Últimas Análises e Comentários

Espanha: A Lei sobre a Cidadania dos Judeus Sefarditas Acaba em Fracasso

por Soeren Kern  •  22 de Agosto de 2019

  • As principais barreiras impostas pela legislação para a obtenção da cidadania espanhola são a obrigatoriedade de passar nos exames de língua espanhola e de sua história sócio-cultural, a necessidade de visitar a Espanha a custos e tarifas exorbitantes. Tudo isso sem a menor garantia de aprovação.

  • "Queremos manifestar nossa insatisfação em relação a essa lei, que tinha como objetivo restaurar a justiça e que ficou cada vez mais complicada. Se observarmos os procedimentos, pré-requisitos, o número de documentos exigidos, as traduções juramentadas, taxas, exames de idioma e cultura e a necessidade de viajar para a Espanha, só nos resta, perplexos, perguntarmos a nós mesmos quais seriam as razões para todos esses obstáculos." — Jon Iñarritu García, congressista representando o País Basco.

  • Muito embora os dados oficiais sobre o número de judeus sefarditas que teriam obtido a cidadania espanhola de acordo com a lei de 2015 não estarão disponíveis até que todos os pedidos sejam processados... cálculos iniciais apontam que a lei não "repara o erro."

A Espanha conta hoje com uma das menores comunidades judaicas da UE. Menos de 50 mil judeus residem atualmente na Espanha, uma minúscula fração do número de judeus que residiam no país antes de 1492, quando os judeus foram forçados a se converterem ao catolicismo ou deixarem o país. Foto: Sinagoga "El Transito" em Toledo, Espanha, fundada em 1357. Quando os judeus foram expulsos em 1492, o Rei Ferdinand e a Rainha Isabella deram a construção para a Igreja. (Imagem: Selbymay/Wikimedia Commons)

Uma legislação muito elogiada com o objetivo de conceder a cidadania espanhola a possíveis 3,5 milhões de descendentes de judeus expulsos do país em 1492 está prestes a dar com os burros n'água: menos de 10 mil judeus receberam passaportes espanhóis, o prazo termina em 1º de outubro de 2019.

Autoridades espanholas asseguraram que a lei, que entrou em vigor em 1º de outubro de 2015, com vigência de três anos, foi prorrogada por mais um ano, irá reparar uma injustiça histórica e demonstrar que mais de 500 anos após o início da Inquisição, os judeus são mais uma vez bem-vindos à Espanha.

No entanto, a legislação contém tantas barreiras quase intransponíveis para a obtenção da cidadania espanhola que a maioria dos promissores candidatos, ao que parece, são barrados antes mesmo da fase inicial.

Continue lendo o artigo

A Infindável Teoria da Conspiração

por Denis MacEoin  •  19 de Agosto de 2019

  • Tentar acabar com uma suposição irracional, principalmente quando ela estiver firmemente enraizada pelos proponentes com explicações racionais é algo virtualmente impossível. Qualquer informação que não corresponda à narrativa social, política ou étnica abraçada pelos teóricos da conspiração é ipso facto falsa. Cientistas sociais descreveram tais teorias como tendo uma "qualidade autovedante" que as torna "particularmente imunes à contestação". — Deborah Lipstadt, Antisemitism Here and Now, 2019 pp 7-8

  • As mentiras sobre o Estado de Israel são amplificadas no Ocidente por meio dos "grandes meios de comunicação", tais como: The New York Times, The New Yorker, BBC, The Guardian, MSNBC, e CNN. As igrejas entram na dança e obviamente as Nações Unidas, bem como as assim chamadas organizações de direitos humanos onde sem dúvida vale tudo: The Rockefeller Brothers Fund, Anistia Internacional e Human Rights Watch.

Com que frequência temos a oportunidade de testemunhar comentários sobre a situação em Gaza, na Cisjordânia e em Israel elaborados com tal ímpeto, com ardor mesmo, cujo propósito é destacar para os leitores os "fatos" acerca de Israel? Eles costumam narrar mentiras que envergonhariam uma legião de fraudadores, trapaceiros e teóricos da conspiração.

Parece às vezes que não há limites em se tratando das modernas fantasias antissemitas sobre o Estado judeu de Israel que arrebatam aquelas calúnias mais antigas segundo as quais os judeus controlam as questões globais, como por exemplo na impostura totalmente fraudulenta dos Protocolos dos Sábios de Sião. Hoje somos levados a crer que são as crianças muçulmanas palestinas que são assassinadas pelos desprezíveis sionistas e que o governo de Israel trabalha de mãos dadas com uma rede global de cristãos e banqueiros judeus, políticos e chefões da mídia.

