• Depois de tomarem conhecimento do ataque terrorista em Manchester, os políticos mais uma vez emitiram comunicados, conforme a já antiga rotina de estarem "chocados" e "abalados" com o resultado previsível de suas próprias políticas.

  • A manifestação mais assombrosa de todas foi a da chanceler alemã Angela Merkel que disse estar assistindo os acontecimentos em Manchester "com tristeza e horror" e que achava o ataque "incompreensível".

  • Toda vez que um líder europeu endossa publicamente o Islã como uma grande religião, a "religião da paz" ou afirma que a violência no Islã é uma "perversão de uma grande fé", apesar de incalculáveis provas em contrário, eles sinalizam de forma claríssima que a cada ataque devastador, o Ocidente está pronto para tomar mais uma pancada.

Quando o ISIS atacou a Casa Noturna Bataclan em Paris em novembro de 2015, segundo suas próprias palavras, foi porque "centenas de pagãos se aglomeravam em um concerto de prostituição e imoralidade". Um ano antes, o ISIS havia banido todo e qualquer tipo de música por ela ser Haram (proibida). Inúmeros estudiosos do Islã defendem a ideia segundo a qual o Islã proíbe a música pecaminosa do Ocidente.

Dito isto, não deveria ter causado nenhuma surpresa os terroristas islâmicos terem atacado um concerto da cantora pop americana Ariana Grande em Manchester em 22 de maio. Além disso, o Departamento de Segurança Nacional dos EUA já havia alertado em setembro passado, que os terroristas estavam dirigindo o foco para concertos, eventos esportivos e passeios ao ar livre, porque esses lugares "frequentemente facilitam a realização de atentados, são simples de cometer com ênfase ao impacto econômico e causam um número enorme de baixas".

O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo atentado suicida em Manchester, no qual foi detonado um dispositivo atado ao corpo do terrorista, repleto de parafusos e pregos. Vinte e duas pessoas, crianças e adultos, foram assassinadas na explosão detonada na área do concerto em Manchester. Mais de 50 pessoas ficaram feridas. A mídia descreve o uso de bombas recheadas de pregos em salas de espetáculos como uma tática nova e surpreendente, na verdade ela é bem antiga, usada durante décadas por terroristas árabes contra os israelenses.

Um policial monta guarda nos arredores da Manchester Arena em 23 de maio de 2017, após o atentado suicida perpetrado por um terrorista islâmico que matou 22 pessoas que haviam ido ao show. (Foto: Dave Thompson/Getty Images)

No entanto, depois de tomarem conhecimento do ataque terrorista em Manchester, os políticos mais uma vez emitiram comunicados, conforme a já antiga rotina de estarem "chocados" e "abalados" com o resultado previsível de suas próprias políticas. Os velhos chavões de "corações e mentes" estarem com as vítimas do ataque, vieram juntamente com as manifestações de choque.

O presidente da Comissão Europeia Donald Tusk, tuitou: "meu coração está em Manchester esta noite, nossas reflexões estão com as vítimas". O líder do partido britânico Liberal Democrats, Tim Farron condenou o ataque "chocante e horrível". A Secretária do Interior britânico Amber Rudd disse que foi um "incidente trágico", enquanto o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, disse que foi um "terrível incidente". O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau disse que os cidadãos de seu país ficaram "chocados com a notícia do terrível ataque em Manchester esta noite". A manifestação mais assombrosa de todas foi a da chanceler alemã Angela Merkel que disse estar assistindo os acontecimentos em Manchester "com tristeza e horror" e que achava o ataque "incompreensível".

