• Há uma reação, cada vez maior, do público alemão em relação ao que muitos interpretam como indiferença do governo frente à crescente influência do islamismo na sociedade alemã. Essa reação representa um momento decisivo, potencialmente importante.

  • Apesar dos esforços dos políticos alemães e da mídia de retratarem o PEGIDA como neonazista, o grupo tem se esforçado, ao máximo, para se distanciar da extrema direita da Alemanha. O grupo afirma que é "apolítico" e que seu principal objetivo é o de preservar o que resta dos valores e da cultura judaico-cristã da Alemanha.

  • "Muitos na Alemanha têm preocupações legítimas quanto à disseminação da ideologia islâmica radical, que promove a violência contra não-muçulmanos, privam mulheres e meninas de seus direitos naturais e buscam a aplicação da lei da Sharia.... Pelo fato do estado de direito, tolerância e liberdade religiosa serem valores fundamentais do Ocidente, o movimento PEGIDA não pode deixar a menor sombra de dúvida de que são justamente esses valores que ele procura defender". — Bernd Lucke, líder do Partido Alternativa para a Alemanha e professor de macroeconomia da Universidade de Hamburgo.

Milhares de cidadãos alemães estão tomando as ruas para protestar contra o crescimento da "islamização" de seu país.

Os protestos fazem parte do crescimento de um movimento popular formado por cidadãos comuns que estão exigindo o fim da imigração descontrolada e da disseminação da lei da Sharia na Alemanha.

Os guardiões do multiculturalismo alemão não deixam por menos: eles estão procurando deslegitimar os protestos chamando-os de "neonazistas", alegando que a islamização da Alemanha é um mito inventado por cidadãos mal informados.

Contudo, há uma reação, cada vez maior, do público em relação ao que muitos interpretam como indiferença do governo frente à crescente influência do islamismo na sociedade alemã. Essa reação representa um momento decisivo, potencialmente importante, momento este que implica que os dias do desenfreado multiculturalismo alemão podem estar chegando ao fim.

O último protesto aconteceu em 8 de dezembro na cidade alemã oriental de Dresden, quando mais de 10.000 pessoas enfrentaram temperaturas abaixo de zero para expressar seu descontentamento em relação à política benevolente de asilo da Alemanha.

A Alemanha, que está diante de um fluxo sem precedentes de requerentes de asilo político, muitos de países muçulmanos, é o segundo destino mais procurado pelos migrantes depois dos Estados Unidos.

O protesto de Dresden foi organizado por um novo programa dos cidadãos chamado de "Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente", melhor conhecido pela abreviação alemã, PEGIDA, "Patriotische Europäer gegen die Islamisierung des Abendlandes".

PEGIDA, que tem organizado os assim chamados "passeios noturnos" (Abendspaziergang), todas as segundas-feiras desde outubro pelo centro de Dresden, vem assistindo o número de manifestantes aumentar exponencialmente de semana a semana.

PEGIDA em um "passeio noturno " em Dresden, 10 de novembro de 2014. (imagem: captura de tela de vídeo do Filmproduktionen)

O mesmo tipo de protesto contra a islamização ocorreu nas cidades de Hannover, Kassel e Düsseldorf na Alemanha ocidental, onde em 8 de dezembro apareceram 400 pessoas para uma demonstração organizada por um braço do PEGIDA, chamado DÜGIDA.

Esses protestos eram semelhantes, mas ocorreram separadamente de outros protestos em massa organizados na cidade de Colônia e em outras cidades alemãs por um grupo chamado Hooligans contra Salafistas, ou HoGeSa.

O PEGIDA foi fundado por Lutz Bachmann, 41, nativo de Dresden sem background em política, assim que autoridades governamentais na cidade alemã oriental da Saxônia terem anunciado que abririam mais de doze novos abrigos para cerca de 2.000 refugiados.

Bachmann afirmou que não se opõe aos legítimos requerentes de asilo político, mas que é contra os assim chamados refugiados econômicos, que estão se aproveitando das generosas leis de asilo da Alemanha para se beneficiarem do sistema de bem estar social que vale para toda a vida. Segundo Bachmann, a maioria dos requerentes de asilo na Saxônia são homens que abandonaram suas famílias em países muçulmanos devastados pelas guerras.