Continue lendo o artigo

Política Externa da Alemanha, pró-Irã, anti-Israel

por Soeren Kern  •  17 de Agosto de 2019

  • A Alemanha tem sido um bocado hostil em relação a Israel nos últimos anos... A Alemanha continua provendo milhões de euros anualmente a organizações que promovem campanhas BDS anti-Israel (boicote, desinvestimento e sanções) e campanhas antissionistas, antissemitas e violência "hostis, embora legais", de acordo com a ONG Monitor.

  • A chanceler alemã Angela Merkel realçou em 2008 que a segurança de Israel "não é negociável" e o ministro das Relações Exteriores Heiko Maas enfatizou também em 2018 que ele entrou na vida política "por causa de Auschwitz". Na prática, no entanto, a Alemanha aponta consistentemente para a priorização de suas relações com os inimigos de Israel.

  • Instex , uma iniciativa do ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, possibilitará o comércio entre a Europa e o Irã, a despeito das sanções dos Estados Unidos. Isso facilitará o comércio tomando como base o escambo de produtos como os farmacêuticos e os de alimentos, mas Teerã insistiu reiteradamente que o Instex deverá incluir o comércio de petróleo para que o mecanismo faça sentido.

A Alemanha tem sido um bocado hostil em relação a Israel nos últimos anos. Em maio de 2016, a Alemanha votou a favor de uma vergonhosa resolução da ONU, que estigmatiza única e singularmente Israel na assembleia anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) como o único violador do planeta da "saúde mental, física e ambiental." O presidente da Alemanha Frank-Walter Steinmeier se engraça com os iranianos e com outros inimigos de Israel. Foto: Ministro das Relações Exteriores do Irã Mohammad Javad Zarif com Steinmeier (Ministro das Relações Exteriores da Alemanha na época) em Teerã, em 3 de fevereiro de 2016. (Imagem : Tasnim/Wikimedia Commons)

Um funcionário do alto escalão da diplomacia alemã, nomeado para capitanear um sistema de permuta da UE que irá permitir que empresas europeias contornem as sanções americanas contra o Irã, renunciou depois de conceder uma entrevista na qual criticou a existência de Israel e elogiou o programa de mísseis balísticos de Teerã.

O episódio, o último de uma série de ocorrências que escancaram os alicerces anti-israelenses da política externa da Alemanha, é um revés constrangedor para o governo alemão que complicará seus esforços para salvar o acordo nuclear com o Irã.

Continue lendo o artigo

Eliminando a Liberdade de Expressão na França, na Alemanha e na Internet

por Judith Bergman  •  13 de Agosto de 2019

  • No início de julho, a Assembleia Nacional da França aprovou um projeto de lei elaborado para reduzir o discurso de incitamento ao ódio na Internet. O projeto de lei dá às plataformas de redes sociais um prazo de 24 horas para que removam o "conteúdo de ódio", caso elas descumpram a lei poderão ser multadas em até 4% sobre sua receita global. O projeto de lei já se encontra no Senado e poderá virar lei após o recesso de verão do parlamento. Se isso acontecer, a França será o segundo país da Europa depois da Alemanha a aprovar uma lei que faz com que empresas de redes sociais censurem seus usuários em nome do estado.

  • Sabendo que uma mera postagem no Facebook poderá fazer com você se veja na frente de um juiz em um tribunal, é altamente provável que isso amordace qualquer um de falar livremente.

  • Caso o acordo fechado pelo Facebook com a França seja copiado por outros países europeus, o que ainda restar da liberdade de expressão na Europa, especialmente na Internet, provavelmente acabará num piscar de olhos.

  • Malgrado o Facebook alegue estar lutando contra o discurso de incitamento ao ódio na Internet e afirme ter retirado milhões de conteúdos terroristas de sua plataforma, de acordo com uma recente reportagem do Daily Beast, 105 postagens de alguns dos mais famigerados terroristas da Al Qaeda ainda estão circulando no Facebook, bem como no YouTube.

Em maio a França pediu mais vigilância governamental em cima do Facebook. Agora o Facebook concordou em entregar aos juízes franceses os dados de identificação de usuários franceses suspeitos de postarem discurso de incitamento ao ódio em sua plataforma de acordo com o Secretário de Estado da França para o Setor Digital, Cédric O.

Continue lendo o artigo

Suécia: Acobertando o Antissemitismo?

por Nima Gholam Ali Pour  •  12 de Agosto de 2019

  • Até agora, expressar opiniões antissemitas como político social-democrata em Malmö tem sido, ao que tudo indica, aceitável. Muito embora o partido tenha ressaltado publicamente que lamenta tais incidentes, ninguém teve que renunciar por causa disso.

