• Hooligans de clubes de futebol rivais , deixaram temporariamente de lado o ódio mútuo para se unirem contra um inimigo comum: salafistas radicais que estão trazendo a lei da Sharia islâmica para a Alemanha.

  • Depois que a polícia previu que mais de 10.000 hooligans apareceriam a um comício antisalafista em Berlim, as autoridades cancelaram o evento. Comícios semelhantes planejados para Frankfurt, Hamburgo e Hannover também foram proibidos.

  • Vogel, ex-lutador de boxe profissional, que frequentemente se descreve como a personificação do invencível Islã, está agora se retratando como vítima indefesa e amedrontada dos hooligans.

Um grupo de aproximadamente 5.000 hooligans, de toda a Alemanha, se reuniu na cidade ocidental de Colônia em 26 de outubro para protestar contra a disseminação do islamismo radical no país.

A marcha, que seria um divisor de águas, foi organizada por um novo empreendimento chamado "Hooligans contra os Salafistas", mais conhecido pela abreviação alemã, HoGeSa, ou Hooligans gegen Salafisten.

HoGeSa é uma aliança explosiva entre hooligans de clubes de futebol rivais, que deixaram temporariamente de lado o ódio mútuo para se unirem contra um inimigo comum: salafistas radicais que querem substituir a ordem democrática alemã pela lei da Sharia islâmica.

A aliança traça suas raízes a um fórum secreto na Internet chamado GnuHoonters (homófono de "New Hunters") criado em 2012, do qual participam 17 grupos diferentes de hooligans espalhados pela Alemanha.Os GnuHoonters foram criados, acima de tudo, para combaterem anarquistas, marxistas/leninistas e demais extremistas de esquerda no país.

Em 2013, cerca de 300 membros dos GnuHoonters criaram outro fórum secreto na Internet chamado "Porque os Alemães Ainda Ousam" (Weil Deutsche sich's noch trauen), com o objetivo de desenvolver um plano de ação para combater os líderes do meio salafista da Alemanha.

Depois que o fórum foi hackeado no início de 2014 e seus segredos revelados para o público, o grupo adotou o nome "Hooligans contra os Salafistas" passando a operar abertamente. Inicialmente, as atividades dos HoGeSa se limitavam à Internet e às redes sociais, através das quais angariaram um número considerável de seguidores. Por exemplo, a página deles no Facebook contava com mais de 40.000 seguidores antes de ser encerrada pelos censores do Facebook.

Em 28 de setembro de 2014, cerca de 300 membros do HoGeSa se reuniram pessoalmente pela primeira vez em Dortmund, cidade no estado alemão da Renânia do Norte-Vestefália que conta com numerosa população muçulmana. Reuniões do mesmo tipo também tiveram lugar nas cidades de Essen, Mannheim e Nuremberg.

Essas reuniões iniciais abriram caminho para a primeira grande reunião do HoGeSa, um comício em 26 de outubro no centro da cidade de Colônia. Os organizadores do evento esperavam o comparecimento de cerca de 1.500 hooligans, acontece que o triplo compareceu (4.900 segundo algumas contagens).

Segundo alguns observadores, a mobilização em massa foi alimentada, em parte, pela crescente sensação de frustração de acordo com a qual o governo alemão não está fazendo o suficiente para frear a disseminação do Islã no país. Outros dizem que os manifestantes foram incitados pelo apoio incessante e provocativo dos salafistas ao grupo jihadista Estado Islâmico.

O comício, que começou na estação central de trens de Colônia, teve um início tranquilo, dado que os salafistas mantiveram grande distância dos HoGeSa. Mas as coisas ficaram extremamente violentas depois que participantes se recusaram a obedecer as ordens da polícia de deixar a área após o término do evento.

Foram convocados mais de 1.300 policiais, muitos usando bastões, spray pimenta e canhões de água contra os manifestantes, que atiravam pedras, garrafas e fogos de artifício nos policiais. Aproximadamente 50 policiais ficaram feridos e 20 manifestantes foram presos.

Milhares de policiais em confronto direto em um comício dos "Hooligans contra os Salafistas" que se transformou em baderna na cidade de Colônia, Alemanha, em 26 de outubro de 2014. (imagem: Captura de tela de vídeo da Focus.de)

A intensidade da violência chocou muitos alemães e observadores começaram a avaliar quem seriam esses "novos hooligans" e se esse "inesperado fenômeno" é um anúncio de graves problemas por vir.

