Últimas Análises e Comentários

China Avança no Caribe

por Gordon G. Chang  •  21 de Abril de 2019

  • A cerca de 88 quilômetros a leste de Palm Beach, Flórida, na Grand Bahama Island, uma empresa sediada em Hong Kong está desembolsando cerca de US$3 bilhões em uma central de contêineres em águas profundas, o Freeport Container Port.

  • A preocupação é que o porto se torne outra armadilha em forma de dívida, como Hambantota, no Sri Lanka. Há especulações inquietantes que Hambantota acabará se tornando uma base naval da China. Será que o Pentágono terá que se confrontar com navios de guerra chineses em Freeport?

  • Os militares chineses já se encontram no Caribe e em Cuba, ao que tudo indica, com o propósito de coletar informações de transmissões da inteligência dos EUA. Washington esbanja dinheiro no Oriente Médio, mas os estrategistas políticos dos Estados Unidos também precisam se interessar, urgentemente, acerca de lugares críticos e carentes próximos de casa.

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump se reuniu recentemente com os líderes do Caribe, sinalizando o esforço concentrado de Washington no sentido de se aproximar dos atores da região. Mas os programas americanos precisam de dinheiro para suportá-los, por serem inadequados para enfrentarem o desafio chinês no Caribe, onde o comércio e investimentos fizeram com que Pequim tivesse uma forte influência. Foto: Presidente Trump e Melania Trump juntamente com os líderes caribenhos em Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida em 22 de março de 2019. (Foto Oficial da Casa Branca por Tia Dufour)

Uma "Tempestade Vermelha Avança" a poucos quilômetros do litoral dos Estados Unidos. "Na realidade, todo o hemisfério está em chamas," ressaltou Lou Dobbs, âncora da Fox Business Network em seu programa de grande audiência transmitido em de 04 de abril. "China e Rússia estão nos confrontado em quase todos os cantos do hemisfério. Rússia e China na Venezuela, China em todo o hemisfério e em todo o Caribe".

Nos quatro cantos do Caribe a influência da China avança a passos largos. Comércio e investimentos fizeram de Pequim uma potência. As intenções chinesas não são unicamente comerciais e pelo andar da carruagem também não parecem ser lá muito auspiciosas.

Comecemos pela ilha New Providence, nas Bahamas. Em 2011 o Banco de Exportação e Importação da China realizou um empréstimo no valor de US$2,45 bilhões para a construção do resort Baha Mar, próximo à capital, Nassau. O projeto, que mostrou ser problemático desde o início, é o maior e mais caro do Caribe.

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Reino Unido: Muçulmanos Radicais são Bem-Vindos, Cristãos Perseguidos, Nem Pensar

por Raymond Ibrahim  •  20 de Abril de 2019

  • Ao rejeitar a motivação do pedido de asilo de um homem que se converteu do islamismo ao cristianismo e, pelo andar da carruagem forçar seu retorno ao Irã, o governo britânico está na prática condenando-o à morte.

  • "Dos 4.850 refugiados sírios acolhidos para reassentamento pelo Ministério do Interior em 2017, apenas 11 eram cristãos, representando somente 0,2% de todos os refugiados sírios que receberam sinal verde do Reino Unido." — Barnabas Fund.

  • Enquanto isso, o Ministério do Interior permitiu que o clérigo paquistanês Syed Muzaffar Shah Qadri, considerado tão radical a ponto de ser proibido de voltar à sua terra natal, Paquistão, proferisse palestras em mesquitas do Reino Unido.

  • "É inacreditável que os cristãos perseguidos, que vêm do berço do cristianismo, estivessem sendo informados que não havia lugar para eles na hospedaria, enquanto o Reino Unido dá boas-vindas a islamistas que perseguem cristãos..." Há um considerável problema sistêmico quando é dado aos líderes islamistas que defendem a perseguição aos cristãos luz verde, adiantando que suas solicitações de vistos do Reino Unido serão consideradas favoravelmente, enquanto vistos para curtas visitas pastorais ao Reino Unido são negadas a líderes cristãos, cujas igrejas estão se deparando com genocídio. Trata-se de uma questão urgente que os ministros do Ministério do Interior precisam compreender e corrigir." — Dr. Martin Parsons, Barnabas Fund.

