al-Normandy) foi condenado por usar a Internet para disseminar propaganda terrorista e por promover a participação em atos terroristas. Um tribunal em Paris o sentenciou a um ano de prisão e outros dois em observação. Foi o primeiro caso em que se fez uso de uma lei aprovada em dezembro de 2012 que torna a "cyber jihad" um crime.

Também em março, um grupo salafista conhecido como Anâ-Muslim ("eu sou muçulmano") convocou um boicote às eleições locais da França, realizadas em 23 e 30 de março. O grupo, uma organização, sem fins lucrativos, reconhecida pelo estado francês, declarou que os muçulmanos não deveriam votar porque "votar é um ato de submissão, enquanto a abstenção é um ato de resistência".

Em 31 de março, a polícia deteve quatro muçulmanos adolescentes (três irmãos turcos entre as idades de 13 e 15 anos e outro de 17 anos do Marrocos) pelo estupro coletivo de uma menina de 18 anos quando ela saia da estação principal em Évry, uma comunidade nos subúrbios na região sul de Paris. Durante o interrogatório, os menores disseram que atacaram a mulher porque ela era francesa e que "os franceses são todos filhos de prostitutas". Os adolescentes foram encarcerados por estupro e, bastante incomum na França, por racismo invertido.

Em abril um documento confidencial da inteligência francesa, vazado para o jornal francês Le Figaro, revelou que uma forma de "guetoização" muçulmana está ganhando terreno dentro do sistema escolar francês. O relatório diz que estudantes muçulmanos estão efetivamente estabelecendo uma sociedade islâmica paralela, totalmente isolada dos estudantes não-muçulmanos.

O documento de 15 páginas, datado de 28 de novembro de 2013, conta com 70 itens, véus em playgrounds de escolas, refeições halal nas cafeterias, absenteísmo crônico durante feriados religiosos muçulmanos, rezas clandestinas em ginásios e corredores e assim por diante, sobre a tendência da islamização nas escolas em toda a França.

O documento afirma que os muçulmanos estão envolvidos em uma "guerra de atrito" destinada a "desestabilizar o corpo docente". Ele acrescenta que os muçulmanos fundamentalistas estão burlando a lei que proíbe símbolos religiosos nas escolas e que os autoproclamados "jovens guardiães da ortodoxia" em muitas escolas estão fazendo pressão sobre meninas muçulmanas.

Em 23 de abril, o Ministro do Interior Bernard Cazeneuve revelou uma estratégia anti-radicalização com 20 pontos, destinada a impedir que residentes ou cidadãos franceses participem da jihad na Síria ou em outras zonas de conflito no mundo muçulmano. O plano também tem como meta combater a radicalização de jovens muçulmanos franceses nos primeiros estágios da doutrinação.

Um especialista em contraterrorismo entrevistado pelo jornal Le Parisien, afirmou acreditar que o plano se destina, acima de tudo, a tranquilizar o público, "em termos da eficácia no combate ao terrorismo o impacto é zero".

Outros dizem que o plano é uma tática política do Presidente Hollande, destinada a enfraquecer a crescente popularidade do partido anti-imigração Frente Nacional, que conquistou um número recorde de cadeiras nas câmaras municipais e prefeituras nas eleições locais do último mês de março.

A líder do partido Frente Nacional Marine Le Pen declarou à RTL Radio que o plano do governo é cosmético. Ela disse:

"Ele não atinge a raiz do problema, os discursos em determinadas mesquitas são genuínas convocações para a jihad. O plano também não atinge recrutadores e a ajuda financeira de outros países conhecidos por apoiarem o fundamentalismo terrorista, como o Qatar."

Em 26 de abril, a revista alemã Focus relatou que o governo francês pagou em 20 de abril, US$18 milhões ao Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS), em troca da libertação de quatro jornalistas franceses mantidos em cativeiro na Síria por mais de 10 meses.

Citando fontes da OTAN em Bruxelas, a Focus relatou que o dinheiro para o pagamento do resgate foi entregue pessoalmente pelo Ministro da Defesa da França Jean-Yves Le Drian. Autoridades francesas negaram que tenha havido qualquer pagamento de resgate, mas o jornal francês Le Parisien publicou que: "De acordo com nossas informações, o DGSE (serviço externo de inteligência francês) negociou diretamente com o grupo rebelde. Não há a menor sombra de dúvida que foi feito um pagamento".