  • A memória do Holocausto não pode ser reduzida a um evento para acobertar e fazer com que os políticos da situação em Malmö saiam bem na fita. Lembrar o Holocausto é indubitavelmente agir contra as condições que levaram ao Holocausto: é agir contra a normalização do antissemitismo.

  • É esta normalização do antissemitismo que os Social-democratas da Suécia e outros partidos Social-democratas na Europa, como o Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn do Reino Unido tem fomentado.

Malmö, a terceira maior cidade da Suécia, ficou conhecida devido ao seu sonoro antissemitismo e não está claro se o Partido Social Democrata, ora no poder, realmente tem vontade política ou moral para contê-lo. Foto: Prefeitura de Malmö. (Imagem : Hajotthu/Wikimedia Commons)

Malmö, a terceira maior cidade da Suécia, ficou conhecida devido ao seu sonoro antissemitismo. Por conseguinte, não deveria pegar ninguém de surpresa o fato de muitos judeus não se sentirem seguros. Tornando o antissemitismo ainda mais problemático, não está claro se o Partido Social Democrata, ora no poder, realmente tem vontade política ou moral para contê-lo.

O ex-prefeito de Malmö, IlmarReepalu, foi acusado inúmeras vezes de manifestar sentimentos antissemitas. Outros importantes políticos Social-democratas como Adrian Kaba, também difundiram teorias da conspiração antissemitas no passado. No ano em curso, quando a Liga da Juventude Social-Democrata de Malmö promoveu manifestações no Dia Internacional do Trabalho, em 1º de maio, eles entoavam: "esmaguem o sionismo".

Continue lendo o artigo

Razões Pelas Quais Resoluções Amigáveis para o Conflito Árabe-israelense Sempre dão Errado

por Tawfik Hamid  •  8 de Agosto de 2019

  • A causa do problema NÃO é o território. Após o colapso do Império Otomano várias nações árabes foram criadas por decreto. O mundo árabe aceitou esse estado de coisas numa boa pois se tratavam de países de maioria muçulmana. A não aceitação do Estado de Israel tinha a ver com o fato de Israel ser um país judaico e não muçulmano.

  • Desta forma, malgrado a gritante discriminação contra as minorias não muçulmanas na maior parte do mundo árabe e muçulmano (negação de direitos iguais para a construção de igrejas, por exemplo), muitos no mundo árabe apontam o dedo apenas e tão somente para Israel quando falam de discriminação.

  • A União Europeia está financiando um estudo sobre os livros didáticos palestinos porque vieram à tona evidências descobertas pela organização não governamental IMPACT-se, que constatou em maio que "o novo material escolar palestino para o ano letivo 2018/1919... é ainda mais radical do que o de anos anteriores". Enquanto isso ninguém está sendo educado para a paz.

  • Se somarmos a isso a triste realidade que os políticos palestinos usam o conflito para obter bilhões de dólares em doações, dá para entender o porquê desse conflito não ter sido resolvido até agora.

A rejeição ao Plano de Partilha da Palestina da ONU de 1947 pelas nações árabes e a declaração de guerra dessas nações contra Israel ao invés de sua aceitação da paz, foi o primeiro indício palpável de que o desejo dos árabes nunca foi proporcionar um estado para o povo palestino e sim desde o início o de varrer Israel do mapa. Foto: Pelotão da Legião árabe nas muralhas da Cidade Velha de Jerusalém em 1948. (Imagem: Wikimedia Commons)

Nós devemos aplaudir os esforços de Jared Kushner de propor uma solução amigável para o conflito árabe-israelense. Dito isso, a rejeição nada surpreendente dos palestinos ao plano de paz requer uma exaustiva análise, em particular no tocante às verdadeiras causas do eterno fracasso em se alcançar a paz duradoura.

Sem compreendê-las, toda e qualquer tentativa de resolver o conflito, toda e qualquer tentativa de se chegar à paz verdadeira no Oriente Médio, invariavelmente estará fadada ao fracasso.

Sendo conhecedor da matéria com background tanto muçulmano quanto árabe, eu gostaria imensamente de dividir com vocês algumas observações sobre esse impasse.

1. O conflito árabe-israelense não tem nada a ver com fronteiras. Tem tudo a ver com a existência do Estado de Israel.

Continue lendo o artigo

A França Mergulha Lentamente no Caos

por Guy Millière  •  6 de Agosto de 2019

  • O presidente Macron jamais diz que lamenta que há pessoas que perderam um olho ou uma mão... vítimas da extrema truculência da polícia. Longe disso, ele solicitou ao parlamento francês que passasse uma legislação que praticamente abole o direito de protestar, a presunção de inocência e pede permissão de prender qualquer um, em qualquer lugar, mesmo sem motivo algum. A lei foi aprovada.