Ao rejeitar a motivação do pedido de asilo de um homem que se converteu do islamismo ao cristianismo e, pelo andar da carruagem forçar seu retorno ao Irã, o governo britânico está na prática condenando-o à morte. (Imagem: iStock)

Em dois casos distintos, o Reino Unido negou asilo aos cristãos perseguidos citando de maneira estapafúrdia a Bíblia e Jesus. Ambos os cristãos, um homem e uma mulher, ex-muçulmanos que procuravam separadamente asilo oriundos da República Islâmica do Irã, considerado o 9º pior perseguidor de cristãos do planeta, em especial daqueles que eram muçulmanos e se converteram ao cristianismo.

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Igrejas Europeias: Profanações, Defecações, Incêndios "Todos os Dias"

por Raymond Ibrahim  •  15 de Abril de 2019

  • Na Alemanha quatro igrejas foram profanadas e/ou incendiadas somente em março. "Nesse país," explica a PI-News, "há uma guerra gradual e constante contra tudo o que simboliza o cristianismo: ataques a cruzes no alto das montanhas, a estátuas sagradas na beira das estradas, a igrejas... e ultimamente também a cemitérios".

  • Em praticamente todos os casos de ataques a igrejas, as autoridades e a mídia escondem a identidade dos vândalos. Nos raros casos em que a identidade vazada dos vândalos é muçulmana (ou "migrante"), os perpetradores são então apresentados como portadores de problemas mentais.

  • "Quase ninguém escreve ou fala sobre os crescentes ataques a símbolos cristãos. Há um silêncio eloquente tanto na França quanto na Alemanha em relação ao escândalo das profanações e à origem dos perpetradores. Nem uma palavra, nem mesmo o menor indício que de alguma maneira poderia levar à suspeita sobre os migrantes... Não são os perpetradores que correm o risco de serem malvistos e sim aqueles que ousam associar a profanação dos símbolos cristãos à chegada de imigrantes. Eles são acusados de ódio, discurso de incitamento ao ódio e racismo". — PI News, 24 de março de 2019.

Em fevereiro, vândalos profanaram e arrebentaram cruzes e estátuas na catedral de Saint-Alain em Lavaur, mutilaram de forma grotesca os braços de uma estátua do Cristo crucificado. Além disso, atearam fogo numa toalha de altar. (Imagem: Eutrope/Wikimedia Commons)

Inúmeras igrejas por toda a Europa Ocidental estão sendo profanadas, defecadas e incendiadas.

Em média, duas igrejas são profanadas todos os dias na França. Segundo o site de notícias alemão PI-News, 1.063 ataques a igrejas ou símbolos cristãos (crucifixos, figuras, estátuas) foram registrados na França em 2018. Isso representa um salto de 17% em relação ao ano anterior (2017), quando foram registrados 878 ataques, o que significa que esses ataques estão indo de mal a pior.

Entre algumas das recentes profanações que ocorreram na França, estão as seguintes, somente as de fevereiro e março:

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Catar: 'Um Lobo em Pele de Cordeiro'
Financiando o Islamismo na Europa

por Giulio Meotti  •  14 de Abril de 2019

  • "Estamos denunciando por anos a fio a infiltração religiosa e ideológica de Doha. Sob a forma de investimentos e operações financeiras, o Catar amplia sua rede proselitista todo santo dia, gerando consideráveis danos às sociedades europeias..." — Souad Sbai, de origem marroquina, presidente do Centro de Estudos Averróis da Itália.

  • O Catar vem financiando megamesquitas por toda a Europa. Ao que parece o objetivo do Catar é islamizar a diáspora europeia.

  • As emissoras do Catar de língua inglesa produzem uma astuta propaganda contra os inimigos do Catar, disfarçada de retórica liberal ocidental. O mais recente empreendimento da Al Jazeera, o canal de rede social AJ+, tem como alvo os americanos jovens e progressistas. Seus documentários sobre as perversidades de Israel, da Arábia Saudita e da Administração Trump ficam camufladas na brilhante cobertura de campanhas de direitos dos transgêneros e apelos emotivos no tocante ao sofrimento dos candidatos a asilo na fronteira dos Estados Unidos com o México, temas aparentemente sem pé nem cabeça, para uma emissora controlada por um regime wahhabista. O Catar é hoje o maior patrocinador estrangeiro de universidades americanas. — Daniel Pipes, presidente do Middle East Forum.

