Últimas Análises e Comentários

Porque os Árabes Odeiam os Palestinos

por Khaled Abu Toameh  •  12 de Setembro de 2019

  • Não é possível simplesmente queimar fotos do príncipe herdeiro da Arábia Saudita num dia e sair voando para Riad no dia seguinte para pedir dinheiro. Não é possível entoar palavras de ordem contra o presidente do Egito num dia e no dia seguinte ir até o Cairo pedir apoio político.

  • Surpreendentemente, Turki al-Hamad, escritor saudita, fez o que muitos líderes ocidentais se recusam a fazer: ele ousou censurar o Hamas e demais grupos de Gaza por lançarem foguetes contra Israel.

  • "Os palestinos trazem infortúnio a qualquer um que os acolha. A Jordânia os acolheu, os jordanianos tiveram o Setembro Negro. O Líbano os acolheu, os libaneses tiveram a guerra civil. O Kuwait os acolheu, os palestinos viraram soldados de Saddam Hussein. Agora estão usando os palanques para nos xingarem." — Mohammed al-Shaikh, autor saudita, RT Arabic, 13 de agosto de 2019.

  • Muitos nos países árabes dizem já está mais do que na hora dos palestinos começarem a cuidar de seus próprios interesses e pensar num futuro melhor para seus filhos... Parece que os árabes estão dizendo aos palestinos: "queremos seguir em frente, vocês podem continuar andando para trás o quanto vocês quiserem."

O escritor saudita Mohammed al-Shaikh defendeu a proibição dos palestinos de participarem da peregrinação islâmica do haj para Meca, depois que apareceu um vídeo mostrando palestinos, no último haj, com bandeiras palestinas entoando, "com sangue, com a alma, nós a recuperaremos, Mesquita de Al-Aqsa!" A Arábia Saudita tem leis rigorosíssimas que proíbem qualquer atividade política durante o haj. Foto: Haj peregrinos dentro e ao redor da Grande Mesquita de Meca e também no piso superior durante as rezas noturnas. (Imagem: Al Jazeera/Wikimedia Commons)

Será que é verdade? Se for, por que então? Lamentavelmente, os palestinos têm a fama de trair seus irmãos árabes, até de apunhalá-los pelas costas. Senão vejamos: os palestinos apoiaram Saddam Hussein quando da invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990, um país do Golfo que, juntamente com seus vizinhos, doava todos os anos dezenas de milhões de dólares aos palestinos a título de ajuda.

É exatamente por conta dessa deslealdade que um número cada vez maior de árabes, particularmente os que vivem nos países do Golfo, vêm alimentando a fama dos palestinos nos últimos anos.

No entanto, de uns meses para cá, a visão negativa que os árabes têm em relação aos palestinos, ventilada na maioria das vezes através da mídia tradicional e das redes sociais, agrava ainda mais a situação, tornando-a por vezes apelativa.

Continue lendo o artigo

Mulheres Iranianas Lutam Pela Liberdade

por Uzay Bulut  •  10 de Setembro de 2019

  • "As autoridades da República Islâmica dizem que o 'uso compulsório da hijab' está na lei e precisa ser obedecido. No entanto leis ruins devem ser contestadas e alteradas." — Masih Alinejad, jornalista e premiada ativista iraniana-americana.

  • "A base dessa tirania é a lei religiosa aplicada pelo governo desde a revolução de 1979. As mulheres são cidadãs de segunda categoria, no fundo escravas do Irã. A comunidade internacional precisa ter a coragem de deslegitimar a lei religiosa e criticar abertamente sua natureza tirânica. Assim como o mundo livre deslegitimou o comunismo durante a Guerra Fria, deveria fazer o mesmo com a lei religiosa." — Nasrin Mohammadi, autora de Ideas and Lashes: The Prison Diary of Akbar Mohammadi, que conta a história da tortura de seu falecido irmão, em entrevista ao Gatestone Institute.

Recentemente três mulheres iranianas presas na famigerada prisão de Qarchak foram condenadas a penas que podem chegar a mais de 10 anos atrás das grades. O "crime" que elas cometeram? Não estavam usando o véu (muçulmano), desafiando, portanto, o código de vestimenta islâmico. Foto: uma policial iraniana (esquerda) adverte uma mulher em relação à vestimenta e cabelo em meio a uma violenta repressão para fazer valer as normas dos trajes apropriados do regime, em 22 de abril de 2007 em Teerã, Irã. (Foto: Majid Saeedi/Getty Images)

Recentemente três mulheres iranianas presas na famigerada prisão de Qarchak foram condenadas a penas que podem chegar a mais de 10 anos atrás das grades. O "crime" que elas cometeram? Não estavam usando o véu (muçulmano), desafiando portanto o código de vestimenta islâmico.