O 31º congresso da União das Organizações Islâmicas na França (UOIF), ocorrido em Paris de 18 a 21 de abril, foi transformado, pelos muçulmanos, em uma "festa ao ódio" antijudaico, onde o orador programático Hani Ramadan, proeminente líder muçulmano de Genebra, irmão de Tariq Ramadan, professor suíço proibido de entrar nos Estados Unidos, proferiu a ladainha culpando os judeus e o sionismo por tudo que tem de ruim ao redor do mundo.

"Todo o mal no mundo se origina dos judeus que só tem uma coisa na cabeça, tornar realidade o sonho da Grande Israel," de acordo com o diário francês Le Figaro que citou Ramadan como tendo proferido essas palavras no congresso, um dos maiores e mais importantes eventos islâmicos da França. "Contra essa trama internacional do poder sionista há somente um baluarte: o Islã", segundo ele.

Em maio, o importante teatro Fontainebleau Palace mudou de nome em homenagem ao governante de Abu Dhabi, que custeou um projeto multimilionário, em euros, para restaurar o local. O teatro Sheikh Khalifa bin Zayed Al-Nahyan com 400 cadeiras foi inaugurado, pela primeira vez em 1857, por Napoleão III. Cronistas disseram que a mudança de nome era um mau sinal para a futura direção da França.

Em 28 de maio, a Europol, agência encarregada de assegurar o cumprimento da lei da União Européia, relatou que a França foi a capital do terrorismo da Europa em 2013:

"Um total de 152 ataques terroristas ocorreram em cinco Estados Membros da UE. A maioria ocorreu na França (63), Espanha (33) e Reino Unido (35). Em 2013, 535 pessoas foram presas por delitos relacionados ao terrorismo, número semelhante ao de 2012 (537). A maioria das prisões ocorreu na França (225), Espanha (90) e Reino Unido (77). Um crescimento contínuo no número de prisões por terrorismo, fomentado pela religião, tem sido observado desde 2011".

Em 30 de maio, a polícia deteve um jihadista francês suspeito pelo tiroteio no Museu Judaico em Bruxelas onde três pessoas foram assassinadas em 24 de maio. Mehdi Nemmouche, cidadão francês de 29 anos da cidade de Roubaix no norte do país, foi preso na estação de trem e de ônibus Saint-Charles em Marseille em uma blitz à procura de drogas. Ele era passageiro de um ônibus noturno que estava viajando de Amsterdã para Marseille, via Bruxelas.

Em junho, o Primeiro Ministro Manuel Valls aumentou a estimativa do governo quanto ao número de cidadãos franceses combatendo na Síria para 800, incluindo cerca de 30 que morreram no conflito. Valls disse:

"Nunca enfrentamos um desafio dessa natureza. É sem a menor sombra de dúvida a mais grave ameaça que já enfrentamos. Temos que garantir a vigilância de centenas e centenas de franceses e europeus que estão no momento lutando na Síria".

Em 8 de junho um não-muçulmano de 28 anos na cidade nordestina de Reims, foi atacado em um trem por dois muçulmanos que disseram que estavam transtornados porque ele estava comendo presunto na presença deles.

Em 1º de julho, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos manteve a proibição francesa de banir o uso de véus islâmicos que cobrem totalmente o rosto. Com uma votação de 15 a 2, os juízes decidiram que a proibição não viola a Convenção Européia de Direitos Humanos. A sentença indeferiu a ação de uma francesa contra o estado por quebra da liberdade religiosa.

Em 9 de julho constatou-se que um açougueiro argelino de 29 anos que morava na cidade de Vaucluse no sudeste da França, "membro importante" da al-Qaeda no Maghreb Islâmico (AQIM), estava conspirando para explodir a Torre Eiffel e o Museu do Louvre. O homem, conhecido apenas como Ali M, estava a caminho do treinamento com jihadistas da AQIM no sul da Argélia quando foi detido.

Em 22 de julho, o Tribunal Administrativo de Lyon revogou uma resolução anterior do Tribunal Administrativo de Grenoble que determinava que o diretor da penitenciária de Saint-Quentin-Fallavier, na cidade de Isère, servisse refeições halal aos presidiários muçulmanos. O tribunal em Lyon determinou que pelo fato de já haver uma alternativa vegetariana, incluir alimentos halal se tornava desnecessário.

Além disso, também em julho constatou-se que mais de 1.000 supermercados franceses, incluindo as grandes redes como o Carrefour, estavam vendendo livros que pregam abertamente a jihad e o assassinato de não-muçulmanos. Livros como "La Voie du Musulman" (O Caminho do Muçulmano) foram distribuídos como parte da "Operação Ramadan", uma iniciativa para promover a venda de publicações islâmicas na França. De acordo com o jornal Le Figaro, os distribuidores ignoraram as petições para que os livros fossem retirados, e as autoridades francesas não tinham bases legais para proibi-los.