"Os hooligans estão mais perigosos que nunca. Eles arrumaram um novo inimigo. Os serviços de segurança alemães estão em alerta máximo! Uma autoridade de segurança do estado advertiu: "se os hooligans e os salafistas realmente se enfrentarem de novo, com certeza haverá feridos graves ou até mesmo mortos".

Parece que os representantes do HoGeSa estavam se desculpando pela violência na cidade de Colônia, dizendo que "nem tudo saiu conforme planejado" e que eles aprenderam com seus erros.

Ao mesmo tempo, os líderes do HoGeSa insistiam que o grupo é "apolítico", que não tem nenhuma ligação com qualquer organização partidária, incluindo o movimento neonazista da Alemanha. "Defendemos a nossa causa", gritava um dos organizares do evento em um megafone. "Não somos radicais de direita", acrescentou ele.

Segundo relatos, um grande número de neonazistas compareceu ao comício, disseminando o medo de que extremistas de direita estão querendo influenciar e possivelmente fazer parte do cenário, com o objetivo de impulsionar o potencial de mobilização em massa do HoGeSa em proveito próprio.

O jornal Die Zeit noticiou que a liderança sênior do Partido Democrático Nacional (NPD – neonazista) da Alemanha participou do comício na cidade de Colônia e ofereceu ajuda para "profissionalizar" o movimento HoGeSa. "O faminto NPD, em queda livre há três anos, está aparentemente na ofensiva e quer se juntar a essa nova tendência extremista", segundo o jornal.

Um novo relatório publicado pela polícia na Renânia do Norte-Vestefália estima que há 13.600 hooligans na Alemanha, mas que apenas 400 (3.3%) têm alguma ligação com o movimento neonazista ou com outros grupos de extrema direita.

O presidente da BfV, agência de inteligência interna da Alemanha, Hans-Georg Maassen, revelou que os hooligans não têm sido vigiados pelo estado porque, na maioria das vezes, eles têm sido "politicamente indiferentes" e seus valores pessoais estão limitados a "cerveja e brigas".

Alguns observadores alegam que os principais meios de comunicação estão agora apelando para o medo da violência dos hooligans para calar o debate sobre o crescimento do islamismo na Alemanha. A tática é atormentar o cidadão alemão com problemas reais sobre a disseminação da lei da Sharia e com o estabelecimento de uma sociedade muçulmana paralela como sendo "neonazista".

Nas palavras de um desses observadores, os guardiães do multiculturalismo alemão estão protegendo "degoladores de cristãos e mutiladores de mulheres", procurando silenciar aqueles que são politicamente incorretos o bastante a ponto de expressarem indignação diante dessas atrocidades.

O próximo grande comício do HoGeSa está programado para o dia 15 de novembro em Berlim. O evento, organizado sob o lema, "Contra os Salafistas, Islamização e Política para Refugiados", devia acontecer na Pariser Platz, uma praça no centro de Berlim próxima à sede do governo alemão.

Os organizadores do comício disseram originalmente que contavam com o comparecimento de 1.000 manifestantes, mas depois que a polícia previu que mais de 10.000 hooligans apareceriam, as autoridades em Berlim cancelaram o evento. Comícios semelhantes planejados para Frankfurt, Hamburgo e Hannover também foram proibidos, embora a troca de mensagens nas redes sociais indique que os hooligans planejam ir em frente de qualquer maneira.

De qualquer maneira, o HoGeSa parece instilar medo no coração dos salafistas, que agora estão na defensiva, uma façanha que até o momento vem eludindo os serviços de contraterrorismo alemão.

Depois da violência em Colônia, Pierre Vogel, notório convertido ao islamismo que nos últimos anos apareceu como figura central no cenário salafista alemão, contratou guarda-costas 24 horas para proteger a si e a sua família.

A mídia alemã diz que Vogel, ex-lutador de boxe profissional que normalmente se descreve como a personificação do invencível Islã, está agora se retratando como vítima indefesa nas mãos dos hooligans

Soeren Kern é Colaborador Sênior do Gatestone Institute de Nova Iorque Ele também é Colaborador Sênior da European Politics Grupo de Estudios Estratégicos / Strategic Studies Group de Madri. Siga-o no Facebook e no Twitter.

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