Segundo Souad Sbai (esquerda), de origem marroquina, presidente do Centro de Estudos Averróis da Itália, "o Catar amplia sua rede proselitista todo santo dia, gerando consideráveis danos às sociedades europeias, incluindo a da própria Itália". Daniel Pipes (direita) salienta que o Catar "trabalha abertamente no sentido de influenciar tanto os estrategistas políticos quanto o público no Ocidente... As emissoras de língua inglesa produzem uma astuta propaganda contra os inimigos do Catar, disfarçada de retórica liberal ocidental. O Catar é hoje o maior patrocinador estrangeiro das universidades americanas." (Imagem: Wikimedia Commons/Luke Ford [Pipes])

Em outubro, o ministro do interior da Itália, Matteo Salvini, visitou o Catar, o "gigante da energia", onde levantou a bola do emirado por "não patrocinar mais o extremismo". Lamentavelmente, a verdade é justamente o contrário. Catar "o outro estado wahhabista", ao que tudo indica, não está interessado somente nas relações econômicas com a Europa, mas também na exportação da sua versão do islamismo político.

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Superestado Han da China: O Novo Terceiro Reich

por Gordon G. Chang  •  9 de Abril de 2019

  • O presidente da China, Xi Jinping, exige que as cinco religiões reconhecidas, 'o reconhecimento oficial de uma religião se traduz num mecanismo de controle' façam parte da "chinalização". Os chineses, como parte dessa implacável e inexorável investida, estão destruindo mesquitas e igrejas, forçando os muçulmanos devotos a tomarem bebidas alcoólicas e comerem carne de porco, infiltrando funcionários Han para residirem em lares muçulmanos e jogarem uma pá de cal no ensino religioso para menores.

  • Nos últimos anos, tem havido muitas representações grotescas de africanos na mídia chinesa, embora se tenha notícia de achincalhações bem mais bizarras do que a do ano passado, esta foi impactante porque a principal emissora estatal, ao transmiti-la para cerca de 800 milhões de telespectadores, deixou claro o que as autoridades chinesas pensam sobre os africanos tanto como motivo de escárnio quanto como subumanos.

  • Campos de concentração, racismo, eugenia, ambições de dominação mundial. Já vimos esse filme, não?

  • Há um novo Terceiro Reich: a China.

Mais de um milhão de pessoas, sem nenhum motivo a não ser etnia ou religião, estão confinadas em campos de concentração no que Pequim chama de Região Autônoma Uigur de Xinjiang. Foto: confronto entre policiais chineses e mulheres da etnia uigure durante um protesto em Urumqi, capital de Xinjiang, em 7 de julho de 2009. (Foto: Guang Niu/Getty Images)

Mais de um milhão de pessoas, sem nenhum motivo a não ser etnia ou religião, estão confinadas em campos de concentração no que Pequim chama de Região Autônoma Uigur de Xinjiang, território que os tradicionais habitantes da região, os uigures, dizem ser o Turquestão Oriental. Além dos uigures, os cazaques étnicos também estão confinados naqueles campos.

As famílias dessa região conturbada, mostradas em mapas como área a noroeste da República Popular da China, estão sendo separadas. Os filhos de pais uigures e cazaques presos ficam "confinados" em "escolas", excluídos do mundo do outro lado por arame farpado e tropas de choque fortemente armadas. A eles é negado ensino em sua própria língua além de serem forçados a aprender o mandarim. Essa camisa de força faz parte de uma política assim chamada de "hanificação", ou seja: programa de assimilação forçada. "Han" é o nome do maior grupo étnico da China.

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Crimes do Ocidente Contra as Minorias Perseguidas no Oriente Médio

por Judith Bergman  •  8 de Abril de 2019

  • A única coisa que se ouve recorrentemente é o direito dos terroristas do ISIS retornarem pelo fato deles estarem de posse da cidadania ocidental. As verdadeiras vítimas, um mar de gente que os terroristas do Estado Islâmico, só por diversão, voluntariamente se ofereceram para estuprar, torturar, decapitar, afogar, queimar vivo, crucificar e balear até a vítima morrer. No entanto, o horror que essas vítimas: yazidis, cristãos, drusos e o "tipo errado" de muçulmano é escassamente mencionado nos debates públicos acerca do retorno dos combatentes do Estado Islâmico.