Em agosto, uma pesquisa de opinião constatou que uma percentagem espantosa, de 15%, dos franceses apóiam o Estado Islâmico (EI). Entre as idades de 18 e 24 anos, 27% disseram que viam o EI de forma positiva, enquanto 22% entre as idades de 25 e 34 e 20% entre 35 e 44 apoiavam o grupo jihadista. A maior percentagem de oponentes do EI é composta de pessoas entre 45 e 54 anos.

Em 22 de agosto, a polícia prendeu duas adolescentes muçulmanas por conspirarem para explodir a Grande Sinagoga de Lyon. As duas, com idades de 15 e 17, foram presas e interrogadas em Vénissieux, subúrbio de Lyon no sudeste da França e em Tarbes, cidade no sudoeste da França. As duas nunca se encontraram pessoalmente, mas se comunicavam pelas redes sociais. Elas foram acusadas de conspirarem para cometerem atos terroristas.

Em 1º de setembro, um tribunal de apelação na cidade nordestina de Châlons-en-Champagne, manteve a proibição de um engenheiro muçulmano de acessar sites nucleares, citando suas ligações com "redes jihadistas". O engenheiro, de 29 anos, estava trabalhando em uma empresa subcontratada pela gigante da energia EDF e lhe foi concedido acesso a instalações nucleares como parte de seu trabalho no ano de 2012. Em março de 2013, foi proibido de entrar na usina nuclear de Nogent-sur-Seine. O tribunal afirmou que a direção estava autorizada a impedir aqueles que "estavam passando por um processo de radicalização tanto religiosa quanto política" de acessarem sites sensíveis. Seu advogado chamou o caso de "islamofobia".

Também em setembro, o presidente da Universidade Sorbonne em Paris desculpou-se pessoalmente a uma estudante, por ter sido "humilhada", depois que lhe pediram que tirasse o véu muçulmano. O incidente ocorreu no primeiro dia de uma aula de geografia, em 16 de setembro quando a professora pediu à estudante: "Você pretende usar essa coisa em todas as minhas aulas"? A professora continuou: "Estou aqui para ajudá-la a se integrar na vida profissional e esse véu irá lhe causar problemas". Após a estudante se recusar a obedecer, a professora lhe disse para sair da sala de aula.

Uma lei de 2004 proíbe o uso ou a exibição, em público, de símbolos religiosos em todas as escolas francesas, contudo ela não se aplica às universidades. Agora a estudante muçulmana está exigindo que a professora seja punida para que isso não se repita.

Em 29 de setembro, a rede de supermercados Auchan se retratou, depois que um anúncio em jornal semanal apresentou uma metralhadora de plástico preta com uma lua crescente e uma estrela. A Auchan disse estar "muito aborrecida se alguém porventura se sentiu ofendido pela exposição de símbolos religiosos" na arma de brinquedo, que foi rapidamente retirada das prateleiras.

No final do mês de setembro, onze membros de uma mesma família, um homem, sua mãe e duas irmãs, juntamente com seus respectivos cônjuges e filhos, incluindo um bebê de seis meses, da cidade de Nice no sul da França, desapareceram durante a noite, acredita-se que foram para a Síria. O pai de uma das mulheres desaparecidas disse que sua filha tinha-se convertido ao islamismo. "Eu vi como a religião foi tendo um papel cada vez mais importante na vida dela", disse ele. "Talvez eu devesse ter reagido".

Em outubro constatou-se que mais da metade dos presidiários nas prisões francesas são muçulmanos. O "número chocante" apareceu em um relatório apresentado por Guillaume Larrivé, deputado da União por um Movimento Popular (UMP), como parte de um "plano de ação" para enfrentar a radicalização islâmica nas prisões francesas. O relatório estimou que 60% da população carcerária na França, ou seja, 40.000 detentos, são "cultural ou originalmente" muçulmanos.

Em 4 de outubro, os diretores da Ópera de Paris emitiram um memorando para o staff determinando que negassem a entrada de pessoas com a cabeça coberta. A medida foi introduzida depois que uma muçulmana, aparentemente uma turista muito rica do Golfo Pérsico, ter sido solicitada a deixar a exibição da La Traviata na Opéra Bastille em 3 de outubro, após ter sido vista na primeira fileira usando um véu nicabe. Uma lei de 2010 proíbe o uso de vestimentas que cubram o rosto em espaços públicos.