As mulheres foram detidas depois que um vídeo por elas postado na Internet no Dia Internacional da Mulher viralizou. No clipe elas são vistas andando em um metrô de Teerã, sem a cabeça devidamente coberta, distribuindo flores a outras passageiras.

"É possível ouvir uma delas dizer: há de chegar o dia em que as mulheres não serão forçadas a lutar," ao mesmo tempo em que outra manifesta esperança que um dia mulheres usando hijabs (véu islâmico) poderão andar lado a lado com mulheres que optaram por não usá-lo.

Continue lendo o artigo

Itália: Salvini Cai mas Não Está Fora

por Soeren Kern  •  7 de Setembro de 2019

  • A nova aliança governista, se concretizada, possivelmente terá vida curta. Em entrevista ao diário italiano La Stampa, o ex-ministro do interior Roberto Maroni do partido Lega Nord salientou que o novo governo, caso se torne realidade, será "inerentemente fraco" porque ele existirá, "não devido a um projeto político em comum, mas unicamente para evitar novas eleições." Ele ressaltou que também há a possibilidade do governo durar por toda a legislatura "para não entregar o país a Salvini."

  • "Vocês acham que eu tenho medo de ficar alguns meses na oposição?" perguntou Salvini em um vídeo no Facebook. "Vocês não se livraram de mim com esses joguinhos políticos. Vocês não me conhecem, eu não jogo a toalha." Ele convocou para 19 de outubro em Roma uma manifestação contra o novo governo. Pesquisas de opinião mostram que 67% dos italianos são a favor de eleições antecipadas.

  • "Nós húngaros jamais esqueceremos que você (Salvini) foi o primeiro líder da Europa Ocidental a arregaçar as mangas para impedir que migrantes ilegais inundassem a Europa vindos do Mar Mediterrâneo. Independentemente do futuro dos desdobramentos políticos na Itália e do fato de pertencemos a diferentes agremiações políticas, o consideramos um irmão de armas na luta para preservar a tradição cristã da Europa e o fim da migração." — presidente húngaro Viktor Orbán.

Matteo Salvini, vice-premiê e ministro do interior da Itália desde 2018, foi afastado do governo italiano depois que sua aposta em forçar eleições antecipadas com o intuito de se tornar primeiro-ministro deu com os burros n'água. (Foto: Ernesto S. Ruscio/Getty Images)

Matteo Salvini, vice-premiê e ministro do interior da Itália desde 2018, foi afastado do governo italiano depois que sua aposta de forçar eleições antecipadas com o intuito de se tornar primeiro-ministro deu com os burros n'água.

A saída de Salvini do governo, líder de fato do movimento anti-imigração em massa, poderá retroceder a campanha para desacelerar a imigração ilegal para o velho mundo. No entanto, inúmeros analistas acreditam que Salvini, que continua no páreo e à frente de seus rivais nas pesquisas de opinião, estará logo de volta ao governo e ainda por cima numa base mais sólida do que anteriormente.

Em 8 de agosto, após meses batendo boca em público, Salvini declarou impraticável o governo de coalizão entre seu partido Liga e o partido anti-establishment Movimento 5 Estrelas (M5S). Ele acusou o M5S de obstruir as principais políticas da Liga, salientando que a única saída era convocar novas eleições.

Continue lendo o artigo

Extermínio de Cristãos no Oriente Médio

por Giulio Meotti  •  5 de Setembro de 2019

  • "Eu não acredito nessas duas palavras (direitos humanos), não há direitos humanos. Mas nos países ocidentais há direitos dos animais. Na Austrália eles protegem os sapos... Considerem-nos sapos, aceitaremos isso, apenas protejam-nos para que possamos ficar em nossa terra." — Nicodemus, arcebispo ortodoxo siríaco da região metropolitana de Mossul, National Catholic Register.

  • "São aquelas mesmas pessoas que vieram aqui há muitos anos. Nós os aceitamos. Nós somos o povo autóctone dessa terra. Nós os aceitamos, abrimos nossas portas para eles e fizeram com que nós virássemos minorias em nossa própria terra, depois refugiados em nossa própria terra. E isso irá acontecer com vocês se não acordarem." — Nicodemus, arcebispo ortodoxo siríaco da região metropolitana de Mossul.

  • "A ameaça aos pandas provoca mais sentimentos emotivos" do que a ameaça de extinção dos cristãos no Oriente Médio. — Amin Maalouf, escritor franco/libanês, Le Temps.

