
Nos dias 11 e 12 de maio, a Autoridade Nacional Palestina organizou manifestações em massa em toda a Cisjordânia para comemorar a "Nakba" ("catástrofe"), termo usado pelos palestinos para descrever a criação do Estado de Israel em 1948.
Centenas de palestinos marcharam pelas ruas de Ramala, a capital de fato dos palestinos, agitando bandeiras, carregando "chaves de retorno" e entoando palavras de ordem como "vivenciamos uma nova Nakba todos os dias" e "jamais esqueceremos o direito de retorno".
Importantes funcionários palestinos, incluindo figuras do alto escalão da facção governante Fatah e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), participaram do evento, reafirmando mais uma vez o compromisso com a questão dos refugiados palestinos e o assim chamado "direito de retorno".
Wasel Abu Yousef, membro do Comitê Executivo da OLP, afirmou que, após 78 anos, "a ocupação (israelense) está tentando minar o sagrado direito de retorno".
Ele acrescentou que o "direito de retorno" para refugiados permanecerá "uma constante histórica que não se pode desistir com o passar do tempo".
À primeira vista, o "direito de retorno" pode dar a ideia de ser humanitário e simbólico. Na realidade, porém, ele representa uma das reivindicações mais extremas no conflito israelense/palestino.
Quando os líderes palestinos falam sobre o "direito de retorno", eles não estão se referindo ao reassentamento de refugiados em um futuro estado palestino na Cisjordânia ou na Faixa de Gaza. Estão exigindo que milhões de palestinos classificados como "refugiados", incluindo descendentes dos refugiados originais de 1948/49 sejam autorizados a se estabelecer dentro do próprio Estado de Israel. O objetivo é inundar Israel com milhões de palestinos e transformar os judeus em minoria em seu próprio país.
Essa exigência fundamentalmente contradiz a ideia de uma "solução de dois estados". Sob os auspícios de uma verdadeira "solução de dois estados", os palestinos estabeleceriam seu próprio estado independente ao lado de Israel. No entanto, os líderes palestinos estão, na prática, dizendo que não querem só um Estado palestino, querem também a destruição demográfica de Israel por meio da migração em massa.
Nenhum governo israelense, seja de esquerda, seja de direita ou de centro, jamais concordaria com um suicídio nacional.
É por isso que o "direito de retorno" permanece um dos principais obstáculos às negociações de paz desde a assinatura do Acordo de Oslo entre Israel e a OLP em 1993.
A contínua glorificação da "Nakba" e a insistência no "direito de retorno" demonstram que muitos palestinos não abandonaram o antigo sonho de substituir Israel, em vez de viver pacificamente ao seu lado.
Para muitos no Ocidente, o "Dia da Nakba" é frequentemente retratado como um dia de luto e lembrança dos refugiados palestinos que perderam suas casas durante a guerra árabe-israelense de 1948-49. O que frequentemente se ignora, porém, é a mensagem política por trás dessas comemorações e as perigosas implicações que elas acarretam para qualquer paz futura entre palestinos e israelenses.
Ao definir a criação de Israel como "catástrofe", a liderança palestina está, na prática, dizendo ao seu povo que a própria existência de Israel é ilegítima. Essa não é a linguagem da reconciliação, da coexistência nem do compromisso. É a linguagem do rejeicionismo e do extremismo.
Imagine se, todos os anos, um dos lados do conflito comemorasse a criação do país do outro lado como um desastre que precisa ser revertido. Alguém acreditaria seriamente que tal retórica prepara as pessoas para a paz e para o compromisso?
As comemorações anuais da Nakba não expressam meramente luto por eventos históricos. Elas reforçam a narrativa de que os judeus são colonialistas estrangeiros sem qualquer ligação histórica ou nacional legítima com a terra. Essa narrativa apaga milhares de anos de história judaica em Jerusalém, Hebron, Judeia, Safed, Tiberíades e em outros lugares em Israel.
A mensagem que os palestinos ouvem de seus líderes é inequívoca: Israel nasceu em pecado, não tem o direito de existir e um dia deveria desaparecer. Essa doutrinação explica o porquê dos esforços para a paz falharam repetidamente nas últimas décadas.
Um dos maiores obstáculos à paz sempre foi o fiasco dos líderes palestinos em preparar o seu povo para o compromisso com Israel. Em suma, francamente, não há a menor vontade para tanto. Enquanto alguns ocidentais continuam falando sobre uma "solução de dois estados", os líderes palestinos continuam educando seu povo de que todo o território de Israel é a "Palestina Ocupada".
Os livros didáticos dos palestinos, a mídia oficial, os discursos e os eventos públicos não preparam os palestinos para a ideia de que os judeus são um povo legítimo com direitos nacionais no Oriente Médio. Em vez disso, os palestinos são ensinados a ver Israel como uma entidade temporária e ilegítima. Os mapas usados em livros didáticos de geografia e história geralmente omitem completamente o Estado de Israel. Toda a região entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo é rotulada como "Palestina", apagando cidades israelenses ou renomeando-as como sendo localidades palestinas.
O que torna os recentes eventos da Nakba especialmente significativos é o momento em que estão ocorrendo.
Essas manifestações acorrem em um momento em que o governo Trump exige reformas da Autoridade Nacional Palestina, particularmente nas áreas da educação, incitação e governança.
Durante anos, governos ocidentais pressionaram a Autoridade Nacional Palestina a revisar seus currículos escolares, parar com a incitação contra Israel, combater o antissemitismo e preparar os palestinos para a coexistência pacífica com Israel. As autoridades palestinas via de regra respondem prometendo reformas e moderação.
As cenas em Ramala e em outras cidades palestinas, no entanto, contam uma história bem diferente.
Como é possível uma liderança que lembra a criação de Israel como "catástrofe" levar a paz a sério? Como é possível líderes que continuam promovendo a fantasia do "direito de retorno" afirmarem estar apoiando a coexistência? Como é possível a comunidade internacional esperar uma verdadeira reforma ao mesmo tempo em que os líderes palestinos continuam doutrinando o seu povo com narrativas de rejeição e vitimização?
Ou será que a comunidade internacional não espera nenhuma reforma e secretamente torce para que os palestinos "resolvam o problema judaico" sem que eles próprios precisem sujar as mãos?
A Administração Trump e os doadores ocidentais deveriam prestar muita atenção às mensagens que emanam de Ramala. O problema não se resume ao Hamas ou à Jihad Islâmica Palestina. O problema é muito mais profundo e abrangente.
Até mesmo os supostamente "moderados" líderes da Autoridade Nacional Palestina continuam promovendo narrativas que apagam a existência de Israel e negam os direitos históricos dos judeus.
Uma liderança que busca a paz educaria o seu povo para o compromisso, o reconhecimento mútuo, o respeito e a coexistência. Ensinaria aos palestinos que os judeus não são invasores estrangeiros, e sim um povo com quase 4.000 anos de profundas raízes históricas nesta terra. Além disso, prepararia os palestinos a construírem seu próprio futuro, em vez de sonhar em reverter o resultado da guerra de 1948. Em vez disso, os líderes palestinos continuam a lembrar o nascimento de Israel como uma tragédia prometendo continuar a luta contra a sua existência dizendo que ela não acabou. Enquanto essa narrativa dominar a cultura política palestina, a paz continuará impossível.
Khaled Abu Toameh é um jornalista premiado radicado em Jerusalém.