Em 13 de outubro residentes da cidade de Strasbourg no leste da França, alertaram a polícia ao avistarem um grupo de jihadistas novatos, passando por um treinamento paramilitar em um parque gritando "Allahu Akbar" ("Alá é o maior "), brandindo metralhadoras de brinquedo. Quando a polícia chegou, um grupo de sete muçulmanos ameaçou os policiais, chamando-os de "infiéis", prometendo "vingar seus irmãos muçulmanos mortos".

Também em outubro, uma empresa francesa chamada Capital Biotech anunciou o desenvolvimento do assim chamado "Teste Halal" que possibilita aos consumidores muçulmanos detectarem, em questão de minutos, a presença de álcool, porco ou outros "ingredientes proibidos" nos alimentos. A empresa está entrando mercado halal francês, avaliado em € 5.5 bilhões (US$6.8 bilhões) anualmente.

Em novembro, jihadistas franceses que estão combatendo juntamente com o Estado Islâmico lançaram um novo vídeo de propaganda, no qual exortam muçulmanos que vivem em sua terra natal a cometerem ataques terroristas na França. O vídeo diz o seguinte: "Alá diz no Alcorão, Marche em frente, se estiver sadio ou doente. Qual é a sua desculpa? Então aja na França. Aterrorize-os e não os deixe dormir de tanto medo e terror. Mate-os, cuspa em seus rostos e os atropele com seus carros".

Também em novembro, a mãe de um menino de 16 anos que viajou para a Síria através da Turquia em 2013, entrou com uma ação contra o governo francês por não tê-lo impedido de sair da França. É o primeiro caso desse tipo na França. A mãe, identificada como Nadine D, disse que apesar dele ter apenas 16 anos, foi permitido que ele deixasse o país sem passaporte, apenas com a carteira de identidade. Em uma entrevista para o jornal diário Le Parisien, Nadine disse:

"Tendo em vista os atuais eventos, a polícia de fronteira deveria pelo menos ter questionado o menor viajando sozinho a um destino como esse. O bom senso deveria tê-los levado a perguntar porque ele estava indo para lá, se ele tinha laços familiares naquele lugar e porque não estava acompanhado".

Em 13 de novembro, o primeiro jihadista francês a ser julgado após retornar da Síria foi sentenciado a sete anos de prisão. Flavien Moreau, de 28 anos nasceu na Coréia do Sul e foi adotado por uma família francesa, mas como adolescente enveredou pelo caminho do crime, convertendo-se ao islamismo na prisão, viajou para a Síria em dezembro de 2012. Deu um jeito de permanecer na Síria por menos duas semanas porque não foi capaz de aguentar o rigor da proibição de fumar, imposta pelos militantes islamistas. Foi detido na França em fevereiro de 2013, após a polícia contraterrorista interceptar comunicações nas quais ele dizia estar atrás de uma carteira de identidade falsa para voltar para a Síria.

Em 14 de novembro, a Fundação para a Inovação Política lançou uma pesquisa de opinião, de grande alcance, que constatou que muçulmanos franceses estão muito mais propensos a abraçarem ideias antissemitas do que não-muçulmanos. O relatório dizia:

"Os entrevistados muçulmanos são duas a três vezes mais propensos a serem preconceituosos contra os judeus. Quanto mais religioso o muçulmano for, mais antissemita ele se torna. Assim sendo, enquanto 19% de todos os não-muçulmanos entrevistados estiverem de acordo com a noção de que os judeus têm demasiado poder no campo da política, a proporção sobe para 51% no caso dos entrevistados muçulmanos. São 37% entre aqueles que dizem ter somente origem muçulmana contra 63% daqueles que dizem ser muçulmanos crentes e praticantes".

Em 23 de novembro a polícia francesa fechou uma sociedade beneficente islâmica pró-palestina com sede em Paris chamada Pérola de Esperança, (Perle d'espoir) por arrecadar cerca de €100.000 (US$125.000) para a jihad na Síria e no Iraque. A polícia declarou que o grupo usava o trabalho legítimo da sociedade beneficente, como fachada, para canalizar fundos secretos a grupos jihadistas. A presidente da sociedade beneficente, Yasmine Znaidi, 34, e seu parceiro Nabil Ouerfelli, 22, são os primeiros cidadãos franceses a serem acusados por financiarem o terrorismo desde que começou a guerra na Síria em 2011. Znaidi respondeu dizendo: "Meu crime é ser muçulmano". As autoridades francesas dizem que estão monitorando mais de dez sociedades beneficentes e associações, além dessa.