  • Em junho, o parlamento francês aprovou outra lei punindo exemplarmente qualquer um que diga ou escreva algo que possa conter algum "discurso de incitamento ao ódio". A lei é tão vaga que o jurista americano Jonathan Turley se sentiu obrigado a reagir. "A França se tornou uma das maiores ameaças internacionais à liberdade de expressão", escreveu ele.

  • A preocupação nº 1 de Macron e do governo francês parece não ser o risco de tumultos, o descontentamento da população, o desaparecimento do cristianismo, a desastrosa situação econômica ou a islamização e suas consequências. A preocupação nº 1 são as mudanças climáticas.

  • "O Ocidente já não sabe o que ele é, porque não sabe e não quer saber o que o moldou, o que o constituiu, o que foi e o que é (...). Essa autoasfixia conduz naturalmente a uma decadência que abre caminho para novas civilizações bárbaras." — Cardeal Robert Sarah, em Le soir approche et déjà le jour baisse ("A noite chega e a luz já escurece").

O presidente Emmanuel Macron jamais diz que lamenta que há pessoas que perderam um olho ou uma mão... vítimas da extrema truculência da polícia. Longe disso, ele solicitou ao parlamento francês que passasse uma legislação que praticamente abole o direito de protestar, a presunção de inocência e pede permissão de prender qualquer um, em qualquer lugar, mesmo sem motivo algum. A lei foi aprovada. (Foto: Kiyoshi Ota - Pool/Getty Images)

Paris, Champs-Élysées. 14 de julho. Dia da Queda da Bastilha. Instantes antes do início do desfile militar, o presidente Emmanuel Macron desce a avenida em um carro oficial para saudar a multidão. Milhares de pessoas se aglomeram ao longo da avenida gritando "Macron renuncie", vaiando e insultando.

Ao final do desfile, dezenas de pessoas soltaram balões amarelos e distribuíram panfletos com os seguintes dizeres: "os coletes amarelos não estão mortos". Elas foram dispersadas com rapidez e truculência. Pouco depois, apareceram centenas de anarquistas da "Antifa" (movimento antifascista) e jogaram as barreiras de proteção nas ruas e calçadas para montar barricadas, provocar incêndios e destruir as frentes de lojas. A polícia teve muito trabalho para conter os distúrbios, passado algum tempo, já ao anoitecer, a ordem foi restabelecida.

Continue lendo o artigo

"A Suécia está em Guerra"

por Judith Bergman  •  3 de Agosto de 2019

  • O relatório da polícia sueca de 2017 "Utsatta områden 2017" ("Áreas Vulneráveis 2017") mostrou que existem 61 dessas áreas, também conhecidas como zonas proibidas na Suécia. Elas abrangem 200 redes criminosas, compostas por cerca de 5 mil criminosos. A maioria dos habitantes são imigrantes não ocidentais e seus descendentes.

  • Em março, segundo estimativas do Centro Nacional de Perícia Forense da Suécia, desde 2012 o número de tiroteios classificados como assassinato ou tentativa de assassinato teve um salto de quase 100%.

  • "A Suécia está em guerra e os políticos são os responsáveis. Já são cinco noites seguidas, atearam fogo em automóveis na cidade universitária de Lund. Esses atos insanos vêm se repetindo centenas de vezes em inúmeros lugares da Suécia nos últimos quinze anos. De 1955 a 1985, nenhum carro foi incendiado em Malmö, Gotemburgo, Estocolmo e Lund.... Nenhum desses criminosos está morrendo de fome ou sem acesso a água potável. Eles têm onde morar e lhes são oferecidos educação gratuita, eles não vivem em casas dilapidadas.... Isso se chama educação e é o que está faltando a milhares de meninas e meninos hoje nos lares suecos." — Björn Ranelid, autor sueco, Expressen, 5 de julho de 2019.

Em março, segundo estimativas do Centro Nacional de Perícia Forense da Suécia, desde 2012 o número de tiroteios classificados como assassinato ou tentativa de assassinato teve um salto de quase 100%. (Imagem: iStock)

Em 2018, a Suécia bateu o recorde no número de tiroteios devastadores, 306 ao todo. Deles resultaram 45 mortos e 135 feridos em todo o país, a maioria das mortes ocorreu em Malmö na região Sul da Suécia. Em março, segundo estimativas do Centro Nacional de Perícia Forense da Suécia, desde 2012 o número de tiroteios classificados como assassinato ou tentativa de assassinato teve um salto de quase 100%. O Centro também constatou que a arma mais utilizada nos tiroteios foi o fuzil automático Kalashnikov. "É uma das armas mais produzidas no mundo e utilizadas em muitas guerras" salientou o supervisor de equipe do Centro, Mikael Högfors. "Quando não se precisa mais delas... elas são contrabandeadas para a Suécia".