  • O problema é que esses mesmos representantes do establishment político não mostraram nem de longe consideração como aquela, se é que houve alguma, pelas vítimas dos terroristas do Estado Islâmico; parece que elas foram totalmente esquecidas.

  • Em todo o mundo ocidental, as classes política e da mídia montam o espetáculo fingindo todo santo dia que se preocupam com os direitos humanos, ao mesmo tempo em que abandonam as minorias perseguidas, entre elas inúmeras muçulmanas. Já passou muito da hora de todos começarem a dar nome aos bois e exporem essa postura de narcisismo moral, que não passa disso, e exigir de seus políticos e da mídia do establishment, que aparentemente não se cansam de proclamar seu compromisso com os direitos humanos, a começarem a ajudar algumas das incontáveis vítimas que esperam por ajuda.

Nadia Murad, ativista yazidi dos direitos humanos, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, uma das milhares de mulheres yazidis feitas prisioneiras pelo ISIS e mantida como escrava até ela ter dado um jeito de escapar, escreveu recentemente: "meu maior temor é que se o mundo continuar indiferente, minha comunidade, a comunidade yazidi, deixará de existir". (Foto: Erik Valestrand/Getty Images)

O debate na Europa Ocidental sobre os direitos de retorno dos terroristas do Estado Islâmico (ISIS) reflete um sentimento inquietante: parece haver uma tremenda preocupação com o bem-estar daqueles que resolveram deixar os países em que nasceram ou países que os acolheram e jurar lealdade ao ISIS, cujos seguidores perpetraram alguns dos crimes mais hediondos que se tem notícia, cometidos neste ou em qualquer outro século.

Agora que as forças apoiadas pelos EUA na Síria tomaram a cidade síria de Baghuz, última fortaleza do ISIS naquele país e o fato do ISIS, tanto no Iraque quanto na Síria ter sido derrotado, os terroristas do grupo juntamente com suas noivas, ao que tudo indica, já estão com saudades do Ocidente.

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Milhares de Mulheres Muçulmanas Estupradas, Torturadas e Mortas nas Prisões da Síria
Onde estão a Mídia, a ONU e os Grupos que Defendem os 'Direitos Humanos'?

por Bassam Tawil  •  6 de Abril de 2019

  • O tormento das palestinas na Síria é uma questão que parece não incomodar os líderes palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Esses líderes estão ocupados demais lutando e incitando a violência uns contra os outros, contra Israel e contra os Estados Unidos. Eles esqueceram completamente o sofrimento de seu povo num país árabe como a Síria.

  • As mulheres que estão sendo estupradas e torturadas com requintes de crueldade nas prisões sírias, são vítimas de líderes palestinos fracassados que, ao que tudo indica, se preocupam apenas e tão somente em manter suas contas bancárias e seus empregos.

  • Nenhuma autoridade da Fatah nem do Hamas nem dos assim chamados "grupos de direitos humanos" do Ocidente nem das Nações Unidas se manifestou no tocante à situação das palestinas na Síria. E por que deveriam, se tudo o que fazem na maior parte do tempo é jogar sujo, dar golpes baixos uns nos outros e ao mesmo tempo incitar o povo contra Israel e os EUA?

As mulheres que estão sendo estupradas e torturadas com requintes de crueldade nas prisões sírias, são vítimas de líderes palestinos fracassados que, ao que tudo indica, se preocupam apenas e tão somente em manter suas contas bancárias e seus empregos. (Imagem: iStock. Imagem somente para efeitos ilustrativos, não representa a personagem do artigo.)

Para as palestinas que se encontram na Síria, não havia motivo para celebrar o Dia Internacional da Mulher, data comemorada ao redor do mundo no início do corrente mês (março de 2019). Enquanto em muitos países as mulheres comemoravam, um levantamento publicado pelo Grupo de Ação em Favor dos Palestinos da Síria, uma organização de direitos humanos, revelou que 107 palestinas estavam encarceradas em condições subumanas nas prisões sírias.

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Trump Está Certo em Relação às Colinas de Golã

por Alan M. Dershowitz  •  4 de Abril de 2019

  • Nenhum país ao longo da história jamais devolveu território a um inimigo que o jurou de morte, território militarmente essencial que um dia tivesse sido capturado em uma guerra defensiva.