Enquanto isso, a Penitenciária de Fresnes, situada nos arredores de Paris, desenvolveu uma experiência que consiste em isolar detentos muçulmanos radicais em uma unidade separada em um esforço para evitar a radicalização dos demais presos. A experiência teve início em 15 de outubro, mas só se tornou pública em 13 de novembro, depois que cerca de doze detentos muçulmanos entraram em choque com guardas prisionais para protestarem contra a nova medida.

Em dezembro, o tribunal administrativo em Nantes ordenou às autoridades municipais em La Roche-sur-Yon, uma cidade na região tradicionalmente católica romana de Vendée no oeste da França, a retirarem uma cena da natividade da prefeitura porque ela violava a lei do secularismo (laïcité) de 1905 que separa a igreja do estado.

Nesse ínterim, o prefeito da cidade de Béziers no sul da França, Robert Ménard, se recusou a obedecer as ordens de retirar uma cena da natividade instalada por ele em sua prefeitura. O prefeito disse que ele estava lutando para preservar as tradições judaico-cristãs da França. Observadores dizem que o governo está agindo de forma dura em relação ao cristianismo porque não quer ser acusado de discriminação contra os muçulmanos. "O clima anti-islâmico também está causando supressões em outras religiões", segundo o que sociólogo Jean Baubérot relatou à revista semanal Le Nouvel Observateur.

Em 9 de dezembro, Marcel Mortreau, prefeito de Sargé-lès-Le Mans, uma pequena cidade no noroeste da França, anunciou que as escolas distritais locais não irão fornecer às crianças muçulmanas refeições especiais em cumprimento às leis islâmicas. Ele invocou o "secularismo" para justificar a decisão no que diz respeito a 27 estudantes muçulmanos de um total de 220 estudantes que se alimentam nas cantinas da escola. Mortreau disse:

"Solicitar ao serviço de bufê que faça dois tipos de refeições, significa que teremos um ônus a mais. A cantina da escola é um serviço público baseado no princípio do secularismo. É necessário respeitar o princípio da neutralidade religiosa nas cantinas escolares".

Em 17 de dezembro, o Ministro do Interior Bernard Cazeneuve revelou que autoridades francesas frustraram seis ataques terroristas (ele não forneceu detalhes) e desmantelou 13 redes jihadistas desde agosto de 2013. Em 15 de dezembro, mais de 1.200 cidadãos ou residentes franceses foram para a Síria ou para o Iraque, número este mais que dobrou desde o início de 2014. O governo estima que 60 jihadistas franceses morreram nos campos de batalha e que 185 já retornaram para a França. De acordo com Cazeneuve, cerca de um terço dos jihadistas franceses se converteram recentemente ao islamismo.

Em 20 dezembro, o radical islâmico Bertrand Nzohabonayo entrou em uma delegacia de polícia em Joué-lès-Tours, na região central da França, gritando "Allahu Akbar" ("Alá é o maior ") esfaqueando três policiais. O assassino, de 20 anos, cidadão francês nascido em Burundi, foi morto pela polícia. Mais tarde, investigadores disseram que o terrorista "lobo solitário" era ativista do Estado Islâmico.

O radical islâmico Bertrand Nzohabonayo atacou três policiais com uma faca, ferindo gravemente dois, na idade francesa de Joué-lès-Tours em 20 de dezembro, antes de ser morto pela polícia.

Em 21 de dezembro, outro "lobo solitário" aos gritos de "Allahu Akbar" arremessou seu carro em cima de pedestres na cidade de Dijon, no leste da França ferindo 11 pessoas. A polícia disse que o homem estava "aparentemente desequilibrado" e que por ora sua motivação ainda era desconhecida".

E por último, um novo romance escrito pelo premiado autor Michel Houellebecq previu que a França estaria sob o regime muçulmano em menos de uma década. O livro intitulado Soumission (Submissão, uma clara alusão à palavra "Islã", que em árabe significa submissão à vontade de Alá), descreve como o Partido Socialista Francês ajuda Mohammed Ben Abbes do partido fictício Irmandade Muçulmana a se tornar presidente da França nas eleições de 2022. Dias após tomar posse, Ben Abbes toma providências para acelerar a islamização da França implementando a lei da Sharia.

Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque. Ele também é colaborador sênior do European Politics do Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group sediado em Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter.

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