A maioria das igrejas ao redor e em Mossul, Iraque, foram profanadas ou destruídas pelo ISIS. Foto: Torre dos Sinos da Igreja de São João quase totalmente destruída (Mar Yohanna) na cidade de Qaraqosh, perto de Mossul, 16 de abril de 2017. (Foto: Carl Court/Getty Images)

Converta-se, pague ou morra. Há cinco anos essas eram as "alternativas" que o Estado Islâmico (ISIS) dava aos cristãos de Mossul, então terceira maior cidade do Iraque: abrace o Islã, pague o imposto sobre a religião ou morra pela espada. Naquela época o ISIS marcava as casas dos cristãos com a letra árabe ن (N), a primeira letra da palavra "Nasrani" ("Nazarene," "Cristão") em árabe. Via de regra os cristãos não podiam levar mais do que algumas roupas nas costas e fugir da cidade, lar dos cristãos por 1.700 anos.

Dois anos atrás, o ISIS foi derrotado em Mossul e seu califado desmoronou. Os extremistas no entanto conseguiram fazer a "limpeza" quanto aos cristãos. Antes da ascensão do ISIS havia mais de 15 mil cristãos na cidade. Em julho de 2019, a instituição católica beneficente Ajuda à Igreja que Sofre revelou que somente cerca de 40 cristãos voltaram à cidade. De uns tempos para cá, Mossul "comemora o Natal sem cristãos".

Continue lendo o artigo

Israel Enfrenta Grave Escalada na Guerra Proxy com o Irã

por Con Coughlin  •  2 de Setembro de 2019

  • O fato de Israel ter considerado imperativo atacar alvos tão distantes da sua tradicional área de operações militares próximas de suas fronteiras, são indícios da alarmante escalada que está tomando lugar nas últimas semanas no tocante à ameaça que o Irã representa à segurança de Israel.

  • No começo da semana, no Líbano, ao que consta, um drone israelense atacou uma base palestina que se acredita seja financiada pelo Irã. Segundo se informa, caças israelenses bombardearam bases militares iranianas nos arredores da capital síria, Damasco.

  • A simples noção de Washington sentar para conversar com os iranianos enquanto o Irã não arreda o pé de ameaçar incessantemente a segurança de seu aliado mais próximo no Oriente Médio, é inescrupulosa.

Israel é responsável pelo recente ataque a uma base militar iraniana que estava sendo usada para a montagem de mísseis iranianos de médio alcance capazes de atingir alvos em Israel. A ameaça era considerada de tal importância que as altas autoridades israelenses decidiram lançar um ataque ousado que requeria o uso de caças F-35 para penetrar o espaço aéreo saudita para atingir o objetivo. Foto: Um F-35 da Força Aérea de Israel. (Imagem: Israel Air Force/Wikimedia Commons)

A recente confirmação por fontes oficiais do exército americano que caças israelenses foram os responsáveis pelo recente ataque a uma base militar iraniana mostra o ponto alarmante a que chegou a escalada da assim chamada guerra proxy entre Teerã e Jerusalém nas últimas semanas.

De acordo com fontes de segurança da cúpula israelense articuladas extra-oficialmente, a base situada na província de Salaheddin no norte do Iraque, foi alvo do ataque porque eles acreditavam que ela estava sendo usada para a montagem de mísseis iranianos de médio alcance capazes de atingir alvos em Israel.

Continue lendo o artigo

Turquia: "Morte aos Judeus" na Colônia de Férias

por Uzay Bulut  •  31 de Agosto de 2019

  • "Crianças muito novas são doutrinadas a odiarem judeus e outros seres humanos sem sequer saber quem são os judeus. Essas crianças crescerão com potencial ódio aos judeus, esse é o perigo maior... Sem a menor sombra de dúvida, é necessário entrar com ações judiciais contra aqueles que se envolvem em racismo e crimes de ódio e que direcionam crianças a isso. É uma solução de curto prazo, a de longo prazo é a educação." — İvo Molinas, redator-chefe, Şalom.

  • "Vivemos em um país onde é incutido na cabeça de crianças muito novas que um grupo étnico é nosso inimigo. E o mais triste de tudo é que não temos condições de fazer nada a respeito. Como comunidade, só podemos reclamar, nada mais. É muito triste que não haja esforços políticos nem jurídicos no sentido de acabar com isso." — İvo Molinas, redator-chefe, Şalom.