  • Conforme o esperado, a União Europeia se opôs ao reconhecimento pelos EUA da anexação. No entanto ela não apresentou nenhum argumento convincente, fora a sua exigência habitual de que o status quo não seja alterado.

  • Algum país europeu já entregou alguma colina capturada em uma guerra defensiva a um inimigo que o jurou de morte? É bom lembrar que no final da primeira e segunda guerras mundiais os países europeus fizeram ajustes territoriais para ajudar a preservar a paz. Por que razão então a União Europeia quer sujeitar Israel a um padrão moral de dois pesos e duas medidas que jamais exigiu de si mesma? A resposta é clara: a União Europeia sempre agiu de maneira hipócrita quando se trata de Israel e agora não é diferente.

As Colinas de Golã. O controle de Israel sobre a região tem sido o status quo por mais de meio século e sua necessidade legítima por esse controle só aumenta com passar do tempo. (Foto: Wikipedia)

Ninguém que tem a cabeça no lugar iria sugerir aos israelenses que dessem de mão beijada as Colinas de Golã a Assad, o genocida sírio. Seria suicídio entregar o topo das colinas com vista avantajada das cidades e aldeias israelenses a um maluco que faria uso delas para atacar civis israelenses com bombas de barris recheadas com elementos químicos, como Assad já havia feito com os cidadãos de seu próprio país. Nenhum país jamais devolveu um encouraçado capturado numa guerra defensiva a um inimigo que o jurou de morte. Além disso, as Colinas de Golã representam um enorme navio de guerra que seria usado para atacar Israel.

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Turquia: Aliada de Putin na OTAN?

por Burak Bekdil  •  1 de Abril de 2019

  • Em 7 de março o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan disse que a Turquia jamais desistirá do acordo do sistema de mísseis S-400 com a Rússia. Ele chegou a realçar que Ancara poderá posteriormente considerar adquirir os sistemas S-500 mais avançados, em fase de construção na Rússia.

  • Com o acordo do S-400, a Turquia está simplesmente dizendo a seus teóricos aliados ocidentais que ela "os" vê "não a Rússia" como ameaça à sua segurança. Dado que a Rússia é profusamente considerada uma ameaça à segurança da OTAN, a posição discrepante da Turquia inevitavelmente exige que se ponha em dúvida sua identidade oficial na OTAN.

  • A Turquia possui o segundo maior exército da OTAN e a sua aventura amorosa/militar com a Rússia pode estar no momento no começo , mas isso prejudica a dissuasão militar da OTAN em relação à Rússia.

A Turquia possui o segundo maior exército da OTAN e a sua aventura amorosa/militar com a Rússia pode estar no momento no começo, mas isso prejudica a dissuasão militar da OTAN em relação à Rússia. Foto: aperto de mãos entre o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan e o presidente russo Vladimir Putin em Moscou em 10 de março de 2017. (Imagem: kremlin.ru)

Em 17 de setembro de 1950, há mais de 68 anos, a primeira brigada turca deixou o porto de Mersin na costa do Mediterrâneo, chegando 26 dias depois a Busan na Coreia. A Turquia foi o primeiro país, atrás dos Estados Unidos, a responder ao apelo das Nações Unidas em ajudar militarmente a Coreia do Sul atacada naquele ano pelo Norte. A Turquia enviou quatro brigadas (um total de 21.212 soldados) a um país que fica a 7.785 km de distância. Ao final da Guerra da Coreia, a Turquia havia perdido 741 soldados mortos em ação. No Memorial do Cemitério da ONU em Busan constam 462 soldados turcos.

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Turquia: Generalizadas e Sistemáticas Violações dos Direitos das Mulheres

por Uzay Bulut  •  30 de Março de 2019

  • "Sendo o maior carcereiro de jornalistas do mundo, não causa espécie que a Turquia tenha colocado a maioria das jornalistas atrás das grades." — Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

  • A nova lei, prevista para ser votada antes das eleições locais de 31 de março, visa reduzir a idade em que as relações sexuais com crianças (acobertadas por casamentos) são consideradas crime dos 15 para os 12 anos de idade. Caso seja aprovada, ela irá "perdoar" os crimes de casamento com menores de idade de aproximadamente 10 mil homens que atualmente cumprem pena de reclusão por acusação de abuso sexual.

