• Os traficantes de pessoas trazem os migrantes para os navios das ONGs, que em seguida são enviados aos portos italianos. Outro inquérito foi instaurado no tocante aos interesses econômicos da máfia na gestão dos migrantes após a sua chegada.

  • Não tem como se comparar os migrantes aos judeus que fugiam do nazismo. O Papa Francisco, por exemplo, comparou recentemente os centros para migrantes aos "Campos de concentração nazistas". Onde estão as câmaras de gás, as "experiências" médicas, os crematórios, o trabalho escravo, as marchas forçadas e os pelotões de fuzilamento? Essas comparações são divulgadas pela mídia por uma razão bem precisa: dar fim ao debate.

  • Por volta de 2065 estima-se que chegarão 14,4 milhões de migrantes. Somando-se a esse número mais de 5 milhões de imigrantes que se encontram atualmente na Itália, estima-se que 37% da população sejam estrangeiros: mais de um em cada três habitantes.

Primeiro foi a rota húngara. Em seguida a rota dos Bálcãs. Agora a Itália é o epicentro do terremoto demográfico, tornando-se o ponto fraco da Europa à medida que centenas de milhares de migrantes chegam ao continente.

Com a recente chegada de praticamente 10 mil migrantes em um espaço de tempo de três dias, o número de migrantes aportados em 2017 excedeu 60 mil - 48% a mais do que no mesmo período do ano passado, quando somavam 40 mil. No fim de semana da Páscoa foi registrado o recorde de 8 mil migrantes resgatados no Mediterrâneo e levados para a Itália. Esse quadro é apenas a ponta do iceberg: durante o verão, o número de chegadas da Líbia se intensificará ainda mais.

Um barco de madeira transportando migrantes espera ser escoltado para o navio Topaz Responder, enquanto membros da Migrant Offshore Aid Station fazem uma operação de resgate no mar em 21 de novembro de 2016 em Pozzollo, Itália. (Foto de Dan Kitwood/Getty Images)

Uma troca de população está em curso na Itália. Mas se você abrir os principais jornais dificilmente verá esses dados. Nenhuma rede de TV reservou um tempinho para mostrar o que está acontecendo. Não é permitida nenhuma crítica. A invasão é considerada um fato consumado.

Em 2016 176.554 migrantes desembarcaram na Itália - oito vezes mais do que em 2014. Em 2015 foram 103.792. Em 2014 foram 66.066. Em 2013 apenas 22.118. Nos últimos quatro anos 427 mil migrantes chegaram à Itália. Somente nos primeiros cinco meses do ano corrente a Itália acolheu 10% do número total de migrantes que chegaram nos últimos quatro anos.

Há dias em que a guarda costeira e a marinha italiana resgatam 1.700 migrantes em 24 horas. O país está exaurido. Há aldeias italianas onde um décimo da população já é formada por novos migrantes. Estamos falando de pequenos povoados com 220 habitantes e 40 migrantes.

Um dos principais aspectos desta revolução demográfica é que ela está ocorrendo em um país que envelhece de forma dramática. De acordo com um relatório que acaba de ser divulgado, pelo Departamento de Estatística da Itália, a população da Itália encolherá para 53,7 milhões em meio século - um encolhimento de sete milhões de pessoas. A Itália, país que tem uma das menores taxas de fertilidade do mundo, perderá entre 600 mil e 800 mil cidadãos todos os anos. Os número de imigrantes ultrapassará a casa dos 14 milhões, cerca de um quarto da população total. No entanto, em um cenário mais pessimista, a população italiana poderá encolher para 46 milhões, uma perda de 14 milhões de pessoas.

Em 2050 um terço da população da Itália será composta por estrangeiros, de acordo com o relatório da ONU "Reposição via Migração: é uma Solução para o Declínio e o Envelhecimento de Populações", que imagina um caldeirão cultural que poderá explodir em tensões culturais e sociais. A intensidade das chegadas cairá de 300 mil para 270 mil pessoas por ano até 2065, portanto, neste período estima-se que chegarão 14,4 milhões de pessoas. Somando-se a esse número mais de 5 milhões de imigrantes que se encontram atualmente na Itália, estima-se que 37% da população sejam estrangeiros: mais de um em cada três habitantes.