A comunidade judaica da Turquia ainda está atordoada por conta de um vídeo que viralizou, que mostra ao que parece ser uma colônia de férias onde crianças muito novas estão sendo ensinadas, por uma menina jovem ou uma orientadora, a gritar palavras de ordem antissemitas em turco. Foto: Sinagoga Neve Shalom em Istambul, Turquia. (Imagem: Tatiana Matlina/Wikimedia Commons)

A comunidade judaica da Turquia ainda está atordoada por conta do conteúdo de um vídeo que viralizou no final de julho. O vídeo mostra o que parece ser uma colônia de férias onde crianças, com um grupo de mulheres vestidas com burcas atrás delas, estão sendo ensinadas a gritar palavras de ordem antissemitas em turco por uma menina ou uma orientadora.

No clipe de 39 segundos, a menina diz: "judeus," as mulheres e as crianças respondem: "morte!"

Quando ela diz: "Palestina," elas respondem: "será salva."

Quando ela grita: "Hagia Sophia", se referindo à catedral/museu bizantino em Istambul que o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan anunciou que será transformada em mesquita, elas entoam: "será aberta."

Continue lendo o artigo

Última Pérola da Indústria da Fustigação a Israel

por Andrew Ash  •  25 de Agosto de 2019

  • Rashida Tlaib manifestou o desejo de visitar a "Palestina", que até o momento não existe, em uma excursão organizada e copatrocinada pela organização palestina sem fins lucrativos Miftah, comandada pela porta-voz palestina antagonista de Israel de longa data Hanan Ashrawi. Becket Adams do Washington Examiner considera o grupo "extremamente antissemita que enaltece terroristas palestinos e diz que os judeus usam sangue de cristãos na Páscoa Judaica. A organização também publicou o artigo Neo-Nazis e prega a destruição de Israel." A Miftah chamou as mulheres bomba de heroínas.

  • "Eu nunca me senti mais palestina do que no Congresso" declarou ela em tom desafiador à Coalizão dos Direitos Humanos de Michigan em abril de 2019. Isso soa um tanto pesado, vindo da mesma mulher que se arroga o direito de tuitar a senadores que apoiaram um projeto de lei pró-Israel de "esquecerem qual o país que representam."

  • Tudo indica que ela simplesmente não está interessada em manifestações que não envolvam ações pirotécnicas ou prisões, ou nas quais ela não atrairá atenção ou não será vista como vítima. É difícil imaginar o que ela está fazendo de bom para os seus eleitores. Será que é a vontade de atacar Israel que na realidade mantêm acordados durante a noite os eleitores de Michigan? E será que o antissemitismo é a cara nova aceita pelo Partido Democrata?

A deputada americana Rashida Tlaib (esquerda) havia pedido para ir à "Palestina" que até o momento não existe, em uma excursão organizada e patrocinada pela organização palestina sem fins lucrativos, Miftah, um grupo descrito no Washington Examiner como "um grupo extremamente antissemita que enaltece terroristas palestinos e diz que os judeus usam sangue de cristãos na Páscoa Judaica." (Foto: Adam Bettcher/Getty Images)

A deputada americana Rashida Tlaib (Partido Democrata por Michigan) decidiu cancelar a visita que faria a Israel com a colega membro do "Squad" (grupo de quatro deputadas do Partido Democrata), Ilhan Omar, após ambas terem sido convidadas a uma visita oficial de congressistas, no entanto recusaram o convite.

Muito embora a ambas, Tlaib e Omar, que se manifestam abertamente, doa a quem doer, tenha sido inicialmente negada a entrada no país devido aos seus posicionamentos radicais que promovem varrer Israel do mapa via boicote, boicotá-las não fazia parte do plano, pelo menos aparentemente. À deputada Tlaib foi finalmente concedida a permissão de entrar por "razões humanitárias", após um pedido emocionado ao Ministro do Interior de Israel Aryeh Deri, no qual ela apresentou as razões da visita à sua avó palestina que vive na Cisjordânia.

A nova deputada recém empossada voltou atrás e agora resolveu cancelar a viagem.

Continue lendo o artigo

Espanha: A Lei sobre a Cidadania dos Judeus Sefarditas Acaba em Fracasso

por Soeren Kern  •  22 de Agosto de 2019

  • As principais barreiras impostas pela legislação para a obtenção da cidadania espanhola são a obrigatoriedade de passar nos exames de língua espanhola e de sua história sócio-cultural, a necessidade de visitar a Espanha a custos e tarifas exorbitantes. Tudo isso sem a menor garantia de aprovação.