  • "Uma anistia dessa magnitude irá livrar a cara dos criminosos... e incentivar... casamentos ilegais com crianças... Também desencorajará as vítimas de apelarem aos mecanismos legais e reintroduzirá o conceito de 'casamento com estupradores' em lei." — O "TCK (Código Penal Turco) Plataforma Feminina 103," organização que reúne 157 grupos de mulheres e LGBT.

Tropa de choque munida com kits antitumulto avança para dispersar milhares de manifestantes, em sua maioria mulheres, que participavam da "17ª Marcha da Noite Feminista", em 8 de março de 2019 em Istambul, Turquia. (Foto: Chris McGrath/Getty Images)

Em Istambul, o pontapé inicial do Dia Internacional da Mulher foi o assassinato de uma mulher pelo namorado. Em questão de horas, milhares de manifestantes, em sua maioria mulheres que participavam da "17ª Marcha da Noite Feminista" foram atacadas com spray de pimenta pelo batalhão de choque que procurava dispersar o protesto anual de 8 de março, iniciado em 2003. No corrente ano, no entanto, a polícia turca adiantou que a marcha "não estava autorizada" e bloqueou todas as ruas que levavam à avenida marcada para o protesto. Houve confrontos entre a polícia e as mulheres que no final conseguiram furar o bloqueio.

O episódio dá uma ideia de como os direitos humanos das mulheres são corriqueiramente violados na Turquia, não só pelo governo mas muitas vezes pelos próprios familiares.

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Turquia: Dezenas de Milhares de Pessoas Processadas por "Insultarem" Erdoğan

por Uzay Bulut  •  24 de Março de 2019

  • Desde a vitória de Recep Tayyip Erdoğan nas eleições presidenciais de 2014, a Turquia registrou 66.691 casos de "investigações por insultos", resultando até o momento em 12.305 processos e os "recordes não param de ser batidos." — Yaman Akdeniz, professor de Direito da Istanbul Bilgi University.

  • Ahmet Sever, porta-voz do ex-presidente da Turquia, Abdullah Gül, autor de um livro no qual escreve: "estamos diante de um governo ou, melhor dizendo, de um homem que considera livros mais perigosos que bombas."

  • Enquanto isso Erdoğan faz jogo duplo com o Ocidente, como parte de sua campanha de décadas de se tornar membro da União Europeia. O plano pode muito bem ser a razão do ministro da justiça ter anunciado em dezembro que revelará uma nova estratégia para a reforma judicial. A UE não deveria cair no conto do vigário dessa estratégia que salta aos olhos. Deveria sim ser exigido que o governo turco cesse a prática de processar pessoas inocentes, incluindo aqueles cujo único "crime" é criticar Erdoğan.

"Insultar o presidente" é crime na Turquia. Caso condenados, os infratores podem pegar até quatro anos de prisão e até um período mais prolongado se o insulto tiver acontecido em público. Segundo Yaman Akdeniz, professor de direito da Istanbul Bilgi University, desde a vitória de Recep Tayyip Erdoğan nas eleições presidenciais de 2014, a Turquia registrou 66.691 casos de "investigações por insultos", resultando até o momento em 12.305 processos, e os "recordes não param de ser batidos". Foto: presidente da Turquia Recep Tayyip Erdoğan em um comício em Istambul, Turquia, em 18 de maio de 2018. (Foto: Getty Images)

A criminalização na Turquia por "insultar o presidente" atingiu novos recordes no início de março em Ancara quando pai e filha acusaram um ao outro de praticar um crime passível de punição, o que na realidade nada mais era do que uma briga em família.

Segundo Yaman Akdeniz, professor de direito da Istanbul Bilgi University, desde a vitória de Recep Tayyip Erdoğan nas eleições presidenciais de 2014, a Turquia registrou 66.691 casos de "investigações por insultos", resultando até o momento em 12.305 processos, e os recordes não param de ser batidos.

Özgür Aktütün, presidente da Sociology Alumni Association, disse ao jornal independente da Turquia BirGün que, apesar da Turquia sempre ter sido e continuar sendo "uma sociedade de dedos-duros", isso desde o Império Otomano, "o que salta aos olhos de uns tempos para cá é a prática desenfreada de denúncias, qualquer que seja o assunto".

