• "Melhorem as condições de vida dos refugiados palestinos. Permitam que eles residam permanentemente. Concedam-lhes cidadania para que eles possam viver como seres humanos". Dr. Ahmad Abu Matar, um estudioso palestino radicado em Oslo, desferiu violentas criticas ao mundo árabe pelos sistemáticos maus-tratos aos palestinos.

  • Os árabes não se importam com os palestinos e querem mais que eles continuem sendo problema de Israel. Países como o Líbano e a Síria preferem que os palestinos vivam como "animais na floresta" do que conceder-lhes direitos básicos como emprego, educação e cidadania.

  • Não causa espanto saber que os refugiados da Síria não têm interesse em se fixar em países árabes. Eles sabem que seu destino no mundo árabe não será melhor do que o dos palestinos que vivem na Jordânia, Síria, Líbano e em outros países árabes.

Uma decisão recente da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) de reduzir seus serviços deixou a Jordânia e outros países árabes extremamente preocupados com a possibilidade deles serem forçados a conceder cidadania a milhares de palestinos.

Nas últimas semanas, muitos jordanianos expressaram profunda preocupação de que as medidas da UNRWA possam fazer parte de uma "conspiração" para forçar o reino a reassentar refugiados palestinos.

De acordo com os dados da UNRWA, mais de dois milhões de refugiados palestinos registrados vivem na Jordânia. A maioria dos refugiados, mas nem todos, tem cidadania jordaniana, segundo os dados. Os refugiados moram em 10 campos reconhecidos pela UNRWA na Jordânia.

Campo de refugiados "Cyber City" na Jordânia, onde residem inúmeros palestinos. (imagem: ICRC)

A Jordânia é o único país árabe a conceder cidadania a palestinos. Ainda assim, muitos palestinos veem sua presença no reino como temporária.

Muito embora não haja recenseamento quanto ao número de habitantes palestinos, estima-se que constituam metade da população da Jordânia, estimada em sete milhões de habitantes. Alguns dizem que os palestinos, na realidade, perfazem dois terços da população do reino.

Nas últimas décadas o maior pesadelo dos jordanianos tem sido a discussão sobre o reassentamento de palestinos no reino ao torná-los cidadãos permanentes. A discussão em torno da possibilidade de transformar a Jordânia em um estado palestino também criou pânico e ódio nos palestinos.

O "problema demográfico" da Jordânia veio novamente à tona na semana passada, quando um político jordaniano do alto escalão fez um alerta contra programas de reassentamento de refugiados no reino.

Taher al-Masri, ex-primeiro-ministro da Jordânia, intimamente ligado à monarquia governante Hashemita, soou o alarme em uma entrevista concedida a uma agência de notícias turca.

Comentando sobre a grave crise financeira da UNRWA, que teve como consequência a redução de serviços aos refugiados palestinos que vivem na Jordânia, Síria, Líbano, Cisjordânia e Faixa de Gaza, al-Masri disse o seguinte: "eu acredito que isso faça parte de um plano para transformar o problema dos refugiados palestinos em um problema interno da Jordânia. A UNRWA está abrindo caminho para liquidar a causa palestina".

Al-Masri, cujo ponto de vista costuma refletir o da monarquia, expressou seu temor de que os cortes da UNRWA estimulem as nações a considerarem a ideia de tornar os palestinos que estão na Jordânia em cidadãos permanentes, já que a maioria deles já tem passaporte jordaniano.

Al-Masri e outras autoridades jordanianas sustentam que a Jordânia tem o direito de proteger sua "identidade nacional" ao se recusar em absorver não-jordanianos.

No início da semana, o Primeiro Ministro da Jordânia Abdullah Ensour surpreendeu a todos ao anunciar que havia mais de dois milhões de palestinos vivendo na Jordânia que não eram cidadãos permanentes. Ensour, ao que tudo indica, estava se referindo aos palestinos que têm passaportes temporários da Jordânia.

Analistas políticos jordanianos e palestinos descreveram os comentários de Ensour sobre os palestinos na Jordânia como "nebulosos" e "polêmicos". Eles salientaram que Ensour se referia aos palestinos juntamente com os refugiados iraquianos e sírios que encontraram refúgio no reino nos últimos anos e, por esta razão, os jordanianos consideram a presença de palestinos em seu país apenas como temporária.

"As observações do primeiro-ministro são ambíguas, polêmicas e extremamente preocupantes", segundo comentários de Bassam al-Badareen, um conceituado jornalista em Amã. "Ele se referia aos palestinos como parte integrante dos estrangeiros e refugiados na Jordânia".

As observações de Ensour, bem como as de al-Masri, são mais uma prova de que a Jordânia e o resto do mundo árabe não estão interessados em ajudar a solucionar o problema dos refugiados palestinos. Jordânia, Líbano e Síria, os três países árabes onde a maioria dos refugiados está vivendo, se opõem categoricamente a qualquer solução que reassente palestinos dentro de suas fronteiras.

Isso explica porque esses países, bem como a maioria do mundo árabe, continuam discriminando os palestinos, sujeitando-os a legislações Apartheid. Embora a Jordânia tenha concedido cidadania a muitos palestinos, ela ainda assim continua tratando-os como cidadãos de segunda classe.

Nos últimos anos, as autoridades jordanianas vêm revogando a cidadania de palestinos, medida esta denunciada como "injusta" e "inconstitucional".

Os países árabes têm justificado, sistematicamente, suas políticas discriminatórias frente aos palestinos sob a alegação de que esta é a única maneira de assegurar que os refugiados voltem algum dia aos seus antigos lares, dentro de Israel. Segundo essa lógica, os países árabes não querem conceder cidadania, nem mesmo direitos básicos aos palestinos, para evitar uma situação em que Israel e a comunidade internacional possam, de alguma maneira, usar isso para negar-lhes o "direito de retorno".

Entretanto há palestinos que rejeitam essa argumentação e acusam os países árabes de darem as costas aos seus irmãos palestinos.

Dr. Ahmad Abu Matar, um estudioso palestino radicado em Oslo, desferiu violentas criticas ao mundo árabe pelos sistemáticos maus-tratos aos palestinos.

"Todos os países árabes se opõem ao reassentamento e a naturalização dos palestinos, não porque se importam com a causa palestina e sim devido a considerações internas e regionais", assinala Abu Matar. "Nós precisamos ter a coragem de dizer que melhorar as condições de vida dos refugiados palestinos nos países árabes, incluindo a concessão de cidadania, não descarta o direito de retorno".

Salientando que os palestinos estão sendo privados de seus direitos civis há muito tempo no mundo árabe, principalmente no Líbano, onde estão proibidos de exercerem várias profissões, além de viverem em campos que não servem nem para "animais na floresta", Abu Matar destacou que os EUA e a Europa abriram suas fronteiras para os palestinos e até lhes concederam cidadania.

Dirigindo-se aos países árabes, o estudioso salientou: "melhore as condições de vida dos refugiados palestinos. Permitam que eles residam permanentemente. Concedam-lhes cidadania para que eles possam viver como seres humanos".

Mas os apelos de Abu Matar provavelmente não sensibilizarão ninguém no mundo árabe. Os árabes não se importam com os palestinos e querem mais que eles continuem sendo problema de Israel. Países como o Líbano e a Síria preferem que os palestinos vivam como "animais na floresta" do que conceder-lhes direitos básicos como emprego, educação e cidadania.

Não causa espanto saber que os refugiados da Síria não têm interesse em se fixar em países árabes. Eles sabem que seu destino no mundo árabe não será melhor do que o dos palestinos que vivem na Jordânia, Síria, Líbano e em outros países árabes.

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