  • "Queremos manifestar nossa insatisfação em relação a essa lei, que tinha como objetivo restaurar a justiça e que ficou cada vez mais complicada. Se observarmos os procedimentos, pré-requisitos, o número de documentos exigidos, as traduções juramentadas, taxas, exames de idioma e cultura e a necessidade de viajar para a Espanha, só nos resta, perplexos, perguntarmos a nós mesmos quais seriam as razões para todos esses obstáculos." — Jon Iñarritu García, congressista representando o País Basco.

  • Muito embora os dados oficiais sobre o número de judeus sefarditas que teriam obtido a cidadania espanhola de acordo com a lei de 2015 não estarão disponíveis até que todos os pedidos sejam processados... cálculos iniciais apontam que a lei não "repara o erro."

A Espanha conta hoje com uma das menores comunidades judaicas da UE. Menos de 50 mil judeus residem atualmente na Espanha, uma minúscula fração do número de judeus que residiam no país antes de 1492, quando os judeus foram forçados a se converterem ao catolicismo ou deixarem o país. Foto: Sinagoga "El Transito" em Toledo, Espanha, fundada em 1357. Quando os judeus foram expulsos em 1492, o Rei Ferdinand e a Rainha Isabella deram a construção para a Igreja. (Imagem: Selbymay/Wikimedia Commons)

Uma legislação muito elogiada com o objetivo de conceder a cidadania espanhola a possíveis 3,5 milhões de descendentes de judeus expulsos do país em 1492 está prestes a dar com os burros n'água: menos de 10 mil judeus receberam passaportes espanhóis, o prazo termina em 1º de outubro de 2019.

Autoridades espanholas asseguraram que a lei, que entrou em vigor em 1º de outubro de 2015, com vigência de três anos, foi prorrogada por mais um ano, irá reparar uma injustiça histórica e demonstrar que mais de 500 anos após o início da Inquisição, os judeus são mais uma vez bem-vindos à Espanha.

No entanto, a legislação contém tantas barreiras quase intransponíveis para a obtenção da cidadania espanhola que a maioria dos promissores candidatos, ao que parece, são barrados antes mesmo da fase inicial.

Continue lendo o artigo

A Infindável Teoria da Conspiração

por Denis MacEoin  •  19 de Agosto de 2019

  • Tentar acabar com uma suposição irracional, principalmente quando ela estiver firmemente enraizada pelos proponentes com explicações racionais é algo virtualmente impossível. Qualquer informação que não corresponda à narrativa social, política ou étnica abraçada pelos teóricos da conspiração é ipso facto falsa. Cientistas sociais descreveram tais teorias como tendo uma "qualidade autovedante" que as torna "particularmente imunes à contestação". — Deborah Lipstadt, Antisemitism Here and Now, 2019 pp 7-8

  • As mentiras sobre o Estado de Israel são amplificadas no Ocidente por meio dos "grandes meios de comunicação", tais como: The New York Times, The New Yorker, BBC, The Guardian, MSNBC, e CNN. As igrejas entram na dança e obviamente as Nações Unidas, bem como as assim chamadas organizações de direitos humanos onde sem dúvida vale tudo: The Rockefeller Brothers Fund, Anistia Internacional e Human Rights Watch.

Com que frequência temos a oportunidade de testemunhar comentários sobre a situação em Gaza, na Cisjordânia e em Israel elaborados com tal ímpeto, com ardor mesmo, cujo propósito é destacar para os leitores os "fatos" acerca de Israel? Eles costumam narrar mentiras que envergonhariam uma legião de fraudadores, trapaceiros e teóricos da conspiração.

Parece às vezes que não há limites em se tratando das modernas fantasias antissemitas sobre o Estado judeu de Israel que arrebatam aquelas calúnias mais antigas segundo as quais os judeus controlam as questões globais, como por exemplo na impostura totalmente fraudulenta dos Protocolos dos Sábios de Sião. Hoje somos levados a crer que são as crianças muçulmanas palestinas que são assassinadas pelos desprezíveis sionistas e que o governo de Israel trabalha de mãos dadas com uma rede global de cristãos e banqueiros judeus, políticos e chefões da mídia.

Continue lendo o artigo

Política Externa da Alemanha, pró-Irã, anti-Israel

por Soeren Kern  •  17 de Agosto de 2019

  • A Alemanha tem sido um bocado hostil em relação a Israel nos últimos anos... A Alemanha continua provendo milhões de euros anualmente a organizações que promovem campanhas BDS anti-Israel (boicote, desinvestimento e sanções) e campanhas antissionistas, antissemitas e violência "hostis, embora legais", de acordo com a ONG Monitor.