Continue lendo o artigo

A Turquia Ameaça Reacender a Crise Migratória

por Soeren Kern  •  1 de Agosto de 2019

  • "Estamos diante da maior onda migratória da história. Se abrirmos as comportas nenhum governo europeu terá condições de sobreviver mais do que seis meses. Nós os aconselhamos a não testarem nossa paciência." — Ministro do Interior da Turquia Süleyman Soylu.

  • "A Turquia está totalmente comprometida com o objetivo de se tornar membro da UE... A finalização do processo sobre o Diálogo para a Liberalização de Vistos, que permitirá aos nossos cidadãos viajarem para o espaço Schengen sem visto, é a nossa prioridade nº 1." — Comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da Turquia em 9 de maio de 2019.

  • "Isso não significa que eu tenha algo contra os turcos. Mas se começarmos a explicar isso, que a Turquia se encontra na Europa, os estudantes das escolas europeias terão que aprender que a fronteira da Europa se encontra na Síria. Onde está o bom senso? A Turquia pode ser considerada um país europeu cultural, histórica e economicamente falando? Se dissermos isso, então queremos a morte da União Europeia." — Ex-presidente francês Nicolas Sarkozy.

  • Se a UE aprovar a isenção de visto, dezenas de milhões de turcos terão acesso imediato e desimpedido à zona livre de passaportes da Europa. Analistas contrários à liberalização de vistos temem que milhões de cidadãos turcos acabem migrando para a Europa. A revista semanal austríaca Wochenblick, relatou que 11 milhões de turcos estão vivendo na miséria e "muitos deles sonham em se mudar para a Europa Central".

A Turquia ameaçou reabrir as comportas da migração em massa para a Europa a menos que os cidadãos turcos possam viajar para a União Europeia sem a necessidade de visto. A Turquia abriga no momento cerca de 3,5 milhões de migrantes e refugiados, em sua maioria sírios, iraquianos e afegãos. Muitos desses refugiados ao que tudo indica, migrarão para a Europa se tiverem oportunidade. Foto: campo de refugiados Adiyaman na Turquia. (Imagem: UNHCR)

A Turquia ameaçou reabrir as comportas da migração em massa para a Europa a menos que os cidadãos turcos possam viajar para a União Europeia sem a necessidade de visto. A UE concordou com a liberalização de vistos em março de 2016 no acordo migratório entre a UE e a Turquia no qual Ancara se comprometeu em conter o fluxo de migrantes para a Europa.

As autoridades europeias insistem que, apesar da Turquia ter reduzido o fluxo de migrantes, ela ainda não cumpriu todos os requisitos para a liberalização de vistos. Além disso, em 15 de julho os ministros das relações exteriores da UE decidiram suspender conversações de alto nível com Ancara, como parte das sanções contra a exploração turca de petróleo e gás na costa de Chipre.

Continue lendo o artigo

União Europeia: Acentuada Expansão de Poderes de Cima a Baixo

por Soeren Kern  •  31 de Julho de 2019

  • Um olhar minucioso sobre as principais propostas políticas de von der Leyen, revelam que ela defende uma acentuada expansão de poderes de cima a baixo da Comissão Europeia. Suas propostas aumentariam substancialmente o papel de Bruxelas em praticamente todos os aspectos da vida econômica e social da Europa em detrimento da soberania nacional.

  • Von der Leyen alertou que Bruxelas rejeitará os Estados membros da UE que se opuserem à sua reforma fiscal... Ela defendeu a criação de um "Mecanismo Europeu de Estado de Direito" abrangente, para assegurar a primazia da lei da UE em relação às leis nacionais dos estados membros da UE. Ela advertiu que haverá consequências econômicas para os estados membros que se recusarem a cumprir a lei... Ela pediu uma mudança nas leis para que a UE possa agir sem o consentimento unânime dos estados membros da UE.

  • "O que acabamos de ver hoje das propostas de Ursula von der Leyen é a investida da UE de assumir o controle de todos os aspectos de nossas vidas. Ela quer construir uma forma atualizada, centralizada, não democrática de comunismo que tornará obsoletos os parlamentos dos estados-nação, onde o Estado controla tudo, onde os parlamentos dos estados-nação não terão mais nenhuma relevância." — Nigel Farage, Parlamento Europeu, 16 de julho de 2019.