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Dinamarca em Colapso Abafado pela Mídia

por Ole Hasselbalch  •  21 de Março de 2019

  • A definição oficial de estatística sobre "descendentes" compreende apenas a primeira geração subsequente do primeiro imigrante. De modo que os dados oficiais não revelam a realidade de fato.

  • Se as estatísticas populacionais continuarem seguindo esse paradigma, os dinamarqueses autóctones, cuja taxa de natalidade é muito menor do que a dos imigrantes não ocidentais, se tornarão minoria por volta do ano 2.065. Segundo um levantamento realizado em 2017 pela Statistics Denmark, somente cerca da metade dos imigrantes não ocidentais entre 16 e 64 anos de idade estavam empregados (53% dos homens e 45% das mulheres).

  • Em 2017 um terço de todos os beneficiários que dependiam do sistema básico de bem estar social da Dinamarca eram imigrantes, configurando um salto de 82% em meros sete anos. Os dados mostram que as despesas públicas ligadas à imigração acabarão, no longo prazo, esfarelando o estado de bem estar social.

Ao contrário dos relatos enganosos da mídia, a Dinamarca não está forçando refugiados a viverem numa ilha remota. Somente criminosos estrangeiros "condenados por crimes, com ordem de deportação segundo os termos das sentenças" serão enviados para aquele lugar. E eles até terão passeios de balsa para o continente, sob o pretexto de que isso é necessário em decorrência de "convenções internacionais". (Imagem: Erik Christensen/Wikimedia Commons)

A maneira como a mídia retrata a Dinamarca como país hostil e desumano em relação aos migrantes é equivocada, para não dizer totalmente espúria.

Uma das razões desse quadro despropositado é o fato dele ser pintado pelo forte viés político dos jornalistas. Outra é que as estatísticas oficiais confiáveis da Dinamarca sobre o problema migratório no país são escassas e dificílimas de interpretar. Outro problema é a falta de levantamentos confiáveis, isso na melhor das hipóteses, na pior, são os dados propositadamente distorcidos.

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Suécia: Ainda Mais Migração

por Judith Bergman  •  19 de Março de 2019

  • A reintrodução do direito à união familiar àqueles que obtiveram asilo na Suécia e que não possuem status de refugiado, dará direito aos assim chamados "menores de idade desacompanhados" de trazerem seus pais à Suécia. Veio à tona posteriormente que muitos desses "menores de idade desacompanhados" não eram menores e sim adultos. (O dentista que ajudou a desvendar esse irrelevante detalhe foi posteriormente demitido).

  • Mehdi Shokr Khoda, iraniano gay de 19 anos que se converteu ao cristianismo na Suécia após ter fugido do Irã para Estocolmo em 2017, provavelmente gostaria que as autoridades suecas empregassem a "abordagem humanitária" a seu caso em particular. As autoridades de migração suecas rejeitaram seu pedido de asilo, alegando que Khoda estava "mentindo" em relação à sua situação. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã executou "entre 4 mil e 6 mil gays e lésbicas" de acordo com a edição britânica de 2008 do WikiLeaks.

  • Quanto aos ímpetos humanitários da Suécia ou a falta deles em relação à perseguição dos cristãos, há cerca de 8 mil cristãos escondidos na Suécia com ordens de deportação, de acordo com o advogado Gabriel Donner, que defendeu cerca de mil cristãos candidatos a asilo sujeitos à deportação.

Magnus Ranstorp, sueco, especialista em terrorismo, alertou recentemente a Suécia que aceitar a volta não somente de terroristas do ISIS como também esposas e filhos também representa um risco para a segurança do país: "alguns aprenderam a matar... suas identidades estarão para sempre ligadas ao tempo que pertenceram ao ISIS..." (Imagem: Victoria Henriksson/Wikimedia Commons)

O novo governo da Suécia, enfim constituído em janeiro depois de se arrastar por meses a fio, está instituindo políticas que levarão a mais imigração para a Suécia, muito embora o principal partido do governo, o Social-democrata, ter concorrido à Presidência com a promessa de endurecer as políticas de imigração.