  • A chanceler alemã Angela Merkel realçou em 2008 que a segurança de Israel "não é negociável" e o ministro das Relações Exteriores Heiko Maas enfatizou também em 2018 que ele entrou na vida política "por causa de Auschwitz". Na prática, no entanto, a Alemanha aponta consistentemente para a priorização de suas relações com os inimigos de Israel.

  • Instex , uma iniciativa do ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, possibilitará o comércio entre a Europa e o Irã, a despeito das sanções dos Estados Unidos. Isso facilitará o comércio tomando como base o escambo de produtos como os farmacêuticos e os de alimentos, mas Teerã insistiu reiteradamente que o Instex deverá incluir o comércio de petróleo para que o mecanismo faça sentido.

A Alemanha tem sido um bocado hostil em relação a Israel nos últimos anos. Em maio de 2016, a Alemanha votou a favor de uma vergonhosa resolução da ONU, que estigmatiza única e singularmente Israel na assembleia anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) como o único violador do planeta da "saúde mental, física e ambiental." O presidente da Alemanha Frank-Walter Steinmeier se engraça com os iranianos e com outros inimigos de Israel. Foto: Ministro das Relações Exteriores do Irã Mohammad Javad Zarif com Steinmeier (Ministro das Relações Exteriores da Alemanha na época) em Teerã, em 3 de fevereiro de 2016. (Imagem : Tasnim/Wikimedia Commons)

Um funcionário do alto escalão da diplomacia alemã, nomeado para capitanear um sistema de permuta da UE que irá permitir que empresas europeias contornem as sanções americanas contra o Irã, renunciou depois de conceder uma entrevista na qual criticou a existência de Israel e elogiou o programa de mísseis balísticos de Teerã.

O episódio, o último de uma série de ocorrências que escancaram os alicerces anti-israelenses da política externa da Alemanha, é um revés constrangedor para o governo alemão que complicará seus esforços para salvar o acordo nuclear com o Irã.

Continue lendo o artigo

Eliminando a Liberdade de Expressão na França, na Alemanha e na Internet

por Judith Bergman  •  13 de Agosto de 2019

  • No início de julho, a Assembleia Nacional da França aprovou um projeto de lei elaborado para reduzir o discurso de incitamento ao ódio na Internet. O projeto de lei dá às plataformas de redes sociais um prazo de 24 horas para que removam o "conteúdo de ódio", caso elas descumpram a lei poderão ser multadas em até 4% sobre sua receita global. O projeto de lei já se encontra no Senado e poderá virar lei após o recesso de verão do parlamento. Se isso acontecer, a França será o segundo país da Europa depois da Alemanha a aprovar uma lei que faz com que empresas de redes sociais censurem seus usuários em nome do estado.

  • Sabendo que uma mera postagem no Facebook poderá fazer com você se veja na frente de um juiz em um tribunal, é altamente provável que isso amordace qualquer um de falar livremente.

  • Caso o acordo fechado pelo Facebook com a França seja copiado por outros países europeus, o que ainda restar da liberdade de expressão na Europa, especialmente na Internet, provavelmente acabará num piscar de olhos.

  • Malgrado o Facebook alegue estar lutando contra o discurso de incitamento ao ódio na Internet e afirme ter retirado milhões de conteúdos terroristas de sua plataforma, de acordo com uma recente reportagem do Daily Beast, 105 postagens de alguns dos mais famigerados terroristas da Al Qaeda ainda estão circulando no Facebook, bem como no YouTube.

Em maio a França pediu mais vigilância governamental em cima do Facebook. Agora o Facebook concordou em entregar aos juízes franceses os dados de identificação de usuários franceses suspeitos de postarem discurso de incitamento ao ódio em sua plataforma de acordo com o Secretário de Estado da França para o Setor Digital, Cédric O.

Continue lendo o artigo

Suécia: Acobertando o Antissemitismo?

por Nima Gholam Ali Pour  •  12 de Agosto de 2019

  • Até agora, expressar opiniões antissemitas como político social-democrata em Malmö tem sido, ao que tudo indica, aceitável. Muito embora o partido tenha ressaltado publicamente que lamenta tais incidentes, ninguém teve que renunciar por causa disso.

  • A memória do Holocausto não pode ser reduzida a um evento para acobertar e fazer com que os políticos da situação em Malmö saiam bem na fita. Lembrar o Holocausto é indubitavelmente agir contra as condições que levaram ao Holocausto: é agir contra a normalização do antissemitismo.

  • É esta normalização do antissemitismo que os Social-democratas da Suécia e outros partidos Social-democratas na Europa, como o Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn do Reino Unido tem fomentado.