Concomitantemente, o sistema de ajuda humanitária foi sacudido por novos escândalos. "A hipótese investigativa a ser verificada é que elementos ligados ao ISIS atuam como suporte logístico aos fluxos migratórios" foi um alerta que acaba de ser entregue ao promotor antimáfia e contraterrorismo italiano do Comitê de Schengen, Franco Roberti. Já há juízes investigando a conexão entre os traficantes de migrantes no Norte da África e as ONGs italianas que os resgataram no Mediterrâneo. Os traficantes de pessoas trazem os migrantes para os navios das ONGs, que em seguida são enviados aos portos italianos. Outro inquérito foi instaurado no tocante aos interesses econômicos da máfia na gestão dos migrantes após a sua chegada.

Somente a 2,65% dos migrantes que chegaram à Itália foram concedidos asilo como refugiados genuínos, de acordo com as Nações Unidas. O restante, ao que tudo indica, não está fugindo de guerras ou genocídio. No entanto, apesar de toda essa evidência, não tem como se comparar os migrantes aos judeus que fugiam do nazismo. O Papa Francisco, por exemplo, comparou recentemente os centros para migrantes com os "Campos de concentração nazistas". A pergunta que não quer calar é: onde estão as câmaras de gás, as "experiências" médicas, os crematórios, o trabalho escravo, as marchas forçadas e os pelotões de fuzilamento. Os jornais italianos estão publicando artigos sobre o "Holocausto do Mediterrâneo", comparando a morte dos migrantes que tentam chegar ao sul da Itália à morte dos judeus nas câmaras de gás em Auschwitz. Outro jornalista, Gad Lerner, com o intuito de apoiar os migrantes, descreveu a condição deles com a mesma palavra cunhada pelos nazistas em relação aos judeus: untermensch, seres humanos inferiores. Essas comparações são divulgadas pela mídia por uma razão bem precisa: dar fim ao debate.

Para entender quão vergonhosas são essas comparações, temos que dar uma olhada no custo de cada migrante ao tesouro da Itália. Os imigrantes, uma vez registrados, recebem uma renda mensal de 900 euros por mês (30 euros por dia para despesas pessoais). Outros 900 euros vão para os italianos que os abrigam. Mais 600 euros são necessários para cobrir as despesas de seguro. Ao todo cada imigrante custa à Itália 2.400 euros ao mês. Um policial ganha metade dessa cifra. Um voluntário naval que salva migrantes recebe uma ajuda de custo de 900 euros por mês. Os nazistas também eram tão generosos com os judeus untermenschen?

O custo dos migrantes para as finanças públicas italianas já é imenso e destruirá a possibilidade de qualquer crescimento econômico. "O impacto global no orçamento italiano em relação às despesas com os migrantes é atualmente quantificado em 2,6 bilhões de euros para o exercício de 2015, com a estimativa de saltar para 3,3 bilhões em 2016 e 4,2 bilhões em 2017, em um cenário constante", segundo explicação do Ministro da Fazenda. Em termos comparativos, esses números dão uma ideia mais clara de quanto a Itália está gastando nesta crise: em 2017 o governo está despendendo 1,9 bilhões de euros em pensões e 4,2 bilhões de euros para os migrantes e 4,5 bilhões de euros para o plano nacional de habitação contra 4,2 bilhões de euros para os migrantes.

O establishment cultural italiano está no momento totalmente focado em apoiar a migração em massa. O filme italiano indicado para o Oscar no ano passado foi Fogo no Mar, no qual o personagem central é um médico que trata os migrantes logo após a sua chegada ao país. O Primeiro Ministro italiano Matteo Renzi levou 27 DVDs do filme a uma sessão da Comissão Europeia. As redes de TV comerciais da Itália produziram inúmeros programas de televisão sobre os migrantes, como por exemplo "Lampedusa", em referência ao nome da ilha italiana. Cem mil italianos tomaram as ruas de Milão em uma "manifestação de solidariedade" para com os migrantes. Que espécie de "solidariedade" poderá haver se meio milhão de pessoas foram resgatadas pelo governo italiano e todo o país parece estar determinado a abrir suas portas a todo o Norte da África?

Winston Churchill estava convencido de que o Mediterrâneo era o "ponto fraco" da Europa de Hitler. Tornou-se agora o ponto fraco da transformação da Europa na Eurábia.

Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

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