A ex-ministra da Defesa da Alemanha Ursula von der Leyen, que foi eleita por uma estreita margem ao cargo de presidente da Comissão Europeia, prometeu implantar um ambicioso programa político com viés de esquerda no tocante às mudanças climáticas, impostos, migração e estado de direito. (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

A ex-ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen foi eleita por uma margem estreita ao cargo de presidente da Comissão Europeia, a poderosa divisão administrativa da União Europeia.

Em votação secreta no Parlamento Europeu em 16 de julho, von der Leyen, forte aliada da chanceler alemã Angela Merkel, obteve 383 votos, apenas nove votos a mais que o mínimo de 374, a margem mais estreita desde que o cargo de presidente foi estabelecido em 1958. Ela substituirá Jean-Claude Junker em novembro de 2019 para um mandato de cinco anos.

Antes da votação, von der Leyen prometeu implantar um ambicioso programa político com viés de esquerda no tocante às mudanças climáticas, impostos, migração e estado de direito. Muitas de suas promessas, como a transferência de mais soberania nacional aos burocratas 'biônicos' em Bruxelas, davam a impressão de visar o apoio dos Verdes e dos Socialistas à sua candidatura ao Parlamento Europeu.

Continue lendo o artigo

A 'Morte Lenta' dos Palestinos no Líbano

por Khaled Abu Toameh  •  28 de Julho de 2019

  • As medidas das autoridades libanesas contra os palestinos ressaltam novamente a discriminação que os palestinos enfrentam há tanto tempo neste país árabe. A reportagem "Palestinos no Líbano" de 2017 da Associated Press, salienta que os palestinos "sofrem discriminação em quase todos os aspectos da vida cotidiana..." A lei libanesa restringe a viabilidade dos palestinos de trabalharem em diversas profissões, incluindo direito, medicina e engenharia e impede que eles recebam benefícios da seguridade social. Em 2001 o parlamento libanês aprovou uma lei que proíbe os palestinos de serem donos de propriedades.

  • Mesmo assim, as medidas discriminatórias e racistas do Líbano contra os palestinos, ao que tudo indica, não incomodam os grupos pró-palestinos mundo afora. Esses grupos normalmente fazem vista grossa diante da angústia dos palestinos que vivem em países árabes. Longe disso, eles voltam os olhares para Israel, procurando chifre em cabeça de cavalo para apontar abusos dos israelenses contra os palestinos.

  • Já está mais do que na hora dos grupos pró-palestinos nos campi universitários dos EUA, Canadá, Grã-Bretanha e Austrália organizarem uma "Semana do Apartheid Árabe" em vez de acusarem Israel de "discriminação" contra os palestinos. Também já está mais do que na hora da mídia internacional observar atentamente as medidas antipalestinas tomadas pelo Líbano contra os palestinos, justamente quando Israel eleva o número de autorizações para trabalhadores palestinos entrarem em Israel para trabalhar.

Mesmo assim, as medidas discriminatórias e racistas do Líbano contra os palestinos, ao que tudo indica, não incomodam os grupos pró-palestinos mundo afora. Esses grupos normalmente fazem vista grossa diante da angústia dos palestinos que vivem em países árabes. Longe disso, eles voltam os olhares para Israel, procurando chifre em cabeça de cavalo para apontar abusos dos israelenses contra os palestinos. Foto: Burj Barajneh, um campo de refugiados palestinos no Líbano administrado pela UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina). (Imagem : Al Jazeera English/Flickr CC BY-SA 2.0)

Mais de 100 mil palestinos da Cisjordânia têm autorização para trabalhar em Israel, segundo fontes palestinas e israelenses. As fontes também afirmam que milhares de palestinos entram em Israel todos os dias sem autorização.

Em 15 de julho, o número de trabalhadores palestinos que entraram em Israel, segundo estimativas do Ministério da Defesa de Israel, superou a casa dos 80 mil.

Na semana passada, segundo consta Israel, na tentativa de chegar a uma trégua com o Hamas, concordou em aumentar de 3.500 para 5.000 o número de comerciantes e empresários palestinos autorizados a irem da Faixa de Gaza para Israel.

Ao que consta, o último gesto israelense foi o resultado das investidas do Egito e das Nações Unidas para evitar um confronto militar entre Israel e o Hamas.

Continue lendo o artigo

ONU Lança Guerra Total à Liberdade de Expressão

por Judith Bergman  •  27 de Julho de 2019

  • Em outras palavras, esqueça tudo que diz respeito à livre troca de ideias: a ONU considera que seus "valores" estão sendo ameaçados e aqueles que criticam esses valores devem ser amordaçados.