Malmö, a terceira maior cidade da Suécia, ficou conhecida devido ao seu sonoro antissemitismo e não está claro se o Partido Social Democrata, ora no poder, realmente tem vontade política ou moral para contê-lo. Foto: Prefeitura de Malmö. (Imagem : Hajotthu/Wikimedia Commons)

Malmö, a terceira maior cidade da Suécia, ficou conhecida devido ao seu sonoro antissemitismo. Por conseguinte, não deveria pegar ninguém de surpresa o fato de muitos judeus não se sentirem seguros. Tornando o antissemitismo ainda mais problemático, não está claro se o Partido Social Democrata, ora no poder, realmente tem vontade política ou moral para contê-lo.

O ex-prefeito de Malmö, IlmarReepalu, foi acusado inúmeras vezes de manifestar sentimentos antissemitas. Outros importantes políticos Social-democratas como Adrian Kaba, também difundiram teorias da conspiração antissemitas no passado. No ano em curso, quando a Liga da Juventude Social-Democrata de Malmö promoveu manifestações no Dia Internacional do Trabalho, em 1º de maio, eles entoavam: "esmaguem o sionismo".

Continue lendo o artigo

Razões Pelas Quais Resoluções Amigáveis para o Conflito Árabe-israelense Sempre dão Errado

por Tawfik Hamid  •  8 de Agosto de 2019

  • A causa do problema NÃO é o território. Após o colapso do Império Otomano várias nações árabes foram criadas por decreto. O mundo árabe aceitou esse estado de coisas numa boa pois se tratavam de países de maioria muçulmana. A não aceitação do Estado de Israel tinha a ver com o fato de Israel ser um país judaico e não muçulmano.

  • Desta forma, malgrado a gritante discriminação contra as minorias não muçulmanas na maior parte do mundo árabe e muçulmano (negação de direitos iguais para a construção de igrejas, por exemplo), muitos no mundo árabe apontam o dedo apenas e tão somente para Israel quando falam de discriminação.

  • A União Europeia está financiando um estudo sobre os livros didáticos palestinos porque vieram à tona evidências descobertas pela organização não governamental IMPACT-se, que constatou em maio que "o novo material escolar palestino para o ano letivo 2018/1919... é ainda mais radical do que o de anos anteriores". Enquanto isso ninguém está sendo educado para a paz.

  • Se somarmos a isso a triste realidade que os políticos palestinos usam o conflito para obter bilhões de dólares em doações, dá para entender o porquê desse conflito não ter sido resolvido até agora.

A rejeição ao Plano de Partilha da Palestina da ONU de 1947 pelas nações árabes e a declaração de guerra dessas nações contra Israel ao invés de sua aceitação da paz, foi o primeiro indício palpável de que o desejo dos árabes nunca foi proporcionar um estado para o povo palestino e sim desde o início o de varrer Israel do mapa. Foto: Pelotão da Legião árabe nas muralhas da Cidade Velha de Jerusalém em 1948. (Imagem: Wikimedia Commons)

Nós devemos aplaudir os esforços de Jared Kushner de propor uma solução amigável para o conflito árabe-israelense. Dito isso, a rejeição nada surpreendente dos palestinos ao plano de paz requer uma exaustiva análise, em particular no tocante às verdadeiras causas do eterno fracasso em se alcançar a paz duradoura.

Sem compreendê-las, toda e qualquer tentativa de resolver o conflito, toda e qualquer tentativa de se chegar à paz verdadeira no Oriente Médio, invariavelmente estará fadada ao fracasso.

Sendo conhecedor da matéria com background tanto muçulmano quanto árabe, eu gostaria imensamente de dividir com vocês algumas observações sobre esse impasse.

1. O conflito árabe-israelense não tem nada a ver com fronteiras. Tem tudo a ver com a existência do Estado de Israel.

Continue lendo o artigo

A França Mergulha Lentamente no Caos

por Guy Millière  •  6 de Agosto de 2019

  • O presidente Macron jamais diz que lamenta que há pessoas que perderam um olho ou uma mão... vítimas da extrema truculência da polícia. Longe disso, ele solicitou ao parlamento francês que passasse uma legislação que praticamente abole o direito de protestar, a presunção de inocência e pede permissão de prender qualquer um, em qualquer lugar, mesmo sem motivo algum. A lei foi aprovada.

  • Em junho, o parlamento francês aprovou outra lei punindo exemplarmente qualquer um que diga ou escreva algo que possa conter algum "discurso de incitamento ao ódio". A lei é tão vaga que o jurista americano Jonathan Turley se sentiu obrigado a reagir. "A França se tornou uma das maiores ameaças internacionais à liberdade de expressão", escreveu ele.