Apesar dos esforços dos políticos alemães e da mídia de retratarem o PEGIDA como neonazista, o grupo tem se esforçado, ao máximo, para se distanciar da extrema direita da Alemanha. O lema do PEGIDA é "Nós somos o povo!" (Wir sind das Volk!), o mesmo slogan usado pelos alemães orientais para derrubar o Muro de Berlim em 1989. O grupo afirma que é "apolítico" e que seu principal objetivo é o de preservar o que resta dos valores e da cultura judaico-cristã da Alemanha.

Antes da passeata de 8 de dezembro, o PEGIDA publicou a seguinte convocação para a ação:

"Prezados amigos, prezados concidadãos, prezados patriotas! Segunda-feira é Dia do PEGIDA e hoje nós também queremos mostrar que somos pacíficos. Traga seus amigos e vizinhos e deixe-nos mostrar que as nossas contra-demonstrações não são xenofóbicas".

Cartazes exibidos por manifestantes em Dresden incluíam slogans como "Contra o Fanatismo Religioso", "Unidos contra a Guerra Santa em Solo Alemão", "Segurança Interna, Não Islamização" e "Para o Futuro de nossas Crianças". Não havia nenhum sinal visível de propaganda neonazista no evento.

Em 10 de dezembro, o PEGIDA publicou um "Relatório de Intenções " descrevendo o que o grupo é a "favor" e o que é "contra", classificados em 19 tópicos. Então vejamos:

  • "1. O PEGIDA é a FAVOR da aceitação de requerentes de asilo de zonas de guerra ou daqueles sujeitos à perseguição política ou religiosa. É uma obrigação humana!"
  • "2. O PEGIDA é a FAVOR de emendar a Lei Fundamental da República Federal da Alemanha para incluir uma lista dos direitos e responsabilidades dos imigrantes para se integrarem".
  • "9. O PEGIDA é a FAVOR de uma política de tolerância zero em relação a requerentes de asilo e migrantes que cometem crimes na Alemanha".
  • "13. O PEGIDA é a FAVOR de manter e proteger nossa cultura ocidental judaico-cristão".
  • "16. O PEGIDA é CONTRA o estabelecimento de sociedades paralelas e ou sistemas legais paralelos em nosso meio, como a lei da Sharia, polícia da Sharia, cortes da Sharia, etc..."
  • "18. O PEGIDA é CONTRA o radicalismo religioso, independentemente se for causado por motivação religiosa ou política".
  • "19. O PEGIDA é CONTRA pregadores de ódio, independentemente da afiliação religiosa".

Em um caso clássico de matar o mensageiro em vez de atentar para a mensagem, os políticos alemães desprezaram os manifestantes do PEGIDA considerando-os ignorantes e racistas.

O ministro do interior alemão Thomas de Maizière classificou o PEGIDA de "vergonhoso", acrescentando: "não há nenhum perigo de islamização, certamente não na Saxônia ou em Dresden com 2,2% de imigrantes".

Em uma entrevista na revista alemã Der Spiegel, o Ministro da Justiça Heiko Maas declarou:

"não há limites para a batalha política das ideias. Todos os partidos políticos deveriam, de forma bem clara, se distanciar desses protestos. Não podemos ficar calados diante de uma atmosfera xenofóbica, que está sendo implantada nas costas de pessoas que perderam tudo e vieram a nós a procura de ajuda: Temos que deixar claro que os manifestantes não são maioria".

Um político da União Democrata Cristã (CDU), Wolfgang Bosbach, advertiu que os protestos representam o "fomento de ideias radicais no coração da sociedade".

Mas Bachmann afirma que os protestos irão continuar até que haja mudanças na política de asilo da Alemanha. "Não queremos lançar um partido político ou iniciar uma revolução", segundo ele. "Mas precisamos falar abertamente sobre a questão do asilo".

Enquanto isso, a União Social Cristã (CSU), coligada à Chanceler Angela Merkel da CDU, atenuou a exigência de que os migrantes que estão se estabelecendo na Alemanha, de forma permanente, devam falar alemão em casa.

A proposta "politicamente incorreta" apareceu em 1 de dezembro em um rascunho de documento. Após uma série de protestos, a proposta foi rapidamente emendada para que os migrantes que desejam viver na Alemanha, de forma permanente, sejam "motivados" e não "obrigados", a falarem alemão "no dia a dia", tanto "em público quanto em família".