  • Como não podia deixar de ser, a ONU assegura a todos que "abordar o discurso de ódio não significa limitar ou proibir a liberdade de expressão. Significa impedir que o discurso de ódio se transforme em algo mais perigoso, particularmente o incitamento à discriminação, hostilidade e violência, o que é proibido pela lei internacional".

  • Só que a ONU, sem a menor sombra de dúvida, procura sim proibir a liberdade de expressão, em especial aquela que diverge de suas agendas. Isso ficou evidente no Pacto Global de Migração da ONU no qual está explicitamente proclamado que sejam bloqueados os recursos públicos destinados aos "meios de comunicação que promovem sistematicamente a intolerância, xenofobia, racismo e outras formas de discriminação contra os migrantes".

  • Diferentemente do Pacto Global de Migração das Nações Unidas, o plano de ação da ONU contra o discurso de ódio contém uma definição do que a ONU considera como "ódio" e acontece que ela é a mais vaga e genérica possível: "qualquer tipo de comunicação feita por intermédio da fala, escrita ou de comportamento que ataque ou use linguagem pejorativa ou discriminatória em relação a uma pessoa ou a um grupo de pessoas com base em quem elas são, melhor dizendo, com base em sua religião, etnia, nacionalidade, raça, cor, descendência, gênero ou outro fator de identidade ". Com uma definição tão ampla quanto essa, qualquer fala poderia ser tachada de "ódio".

Em janeiro o secretário-geral das Nações Unidas Antonio Guterres encomendou "um plano de ação global contra o discurso de incitamento ao ódio e crimes de ódio em ritmo acelerado" e salientou, que "os governos e instituições encontrem soluções que respondam às apreensões e ansiedades das pessoas..." Uma das respostas, Guterres aparentemente sugeriu, é acabar com a liberdade de expressão. Foto: Antonio Guterres. (Imagem: Fiona Goodall/Getty Images)

Em janeiro o secretário-geral das Nações Unidas Antonio Guterres encarregou seu Assessor Especial para a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, a "apresentar um plano de ação global contra o discurso de incitamento ao ódio e crimes de ódio em ritmo acelerado". Em uma entrevista coletiva à imprensa sobre os desafios da ONU para 2019, Guterres adiantou que "o maior desafio que os governos e instituições enfrentam hoje é mostrar que nos importamos e encontrar soluções que respondam às apreensões e ansiedades das pessoas..."

Uma das respostas, Guterres aparentemente sugeriu, é acabar com a liberdade de expressão.

Continue lendo o artigo

A Jogada de Erdoğan com os EUA

por Burak Bekdil  •  26 de Julho de 2019

  • "A decisão da Turquia de bater o martelo quanto à aquisição do sistema de mísseis antiaéreos S-400 da Rússia representa uma grave ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos e a de nossos aliados da OTAN. Ao comprar e integrar um sofisticado sistema de defesa antimísseis russo ao hardware da OTAN, a Turquia não só ameaça comprometer a segurança da OTAN na região, como também concede uma vitória à Rússia em sua campanha de semear discórdia e desconfiança entre os países membros da OTAN." — John Sarbanes Representante dos EUA (Partido Democrata) 12 de julho de 2019.

  • O S-400 dispõe de um raio de ação de até 400 km. Ele foi projetado para derrubar os moderníssimos caças e mísseis da OTAN, incluindo os caças F-35 de fabricação americana.

  • O que Erdogan mais teme é a Lei de Contenção de Adversários da América Através de Sanções, aprovada pelo Senado dos EUA em 2017: as sanções da CAATSA. A taxa de desemprego na Turquia é de 13%, ou seja: 4,2 milhões de pessoas estão a procura de trabalho. A economia encontra-se em recessão e a cotação da lira sofre o efeito gangorra.

Na semana passada a Turquia recebeu as primeiras peças do sistema de mísseis terra-ar S-400 de fabricação russa encomendado pelo país. Ele foi projetado para derrubar os moderníssimos caças e mísseis da OTAN, incluindo os caças F-35 de fabricação americana. Foto: bateria de mísseis russos S-400. (Imagem: Vitaly Kuzmin/Wikimedia Commons)

Desde que a Turquia optou oficialmente, no final de 2017, pelo sistema de mísseis antiaéreos S-400 de fabricação russa, para a configuração da arquitetura de defesa terra-ar de longo alcance, o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan não mudou a retórica de que a compra é "fato consumado" e que "a Turquia é soberana na escolha do sistema de defesa aérea que optar para implantar em seu solo". Em resposta, a administração americana ameaçou suspender a participação da Turquia no programa multinacional Joint Strike Fighter, que fabrica o caça de quinta geração F-35 Lightning II. Os EUA também ameaçaram a Turquia com mais sanções de acordo com a Lei de Contenção de Adversários da América Através de Sanções. Autoridades do setor dizem que as Sanções da CAATSA poderão custar às empresas turcas mais de US$10 bilhões em perda de contratos terceirizados. A Turquia se comprometeu em comprar pelo menos 100 caças F-35 e já pagou US$1,4 bilhão.