O direito à união familiar àqueles que obtiveram asilo na Suécia e que não possuem status de refugiado está sendo reintroduzido, medida que segundo se calcula trará ao menos mais 8.400 imigrantes à Suécia nos próximos três anos. De acordo com o ministro da Migração, Morgan Johansson, a medida "fortalecerá a integração", embora ele não tenha explicado como.

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Irã: Chicotadas, Amputações e Execuções de Crianças

por Majid Rafizadeh  •  17 de Março de 2019

  • A Europa vorazmente impõe sanções contra um país que tem sido o lar de judeus por mais de três mil anos, e ainda assim procura encontrar formas de continuar fazendo negócios com um país como o Irã, que não só está fazendo o possível e o impossível para implantar sua hegemonia em todo o Oriente Médio, como também é um 'serial' violador de quase todos os direitos humanos imagináveis. A única e óbvia conclusão que se pode chegar é que a Europa continua querendo matar judeus e encontrou a feliz oportunidade de dar suporte àqueles que estão dispostos a matá-los.

  • "Em fevereiro de 2018, o ativista acadêmico e ambientalista iraniano/canadense Kavous Seyyed Emami morreu na prisão de Evin após sua arbitrária detenção duas semanas antes. As autoridades disseram que ele cometeu suicídio e se recusaram a liberar seu corpo a menos que sua família concordasse com um enterro imediato sem que fosse realizada uma autópsia independente." — Anistia Internacional.

  • A lista das indescritíveis violações de direitos humanos cometidos pelo regime do Irã é compridíssima, no entanto, de longe a mais alarmante parece ser a crueldade praticada contra crianças.

  • Agora é a hora da UE dar um basta na política de passar a mão na cabeça de um regime que não hesita em açoitar pessoas em público como recado a todos, torturar qualquer cidadão ao seu bel prazer, conduzir punições cruéis como amputações sem julgamentos transparentes e executar crianças que estão apenas começando a vida. São atos que deveriam ser condenados, não tolerados por meio de políticas de acomodamento, depravação moral e ganância grosseira.

Qual seria a razão da União Europeia buscar políticas de acomodamento com o regime do Irã que tem um histórico tão abominável no tocante aos direitos humanos? De acordo com a Anistia Internacional "meninas a partir de nove anos de idade já podem ser condenadas à pena de morte, meninos a partir dos 15. No mínimo 73 menores infratores foram executados entre 2005 e 2015." (Imagem: iStock)

Palestinos: Julgamento de Abbas por Traição

por Khaled Abu Toameh  •  15 de Março de 2019

  • Para alguns, a encenação do julgamento na Faixa de Gaza do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas pode parecer coisa banal ou então algum tipo de comédia grotesca. O "julgamento", no entanto, é algo totalmente diferente: o objetivo é mandar um recado não só a Abbas, mas a qualquer palestino que ouse sonhar em fazer as pazes com Israel ou em reconhecer seu direito de existir.

  • O "julgamento" visa mostrar o que aguarda qualquer palestino que ouse trabalhar com Israel, coordenar a segurança ou normalizar relações com o país. Veredito: todo e qualquer palestino que aceitar um plano de paz com Israel também será considerado culpado e estará assinando sua própria sentença de morte.

A encenação do julgamento na Faixa de Gaza do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas pode parecer coisa banal ou então algum tipo de comédia grotesca. O "julgamento", no entanto, tem o objetivo de mandar um recado não só a Abbas, mas a qualquer palestino que ouse sonhar em fazer as pazes com Israel ou reconhecer seu direito de existir. Foto: Mahmoud Abbas na Assembleia Geral das Nações Unidas, 20 de setembro de 2017. (Foto: Kevin Hagen/Getty Images)

O movimento islâmico palestino Hamas não faz segredo de sua ânsia em ver o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, ser julgado por trair os palestinos por sua suposta "colaboração" com Israel e sanções contra a Faixa de Gaza.

No ano passado, Ahmed Bahr, funcionário do alto escalão do Hamas, sugeriu que Abbas fosse julgado por "alta traição", crime passível de condenação à pena de morte. Abbas não só se recusa em fazer as pazes com o Hamas como também quer que a facção entregue suas armas ao governo da AP, segundo Bahr. "Por isso ele deveria ser trazido perante um tribunal popular e constitucional sob a acusação de alta traição."

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