Em outubro, tantos requerentes de asilo estavam convergindo para a Bavária que foi necessário acomodá-los em tendas, normalmente usadas na Oktoberfest que ocorre todos os anos.

Em setembro, o governador da Bavária e líder do partido CSU, Horst Seehofer, defendeu a volta do controle da fronteira com a Áustria a fim de cessar a onda de refugiados requerentes de asilo na Alemanha.

O Acordo de Schengen, que entrou em vigor em 1995, aboliu as fronteiras internas com a União Européia, possibilitando o movimento sem passaportes entre a maioria dos países do bloco.

Muito embora a lei internacional afirmar que os migrantes devam pedir asilo no primeiro país que conseguirem chegar, muitos se aproveitam das fronteiras abertas da Europa para pedir asilo na Alemanha depois de já terem passado pela Itália e Áustria.

Seehofer também atacou as autoridades italianas, que segundo ele não estão fazendo o suficiente para interromper o fluxo de migrantes que entram na UE através da Itália, após atravessarem o Mar Mediterrâneo vindos da África. Em uma entrevista, ele afirmou:

"a Itália viola, sem a menor sombra de dúvida, os acordos de Schengen. Se isso não parar, a Alemanha irá considerar seriamente interromper a violação por meio do controle de fronteiras. Temos que fixar cotas para refugiados na Europa. E temos que lidar com o fato de que os refugiados devem ser distribuídos, de maneira justa, entre os membros da UE".

Autoridades da Bavária estimam que pelo menos 33.000 requerentes de asilo chegaram no estado em 2014, o dobro do número registrado em 2013.

Em um esforço para interromper o fluxo de requerentes de asilo, a CSU exigiu que o governo central comece a tomar medidas mais duras em relação ao assim chamado turismo de assistência social. A CSU está preocupada que o problema da imigração desenfreada esteja estimulando partidários tradicionais do partido a desertarem para o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), um partido político prepotente, formado em 2013.

O AfD que deseja a retirada da Alemanha da moeda única, o euro, além de uma linha dura em relação à imigração, conquistou em setembro de 2013, 4,7% dos votos na eleição federal, quase alcançando os 5% necessários para que fosse representado no parlamento nacional da Alemanha.

Desde então, o apoio ao AfD decolou. O partido amealhou mais vitórias em eleições regionais, além de conquistar nove cadeiras nas eleições para o Parlamento Europeu em maio de 2014. Uma pesquisa de opinião publicada em setembro de 2014 constatou que um em cada dez eleitores alemães agora apóiam o AfD.

O establishment político da Alemanha trabalhou duro para desacreditar o AfD. Mas se o partido continuar a atrair votos dos principais partidos, o AfD estará pronto para influenciar o debate sobre o futuro do multiculturalismo alemão.

O AfD já manifestou seu apoio aos protestos do PEGIDA em Dresden. O porta-voz do AfD Konrad Adam afirmou que o partido nutre uma "simpatia considerável pelo movimento do PEGIDA".

O líder do AfD, Bernd Lucke, professor de macroeconomia da Universidade de Hamburgo, resumiu a situação da seguinte maneira:

"muitos na Alemanha têm preocupações legítimas quanto à disseminação da ideologia islâmica radical, que promove a violência contra não-muçulmanos, privam mulheres e meninas de seus direitos naturais e buscam a aplicação da lei da Sharia. Que cidadãos estejam expressando essas preocupações com demonstrações não-violentas é válido e correto. É um sinal que essas pessoas sentem que suas preocupações não estão sendo levadas a sério pelos políticos. É um incentivo para que todos os políticos ajam de forma mais decisiva, em uma época em que o islamismo político desafia e questiona o estado de direito.

"O fato dos manifestantes do PEGIDA terem anunciado seus objetivos de maneira exclusivamente pacífica é muito bem vindo. Pelo fato do estado de direito, tolerância e liberdade religiosa serem valores fundamentais do Ocidente, o movimento PEGIDA não pode deixar a menor sombra de dúvida de que são justamente esses valores que ele procura defender".

Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque. Ele também é colaborador sênior do European Politics do Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group sediado em Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter.

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