Continue lendo o artigo

Por que um Saudita foi Atacado por Palestinos?

por Khaled Abu Toameh  •  25 de Julho de 2019

  • A principal razão do blogueiro saudita ter sido agredido e humilhado durante sua visita à mesquita de Al-Aqsa foi incitamento.

  • Esse incitamento veio principalmente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos (PJS), um grupo filiado à Fatah, considerado por alguns no Ocidente e até mesmo em Israel, como "moderado" e "pragmático."

  • Cuspir na cara de um blogueiro saudita e xingá-lo de "animal" e "sionista" não é a maneira propícia de atrair dinheiro de seu país ou de qualquer outra entidade que se preze, que se recusa a receber um tapa na cara e ao mesmo tempo doar dinheiro.

Assim que os palestinos perceberam que o blogueiro saudita Mohamed Saud se encontrava no complexo da Mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém, eles mostraram a ele como eles tratam seus irmãos árabes, insultando e cuspindo em Saud. O que foi que o saudita fez para merecer tamanha humilhação e agressão física? Foto: Mohamed Saud se protegendo das cuspidas dos palestinos em Jerusalém, em 22 de julho. (Imagem : Twitter captura de tela de vídeo)

Quando o blogueiro saudita Mohamed Saud chegou ao complexo da mesquita de Al-Aqsa em 22 de julho, ao que tudo indica, ele achou que iria rezar em paz naquele lugar antes de iniciar a visita aos mercados da Cidade Velha de Jerusalém.

Ademais, Saud aparentemente acreditava que como árabe muçulmano, seria calorosamente recebido por seus irmãos palestinos.

Ele estava redondamente enganado.

Assim que os palestinos perceberam que o blogueiro saudita apareceu em um dos lugares mais sagrados do Islã, eles mostraram a ele como eles tratam seus irmãos árabes.

Vídeos que circularam nas redes sociais mostram palestinos insultando e cuspindo em Saud. Na sequência um palestino joga uma cadeira de plástico contra ele no momento em que ele deixava o complexo.

O que foi que o saudita fez para merecer tamanha humilhação e agressão física? Qual crime ele cometeu para ser xingado de "lixo", "animal" e "traidor" e "sionista"?

Continue lendo o artigo

Alemanha: Assustador Alcance da Autocensura

por Judith Bergman  •  21 de Julho de 2019

  • Parece que há uma diferença significativa entre o que os alemães dizem em público e o que eles pensam de verdade... Também foi constatado que 57% dos alemães dizem que está dando nos nervos terem que ouvir "gradativa e incessantemente o que dizer e como se comportar".

  • "Faz uma diferença enorme...se os cidadãos sentem que estão sendo cada vez mais vigiados e avaliados... Muitos cidadãos sentem que estão sendo desrespeitados porque querem que suas apreensões e posições sejam levadas a sério, que fatos importantes sejam debatidos abertamente..." — Trecho extraído de uma enquete sobre a autocensura na Alemanha conduzida pelo Institut für Demoskopie Allensbach.

  • Esse retrocesso (quanto ao respeito pela liberdade de expressão) pelo menos até o momento, desembocou em 2018 na lei de censura da Alemanha, que exige das plataformas de redes sociais que excluam ou bloqueiem quaisquer pretensas "ofensas criminais" na Internet como difamação ou incitamento, no prazo de 24 horas após o recebimento da reclamação do usuário. Caso as plataformas não cumpram a lei, o governo alemão poderá multá-las em até 50 milhões de euros. Tem gente sendo processada na Alemanha por criticar as políticas de migração do governo...

Uma nova pesquisa de opinião sobre a autocensura na Alemanha mostrou que os alemães censuram suas próprias conversas num nível impressionante. Perguntados se é "possível se expressar livremente em público", somente 18% responderam que sim. Em contrapartida, 59% dos alemães disseram que entre amigos e conhecidos eles se expressam livremente.

"Quase dois terços dos cidadãos alemães estão convencidos de que 'hoje em dia é preciso ser extremamente cauteloso em relação a determinados assuntos', porque há inúmeras convenções sociais tácitas com respeito a opiniões aceitáveis e admissíveis" de acordo com um levantamento conduzido pelo Institut für Demoskopie Allensbach para o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ).

Continue lendo o artigo