  • A preocupação nº 1 de Macron e do governo francês parece não ser o risco de tumultos, o descontentamento da população, o desaparecimento do cristianismo, a desastrosa situação econômica ou a islamização e suas consequências. A preocupação nº 1 são as mudanças climáticas.

  • "O Ocidente já não sabe o que ele é, porque não sabe e não quer saber o que o moldou, o que o constituiu, o que foi e o que é (...). Essa autoasfixia conduz naturalmente a uma decadência que abre caminho para novas civilizações bárbaras." — Cardeal Robert Sarah, em Le soir approche et déjà le jour baisse ("A noite chega e a luz já escurece").

O presidente Emmanuel Macron jamais diz que lamenta que há pessoas que perderam um olho ou uma mão... vítimas da extrema truculência da polícia. Longe disso, ele solicitou ao parlamento francês que passasse uma legislação que praticamente abole o direito de protestar, a presunção de inocência e pede permissão de prender qualquer um, em qualquer lugar, mesmo sem motivo algum. A lei foi aprovada. (Foto: Kiyoshi Ota - Pool/Getty Images)

Paris, Champs-Élysées. 14 de julho. Dia da Queda da Bastilha. Instantes antes do início do desfile militar, o presidente Emmanuel Macron desce a avenida em um carro oficial para saudar a multidão. Milhares de pessoas se aglomeram ao longo da avenida gritando "Macron renuncie", vaiando e insultando.

Ao final do desfile, dezenas de pessoas soltaram balões amarelos e distribuíram panfletos com os seguintes dizeres: "os coletes amarelos não estão mortos". Elas foram dispersadas com rapidez e truculência. Pouco depois, apareceram centenas de anarquistas da "Antifa" (movimento antifascista) e jogaram as barreiras de proteção nas ruas e calçadas para montar barricadas, provocar incêndios e destruir as frentes de lojas. A polícia teve muito trabalho para conter os distúrbios, passado algum tempo, já ao anoitecer, a ordem foi restabelecida.

Continue lendo o artigo

"A Suécia está em Guerra"

por Judith Bergman  •  3 de Agosto de 2019

  • O relatório da polícia sueca de 2017 "Utsatta områden 2017" ("Áreas Vulneráveis 2017") mostrou que existem 61 dessas áreas, também conhecidas como zonas proibidas na Suécia. Elas abrangem 200 redes criminosas, compostas por cerca de 5 mil criminosos. A maioria dos habitantes são imigrantes não ocidentais e seus descendentes.

  • Em março, segundo estimativas do Centro Nacional de Perícia Forense da Suécia, desde 2012 o número de tiroteios classificados como assassinato ou tentativa de assassinato teve um salto de quase 100%.

  • "A Suécia está em guerra e os políticos são os responsáveis. Já são cinco noites seguidas, atearam fogo em automóveis na cidade universitária de Lund. Esses atos insanos vêm se repetindo centenas de vezes em inúmeros lugares da Suécia nos últimos quinze anos. De 1955 a 1985, nenhum carro foi incendiado em Malmö, Gotemburgo, Estocolmo e Lund.... Nenhum desses criminosos está morrendo de fome ou sem acesso a água potável. Eles têm onde morar e lhes são oferecidos educação gratuita, eles não vivem em casas dilapidadas.... Isso se chama educação e é o que está faltando a milhares de meninas e meninos hoje nos lares suecos." — Björn Ranelid, autor sueco, Expressen, 5 de julho de 2019.

Em março, segundo estimativas do Centro Nacional de Perícia Forense da Suécia, desde 2012 o número de tiroteios classificados como assassinato ou tentativa de assassinato teve um salto de quase 100%. (Imagem: iStock)

Em 2018, a Suécia bateu o recorde no número de tiroteios devastadores, 306 ao todo. Deles resultaram 45 mortos e 135 feridos em todo o país, a maioria das mortes ocorreu em Malmö na região Sul da Suécia. Em março, segundo estimativas do Centro Nacional de Perícia Forense da Suécia, desde 2012 o número de tiroteios classificados como assassinato ou tentativa de assassinato teve um salto de quase 100%. O Centro também constatou que a arma mais utilizada nos tiroteios foi o fuzil automático Kalashnikov. "É uma das armas mais produzidas no mundo e utilizadas em muitas guerras" salientou o supervisor de equipe do Centro, Mikael Högfors. "Quando não se precisa mais delas... elas são contrabandeadas para a Suécia".

Continue lendo o artigo