Após o ataque do 11 de setembro nos Estados Unidos, os atentados ao trem de Madri de 2004 que mataram cerca de 200 pessoas e feriram outras 2000, os ataques de 2005 ao sistema de transportes de Londres onde 56 pessoas foram mortas e 700 ficaram feridas, os ataques de 2015 em Paris onde o ISIS matou 130 pessoas e feriu cerca de 400, os ataques de março de 2016 ao aeroporto de Bruxelas e à estação de metro onde 31 pessoas foram mortas e 300 ficaram feridas, o atentado de julho de 2016 em Nice onde 86 pessoas, incluindo dez crianças, foram mortas e mais de 200 ficaram feridas, o ataque de dezembro de 2016 em Berlim onde 12 pessoas foram mortas e quase 50 ficaram feridas, o ataque de março de 2017 contra Westminster que matou três pessoas e feriu mais de 20, o ataque de abril de 2017 em Estocolmo onde foram mortas 5 pessoas, incluindo uma menina de 11 anos de idade, isso sem falar dos incontáveis ataques desferidos em Israel, os líderes ocidentais não têm mais desculpas cabíveis para ficarem chocados e surpresos com o terrorismo islâmico que ocorre em suas cidades, cada vez com maior frequência.

Todos os ataques acima mencionados são apenas os espetaculares. Houve inúmeros outros, às vezes à razão de vários ataques ao mês, que mal fizeram manchetes, como o muçulmano que, há pouco mais de um mês, torturou e esfaqueou uma judia de 66 anos em Paris gritando "Allahu Akbar" jogando-a pela janela, ou o carnífice do aeroporto de Paris em março, que veio "morrer por Alá" e cumpriu seu objetivo sem, milagrosamente, ter levado nenhum transeunte inocente consigo.

Após a gritante e estarrecedora atrocidade terrorista ocorrida no Reino Unido, que visava flagrantemente o coração da civilização democrática europeia, visando as Casas do Parlamento e a Ponte de Westminster, a primeira-ministra britânica Theresa May ressaltou: "é equivocado descrever isso como terrorismo islâmico. Trata-se de terrorismo islamista e a perversão de uma grande fé".

É impossível lutar contra o que você se recusa a entender ou a reconhecer, mas, de novo, os líderes europeus parecem não ter a menor intenção de lutar, pois evidentemente escolheram uma tática totalmente diferente, a do apaziguamento.

Toda vez que um líder europeu endossa publicamente o Islã como uma grande religião, uma "religião da paz" ou afirma que a violência no Islã é uma "perversão de uma grande fé", apesar de incalculáveis provas em contrário - os verdadeiros conteúdos violentos do Alcorão e dos hádices, que exortam recorrentemente a luta contra os "infiéis" - eles sinalizam de forma claríssima para organizações como o ISIS, Al Qaeda, Boko Haram, Hisbolál e Hamas, que a cada ataque devastador, o Ocidente está pronto para tomar mais uma pancada. As organizações terroristas e seus apoiadores veem o medo dos líderes europeus de causarem a mínima ofensa, apesar de protestos em contrário de líderes como Theresa May.

O medo vem acompanhado de persistente determinação de fazer de conta, a qualquer custo - ainda que seja às custas das vidas de seus cidadãos - que a Europa não está em guerra, muito embora esteja indubitavelmente claro que outros estão em guerra com ela.

Estas organizações terroristas se dão conta disso quando ministros em países como a Suécia, onde segundo boletins notícias, 150 combatentes do ISIS voltaram ao país, andam livremente, propõem a integração dos jihadistas do Estado Islâmico na sociedade sueca - como solução para o terrorismo! -- não vai requerer muito esforço para que esses líderes sucumbam completamente, como a Suécia praticamente já sucumbiu. Esta "solução" só pode funcionar para incentivar os terroristas a levarem a cabo ainda mais atos terroristas - como é contundentemente evidente pela crescente frequência de ataques terroristas em solo europeu.

Enquanto políticos europeus, inacreditavelmente, acreditam que as suas táticas estão impedindo o terrorismo, eles estão na realidade fortalecendo-os o máximo possível: os terroristas não reagem de forma positiva à genuína compreensão, ursos de pelúcia e vigílias à luz de velas. Na realidade, sem dúvida, os torna mais enojados com a sociedade ocidental, que eles querem transformar em um califado regido pela Lei Islâmica (Sharia).

Parece que os políticos negligenciam o tempo todo o objetivo islamista de instituir o califado. O terrorismo islâmico não é uma "violência insensata" e sim um terrorismo inequivocamente calculado para forçar a derradeira submissão da sociedade alvo. Até agora, com o Ocidente inerte e em estado de negação, os terroristas, ao que tudo indica, estão vencendo.

Judith Bergman é escritora, colunista, advogada e analista política.

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